Descrição de chapéu Venezuela

Venezuela recua e permite que embaixadora da UE fique no país

Em resposta a sanções, Maduro exigiu na segunda (29) que diplomata deixasse Caracas

Caracas | Reuters e AFP

A Venezuela voltou atrás na decisão, anunciada pelo ditador Nicolás Maduro, de expulsar do país a embaixadora da União Europeia (UE), Isabel Brilhante Pedrosa, em resposta às sanções impostas pelo bloco a autoridades leais ao regime chavista.

O anúncio foi feito nesta quinta (2) em um comunicado conjunto do ministro das Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, e do chefe da diplomacia europeia, Josep Borell.

Membros da Assembleia Constituinte da Venezuela, órgão ligado ao chavismo, aplaudem após votação que referendou a decisão do ditador Nicolás Maduro de expulsar a embaixadora da União Europeia, Isabel Brilhante Pedrosa, na terça (30)
Membros da Assembleia Constituinte da Venezuela aplaudem após votação que referendou a decisão do ditador Nicolás Maduro de expulsar a embaixadora da União Europeia na terça (30) - Marcos Salgado - 30.jun.20/Xinhua

À emissora internacional Telesur Arreaza afirmou que a anulação da medida foi um gesto para "não entorpecer o diálogo com a União Europeia". "Esperamos que haja também gestos da Europa para ter uma posição muito mais objetiva sobre os acontecimentos de nosso país."

O recuo do regime ocorreu horas antes de expirar o ultimato de 72 horas que Maduro havia dado, na segunda-feira (29), para que a diplomata deixasse o país. "Podemos emprestar um avião para que ela vá embora", disse o líder venezuelano na TV estatal.

Nesta quinta, Maduro mudou o tom e afirmou que voltaria a pensar sobre o assunto.

"Disse ao chanceler Arreaza: deixe-me pensar sobre isso, parece uma boa ideia dar-lhe uma oportunidade, como dizia John Lennon (...), ao diálogo, à diplomacia, à comunicação e a um novo entendimento com a União Europeia", disse ele durante um ato militar em Caracas.

A decisão de forçar a saída da embaixadora foi uma resposta a sanções econômicas impostas pela UE a 11 nomes ligados ao chavismo por causa de suas ações contra o funcionamento democrático da Assembleia Nacional.

O órgão foi presidido até o início do ano pelo opositor Juan Guaidó, que é reconhecido pelo bloco como presidente interino do país.

Mas, em janeiro, as eleições para decidir a nova liderança do Legislativo chegaram a um impasse —a oposição continua considerando que a Casa é comandada por Guaidó, enquanto o regime reconhece como presidente o deputado chavista Luis Parra, que está na lista dos que sofreram sanções da UE.

No fim de maio, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, alinhado ao chavismo, anulou o pleito que elegeu Guaidó e declarou Parra presidente do Parlamento.

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