A 1 mês da eleição, presidente interina desiste de candidatura na Bolívia

Jeanine Añez pediu 'união' contra partido de ex-presidente Evo Morales

Buenos Aires

A presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, renunciou à sua candidatura para as eleições do próximo dia 18 de outubro. Ela e o empresário Samuel Doria Medina, que concorreria ao cargo de vice, anunciaram a desistência na noite desta quinta-feira (17).

“Não é um sacrifício, é uma honra. Renuncio para que o voto democrático não se divida e o MAS acabe ganhando”, disse ela, em referência ao Movimento ao Socialismo, partido do ex-presidente Evo Morales.

De máscara, faixa presidencial e casaco rosa, Añez caminha no sol
A presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, participa de cerimônia em homenagem às Forças Armadas em La Paz - Presidência da Bolívia - 7.ago.20/AFP

No pronunciamento, Añez pediu "união" para "salvar a democracia", mas não declarou apoio a nenhum candidato. "Se não nos unirmos, a democracia perde, e a ditadura ganha. Renuncio à minha candidatura em homenagem à liberdade e à democracia."

Ela está no cargo desde 12 de novembro de 2019, dois dias depois da renúncia de Evo por pressão das Forças Armadas e de movimentos populares.

Añez chegou ao poder depois de uma controversa manobra legislativa, aproveitando-se de uma brecha na legislação boliviana, uma vez que todos os que estavam na linha de sucessão direta renunciaram na sequência do ex-mandatário.

Evo deixou o cargo após semanas de tensão e violência na Bolívia por conta de denúncia de irregularidades nas eleições de 20 de outubro. Hoje, vive refugiado em Buenos Aires.

Durante todo o seu mandato, Añez enfrentou uma dura oposição do partido de Evo, que incluiu atos violentos e bloqueios de estradas reprimidos pelo Estado.

Apesar de ter assumido o cargo prometendo que sua função seria apenas a de organizar o Tribunal Eleitoral e convocar novas eleições, Añez mudou de ideia e afirmou que participaria do pleito.

O que era para ser um processo de alguns meses se estendeu por quase um ano devido à pandemia do coronavírus —duas datas para a votação já foram marcadas e adiadas.

Añez é criticada pela má gestão da crise sanitária, já que a Bolívia tem uma das maiores taxas de mortos por 100 mil habitantes da América Latina (62,13). Também houve casos de corrupção, como a compra superfaturada de respiradores, caso que levou à prisão do então ministro da Saúde.

A presidente ainda é acusada de ter cometido abusos de direitos humanos na repressão de atos contra seu governo. Sua estratégia eleitoral, que pretendia polarizar com a do candidato do MAS, Luis Arce, e chegar a um segundo turno com ele, não vinha funcionando.

Duas pesquisas recentes, do instituto Ciesmori e da Fundação Jubileo, colocaram-na em terceiro e quarto lugares depois de Arce, do centro-esquerdista Carlos Mesa e até de seu ex-aliado, o direitista Luis Fernando Camacho.

A pesquisa Ciesmori dá a Arce 26,2% das intenções de voto. Mesa tem 17,1%, e Añez, 10,4%. Numa projeção de segundo turno, vitória de Mesa. Já a da Fundação Jubileo mostra Arce vencedor no primeiro turno, com 40,3% das intenções de voto, contra 26,2% de Mesa, 14,4% de Camacho e 10,6% de Añez.

Para sair vencedor na Bolívia, o candidato deve obter 50% dos votos mais 1, ou 40% e dez pontos percentuais de diferença com relação ao segundo candidato.

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