Argentinos protestam contra governo, insegurança, corrupção e quarentena

Além da capital, manifestação também acontece em cidades como Córdoba, Rosário, Mendoza e Tucumán

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Buenos Aires

Atos antigoverno e antiquarentena ocorreram neste domingo (13) em diferentes cidades da Argentina. Em Buenos Aires, houve dois protestos, um maior, ao redor do Obelisco, na avenida 9 de Julio, a principal da cidade, e outro, menor, diante da residência oficial de Olivos, onde vive o presidente Alberto Fernández.

Batizada de #Marcha13STodosaLasCalles (todos às ruas) e convocada por meio das redes sociais, a manifestação ocorreu também em Córdoba, Rosário, Mendoza, Tucumán e Bariloche —lá, foi liderada por empresários e trabalhadores do turismo, sem trabalho desde março.

Os principais gritos de guerra foram "todos pela República", "todos pela liberdade" e "fora, Cristina", em referência à vice-presidente Cristina Kirchner.

Manifestantes durante protesto antigoverno na Argentina
Manifestantes durante protesto antigoverno na Argentina - Agustin Marcarian/Reuters

Os manifestantes reclamam do estado da economia, abalada pelos efeitos de uma longa quarentena, do aumento do desemprego e da pobreza e do governo de Fernández. Também reclamam da falta de um plano para a economia antes que as ajudas federais aos pobres terminem —a princípio, iriam até 21/9.

Desde março, mais de 280 mil empregos foram extintos, segundo o Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos), devido ao fechamento de negócios e a falências de empresas.

Os manifestantes também se opõem à reforma da Justiça enviada pelo Executivo ao Congresso, já aprovada pelo Senado e em debate na Câmara de Deputados. A lei aumentaria o número de tribunais e funcionários em diferentes lugares do país, com a justificativa de tornar os processos mais rápidos.

Uma parte da população, porém, entende que se trata de um avanço do governo sobre o Judiciário para livrar Cristina dos sete processos de corrupção a que responde —em dois deles ela já tem prisão preventiva decretada.

Neste domingo, também houve concentração de manifestantes diante do apartamento em que a vice-presidente vive quando está em Buenos Aires, no bairro da Recoleta.

Iniciado às 16h, o ato reuniu pessoas que caminhavam, abraçadas a bandeiras argentinas, ou que permaneciam em filas de carros, buzinando pelas principais avenidas. Das varandas dos apartamentos, ouvia-se o som dos panelaços.

Outra das preocupações dos manifestantes é o aumento da insegurança, com crescimento de roubos e furtos. Manifestantes alegam que o movimento estaria relacionado ao fato de o governo ter liberado 4.500 presos das superlotadas penitenciárias por conta do risco do contágio pelo coronavírus.

A polícia da província de Buenos Aires também protestou na semana passada devido a uma reivindicação salarial e ao aumento da quantidade de trabalho por conta das tarefas de controle da quarentena, o que teria deixado a população desprotegida.

Os manifestantes se animaram com a carta pública divulgada hoje pelo ex-presidente Mauricio Macri, que acusou o atual governo de estar "atacando de modo sistemático e permanente a nossa Constituição". Macri se refere ao fato de Fernández usar decretos para restringir mobilidade e implementar políticas sanitárias.

"Queremos ser livres" era outro dos gritos de guerra que se ouviam nas ruas. Depois da carta de Macri, seus apoiadores lançaram posts nas redes sociais instando a população a ir às ruas, "em defesa da Constituição".

Por fim, houve mensagens contra a mudança para prisão domiciliar, na última semana, do regime de Lázaro Báez, empresário vinculado a Cristina, processado por lavagem de dinheiro. "Lázaro livre, e nós presos na quarentena" era uma das frases em alguns dos cartazes populares no ato.

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