Sindicato suspende bloqueios na Bolívia após Senado estabelecer data limite para eleições

Central Obreira Boliviana se declara em 'vigília permanente' até realização de pleito, em outubro

La Paz | AFP

A COB (Central Obreira Boliviana), sindicato ligado ao ex-presidente Evo Morales, anunciou nesta sexta-feira (14) que suspenderá os protestos e os bloqueios em estradas da Bolívia.

A decisão, que ocorre após o Senado estabelecer, nesta quinta (13), o dia 18 de outubro como data limite para a realização do pleito presidencial, visa pacificar o país antes da votação, afirma a associação.

"Instruímos os mobilizados para pacificar verdadeiramente [o país] —porque somos pacificadores—, para evitar enfrentamentos e mortes", afirmou o líder da COB, Carlos Huarachi, em entrevista coletiva, que se colocou em "vigília permanente" até a data limite.

Manifestantes bloqueiam caminho em El Alto, na Bolívia - Mateo Romay - 13.ago.2020/Xinhua

Segundo Huarachi, a lei aprovada pelo Congresso, no qual o MAS (Movimento ao Socialismo, partido de Evo) tem maioria, e promulgada pela presidente interina, Jeanine Añez, acalma os ânimos.

Os bloqueios realizados nos nove departamentos do país começaram em 3 de agosto, dias após o Tribunal Eleitoral da Bolívia anunciar o terceiro adiamento das eleições gerais na Bolívia.

Originalmente, a votação que decidirá o sucessor do governo interino de Añez foi convocada para o dia 3 de maio. Depois, foi adiada para a primeira semana de agosto. Na sequência, para 6 de setembro e, por fim, mais recentemente, para 18 de outubro. A justificativa sempre foi a crise da Covid-19.

Para a COB e outros movimentos ligados a Evo, as postergações prejudicam o candidato do MAS, Luis Arce, que lidera as pesquisas, seguido pelo ex-presidente Carlos Mesa.

De acordo com a agência de notícias AFP, foram instalados 142 pontos de bloqueio em todo o país, provocando desabastecimento de alimentos, remédios e combustíveis em meio à pandemia.

Há, porém, versões contraditórias. Añez afirma que o MAS tem promovido os atos, impedindo a passagem de caminhões com insumos e oxigênio para hospitais que tratam pacientes de Covid-19.

Ao jornal The New York Times Antonio Viruez, chefe da emergência do hospital del Norte, de El Alto, disse que os manifestantes "não deixam as ambulâncias passarem, apedrejam-nas e ameaçam queimá-las".

Já os organizadores dos protestos negam o bloqueio dos veículos e responsabilizam a presidente interina pelo aumento de casos de coronavírus, que está levando ao colapso os sistemas hospitalares de cidades como Santa Cruz de la Sierra e Cochabamba.

A Bolívia registra 96.459 casos de Covid-19 e 3.884 mortes, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins. Relatos da imprensa local, porém, alertam para uma possível subnotificação, especialmente nesses municípios, em que há mais mortes do que o normal dentro de casas.

Corpos e caixões também estão sendo postos nas ruas, cercados por faixas e avisos dos familiares que alertam para a suspeita de que as mortes tenham sido causadas pelo coronavírus.

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