Descrição de chapéu Governo Trump

Procuradoria de Nova York move ação para dissolver Associação Nacional do Rifle

Procuradora-geral do estado afirma que líderes desviaram 'milhões e milhões' para uso pessoal

Reuters

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, moveu uma ação nesta quinta-feira (6) para dissolver a NRA (Associação Nacional do Rifle, na sigla em inglês), sob a acusação de que líderes do grupo desviaram milhões de dólares para uso pessoal e para comprar o silêncio e a lealdade de ex-funcionários.

James afirma que os líderes do principal lobby das armas nos EUA foram contra as políticas internas da associação, além de leis estaduais e federais. Fundada em 1871, a NRA é uma organização sem fins lucrativos.

Homem com camiseta em defesa da segunda emenda da Constituição americana testa rifle durante encontro da NRA, em Houston, no Texas
Homem com camiseta em defesa da segunda emenda da Constituição americana testa rifle durante encontro da NRA, em Houston, Texas - Justin Sullivan - 5.mai.13/AFP

A ação mira a associação e quatro executivos, incluindo Wayne LaPierre, vice-presidente executivo que transita no escalão do grupo há décadas.

Além de dissolver a NRA, James busca recuperar os valores desviados e proibir os executivos de atuarem na direção de qualquer outra organização sem fins lucrativos no estado.

No processo, ela alega que as lideranças pagaram por viagens às Bahamas, jatinhos privados e refeições que contribuíram para uma redução de US$ 64 milhões (cerca de R$ 342 milhões) no balanço da associação em três anos, transformando um saldo positivo em déficit.

Ao anunciar a ação, James disse que a NRA "tem operado como um campo fértil para ganância, abuso e ilegalidade descarada". "A influência da NRA é tão poderosa que a organização ficou sem fiscalização por décadas, enquanto altos executivos desviaram milhões para seus bolsos."

A ação da procuradora-geral de Nova York, membro do Partido Democrata, a coloca contra a maior e mais poderosa associação de armas dos Estados Unidos, alinhada ao Partido Republicano.

Segundo ela, a ação não foi motivada pelo apoio da NRA ao presidente e candidato à reeleição Donald Trump. No pleito de 2016, no qual o republicano foi eleito, a associação doou mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 160 milhões) à campanha de Trump.

As investigações sobre as transações financeiras nebulosas da NRA começaram em 2019 no Congresso e na Procuradoria de Nova York.

A ação deverá polarizar o país em que a NRA é reverenciada por conservadores como a maior defensora do direito constitucional de portar armas e criticada pelos progressistas que veem a cultura armamentista americana como um gatilho da violência no país.

A associação está sujeita às leis de Nova York porque está registrada como uma associação sem fins lucrativos no estado onde conduz a maior parte de suas operações financeiras.

O estado de Nova York e a NRA já se enfrentaram na Justiça em outras oportunidades.

O Departamento de Serviços Financeiros de Nova York acusou a associação de vender, sem licença, apólices de seguro a donos de armas, e a NRA processa o estado por um decreto para fechar lojas de armamentos durante a pandemia do novo coronavírus.

A associação está em crise desde o ano passado, quando LaPierre pediu dinheiro da organização para comprar uma mansão de US$ 6,5 milhões (R$ 34,7 milhões) no Texas sob a justificativa que se sentia inseguro na Flórida após um massacre em uma escola do estado em 2018.

O então presidente da NRA, Oliver North, cobrou uma investigação sobre LaPierre, que retrucou, acusando North de extorqui-lo.

Após o massacre de El Paso, em agosto de 2019, até mesmo Trump começou a sugerir novas regras para aquisição de armas, como proibição para pessoas com histórico de doença mental.

Ainda assim, o presidente dos EUA disse na época que "o ódio e as doenças mentais puxam o gatilho, não armas", frase vista como um aceno à NRA.

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