Descrição de chapéu Eleições EUA 2020

Twitter oculta publicação de Trump por desestimular pessoas a votar

Presidente afirmou em rede social que caixas de correio não são higienizadas contra Covid

São Paulo | Reuters e AFP

O Twitter ocultou neste domingo (23) uma publicação do presidente dos EUA, Donald Trump, na qual o republicano afirma que caixas de correio que serão usadas no voto por correspondência nas eleições de novembro não são higienizadas contra a Covid-19.

De acordo com a rede social, a publicação “faz afirmações enganosas sobre saúde e tem potencial de desencorajar pessoas a votar”.

Na manhã do domingo, Trump escreveu: “Então agora os democratas estão usando caixas de correio, que são um desastre de segurança eleitoral. Entre outras coisas, tornam possível que uma pessoa vote duas vezes. Além disso, quem as controla? São colocadas em áreas republicanas ou democratas? Não são higienizadas contra a Covid. Uma enorme fraude!”.

A publicação infringe as normas de integridade cívica e eleitoral do Twitter, disse a empresa. Na última sexta (21), a rede social havia anunciado que está se preparando para se proteger de esforços de Trump e de outras pessoas para atacar a integridade das eleições americanas.

A companhia também disse que vai considerar como ciclo eleitoral o período até a posse, em janeiro de 2021. Com a pandemia, existe a expectativa de que a contagem de votos demore mais do que o normal.

O Twitter já ocultou publicações de Trump antes. Em um dos casos, o republicano publicou a frase “quando começam os saques, começam os tiros”, em referência aos primeiros protestos contra a morte de George Floyd, homem negro asfixiado por um policial branco em Minneapolis, em 25 de maio.

A frase foi retirada de um pronunciamento feito em 1967 pelo então chefe da polícia de Miami, Walter Headley. O ex-militar ficou conhecido por implementar uma cultura de violência contra negros durante seu mandato, numa época na qual roubos à mão armada eram comuns em bairros de maioria negra na cidade.

Assim, o Twitter incluiu um aviso na postagem do presidente sobre "glorificação da violência". Em outra ocasião, uma publicação foi ocultada após o presidente ameaçar manifestantes antirracistas com repressão violenta em Washington.

Televisores na Virgínia mostram discurso de Trump na convenção do Partido Republicano, realizada em Charlotte, na Carolina do Norte
Televisores na Virgínia mostram discurso de Trump na convenção do Partido Republicano, realizada em Charlotte, na Carolina do Norte - Liu Jie - 24.ago.20/Xinhua

Em maio, a empresa colocou um alerta de desinformação em uma mensagem na qual Trump também atacava o voto por correspondência nos EUA, dizendo que “caixas de correio serão roubadas, cédulas serão forjadas, impressas ilegalmente e assinadas de forma fraudulenta”.

Dois meses antes, em março, o Twitter classificou como manipulado um vídeo compartilhado por Trump em que o candidato democrata à Presidência, Joe Biden, parece dizer “só reelegeremos Donald Trump”.

Na frase completa, que foi cortada, Biden diz: "Só reelegeremos Donald Trump se, de fato, nos posicionarmos nesse pelotão de fuzilamento. Temos que ter uma campanha positiva".

Diferentemente do que já fizeram outras redes sociais, o Twitter nunca excluiu uma publicação de Trump. Em 5 de agosto, o Facebook apagou um vídeo postado pelo presidente no qual ele afirmava que crianças eram “quase imunes” ao coronavírus, declaração sem base científica.

Trump tem afirmado repetidas vezes, sem apresentar provas, que o voto por correspondência na eleição presidencial dos EUA em novembro será fraudado. Essa modalidade é usada há anos por membros das Forças Armadas em postos do exterior, sem apresentar problemas.

Nas eleições de 2016, 25% das cédulas foram depositadas dessa forma, e o próprio Trump votou assim.

Recentemente, Califórnia, Nevada e Nova Jersey, todos governados por democratas, anunciaram planos de enviar cédulas pelo correio para todos os eleitores em preparação para a eleição. Nos três casos, os republicanos processaram os estados para bloquear a medida, alegando risco de fraude.

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