Descrição de chapéu Eleições EUA 2020

Primeiro pré-candidato gay dos EUA, Pete Buttigieg clama por fé inclusiva em convenção democrata

Derrotado nas primárias, ex-prefeito foi mais um dos pré-candidatos a discursar no evento online

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Brasília

Derrotado nas primárias após um início surpreendente na disputa pela vaga democrata para ser candidato à Presidência dos EUA, o ex-prefeito de South Bend Pete Buttigieg usou sua participação na quarta noite da convenção do partido, nesta quinta (20), para tocar em pautas identitárias e no tema da desigualdade.

"Podem os EUA serem um lugar onde a fé seja sobre conciliação, e não exclusão? Podemos nos tornar um país que viva a realidade de que vidas negras importam?", questionou.

Apelidado de "Prefeito Pete", Buttigieg governou South Bend, cidade de 100 mil habitantes no estado de Indiana, de 2012 a 2020. Durante o mandato, o democrata foi alvo de críticas pela falta de diversidade na polícia e pela morte de um morador negro, baleado por um policial.

O ex-prefeito de South Bend e ex-concorrente de Joe Biden nas primárias democratas, Pete Buttigieg, discursa durante última noite da convenção democrata - Convenção Nacional Democrata/Reuters

Primeiro pré-candidato abertamente gay a disputar primárias presidenciais nos EUA, ele também lembrou de sua passagem pelas Forças Armadas e ressaltou que a política fez com que ele pudesse realizar seu trabalho na Marinha sem se preocupar com uma eventual demissão devido à orientação sexual.

“Pouco mais de dez anos atrás, eu me juntei às Forças Armadas em que não era possível me demitir por ser quem eu era, essa era a política", disse ele.

Em 2009, Buttigieg tornou-se oficial de inteligência naval da Marinha. Em dezembro de 2010, o ex-presidente Barack Obama assinou a legislação que derrogou a regra conhecida como "Don't Ask, Don't Tell" (não pergunte, não diga), que proibia homossexuais declarados de fazer parte das Forças Armadas.

"Agora, em 2020, é ilegal demitir qualquer pessoa nos EUA por ser quem é ou por amar quem ama. O anel no meu dedo reflete como esse país pode mudar", acrescentou Buttigieg, que é casado com um homem.

Durante a campanha, seu marido, Chasten, participou de alguns eventos, o que gerou críticas de apoiadores do atual presidente americano, Donald Trump. "O amor faz com que meu casamento seja real, mas o esforço político foi o que fez ele ser possível", disse o ex-prefeito.

Em 2015, a Suprema Corte dos EUA decidiu que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é garantido pela Constituição em todo o país. Em seu discurso, Buttigieg lembrou que Biden defendia que o direito ao casamento homoafetivo deveria ser lei antes mesmo de o Partido Democrata se posicionar nesse sentido.

"Se tudo isso pôde mudar entre 2010 e 2020, imagine o que pode mudar até 2030", disse ele.

O ex-prefeito fez uma crítica indireta ao presidente e à forma como Trump vem lidando com a pandemia. Também lamentou a desigualdade social americana.

"Iremos lidar com questões de ciência e medicina recorrendo a médicos e cientistas? O que faremos para tornar os EUA uma terra em que ninguém que trabalhe em período integral viva na pobreza?"

Pouco conhecido no cenário nacional antes da corrida pela vaga democrata, Buttigieg apostou na imagem de outsider ao entrar na disputa. Sua campanha investiu de forma pesada em áreas rurais pró-Trump em Iowa, na esperança de que vencer a primeira etapa o daria força para os estados seguintes.

Assim, ele conseguiu uma vitória apertada (14 delegados a 12) contra Bernie Sanders em Iowa e surpreendeu ao obter um segundo lugar em New Hampshire. No entanto, não conquistou nenhum delegado nas duas rodadas seguintes e acabou desistindo após o desempenho ruim nas primárias da Carolina do Sul e pela dificuldade em atrair eleitores negros e latinos.

Além de Buttigieg, outro outsider que participou da corrida democrata apareceu na última noite do evento que confirmou a chapa de Joe Biden e Kamala Harris.

Andrew Yang, que desistiu das prévias ainda no ínício da apuração dos votos da primeira etapa da corrida, apresentou-se como "o cara que concorreu à Presidência falando sobre matemática e o futuro" e afirmou que Biden e Kamala Harris, candidata a vice, "entendem os problemas" que os americanos enfrentam.

O empresário baseou sua campanha na premissa de que a automação está destruindo empregos em massa e que a resposta seria uma renda mínima como forma de proteção social.

Em sua participação, o milionário afirmou que durante a campanha pôde conhecer Biden e Kamala "do jeito que você consegue conhecer uma pessoa: quando as câmeras estão desligadas e sem multidões".

"Eles são pais e patriotas que querem o melhor para nosso país. E se dermos a eles uma chance, eles lutarão por nós e por nossas famílias todos os dias", afirmou Yang. "Precisamos dar a este país a chance de se recuperar, e recuperação só é possível com uma mudança de liderança e novas ideias."

Também pré-candidato derrotado por Biden nas primárias, o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg foi mais um dos ex-concorrentes a deixar sua mensagem de apoio ao candidato democrata.

Seguindo a toada da campanha de Biden, Bloomberg retratou Trump como um presidente que vem mostrando despreparo, especialmente no combate à pandemia.

"Os dois concorrentes à Presidência não poderiam ser mais diferentes. Um acredita em fatos; o outro não. Um escuta especialistas; o outro acha que sabe de tudo. Um olha para frente e vê força na diversidade dos EUA; o outro olha para trás e vê imigrantes como inimigos e supremacistas brancos como aliados."

O bilionário aproveitou sua fortuna —com a qual bancou uma campanha em que investiu US$ 750 milhões (R$ 4,2 bilhões)— para dizer que Trump estaria tentando favorecer os super ricos.

"Deixa eu contar um segredo para vocês: o plano econômico de Donald Trump era dar cortes de impostos enormes para caras como eu, que não precisavam, e então mentir para todo mundo sobre isso", afirmou. "Joe revogará esse corte que eu ganhei para que possamos financiar coisas que o país precisa."

O ex-prefeito de Nova York entrou na corrida pela vaga democrata em novembro, seis meses depois da maioria dos competidores, e fez investimentos pesados em sua campanha, com sua própria fortuna, avaliada em torno de US$ 55,5 bilhões (R$ 313,6 bilhões).

Bloomberg contratou milhares de funcionários e projetou uma grande turnê pelo país, visando um bom desempenho na Super Terça, o dia mais importante das primárias, mas a estratégia não deu certo, e ele acabou desistindo após resultados decepcionantes.

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