De 'delirante' a 'impactante', veja reações ao discurso de Bolsonaro

Repercussão de fala na ONU foi menor e mais polarizada que no ano passado

São Paulo

O discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na 75ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22) recebeu reações ainda mais polarizadas que no ano passado. Os adjetivos usados por políticos e ONGs para comentar a fala do brasileiro foram de “delirante” a “impactante”.

A repercussão do pronunciamento, no entanto, foi consideravelmente menor. Poucos aliados do presidente —e nenhum político de centro— se posicionaram a respeito das opiniões de Bolsonaro, que fez uma defesa das políticas de combate ao coronavírus e às queimadas na Amazônia e no Pantanal.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) lê teleprompter durante a gravação de seu discurso à Assembleia Geral da ONU
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) lê teleprompter durante a gravação de seu discurso à Assembleia Geral da ONU - Divulgação/Presidência da República

Na cobertura ao vivo do evento da ONU, o jornal britânico The Guardian ressaltou o ataque de Bolsonaro à mídia e o fato de o presidente ter “trivializado repetidamente” o impacto da pandemia.

Já a agência Bloomberg contrastou as opiniões do presidente com o número de casos e mortes da Covid-19 no Brasil. O veículo também publicou um gráfico que mostrava como as queimadas na Amazônia explodiram desde a posse do brasileiro. Ambos classificaram Bolsonaro como sendo de extrema direita.

A ONG Oxfam divulgou uma nota de repúdio ao discurso, dizendo que o presidente descreveu um país imaginário, “que não condiz com os fatos e com o sofrimento de milhões de brasileiros e brasileiras”.

A organização Conectas disse que a fala “minimiza a crise ambiental e fere o princípio da laicidade” ao apontar o Brasil como um país “cristão e conservador”. Camila Asano, diretora de programas da entidade, afirmou que o presidente “destrói a credibilidade do país diante da comunidade internacional”.

Com ênfase nas queimadas no Pantanal e na Amazônia, o Greenpeace afirmou que o presidente envergonha o país, reforçando que “a política antiambiental do atual governo está derretendo a imagem do Brasil lá fora e prejudicando a economia nacional”.

O Observatório do Clima disse que a fala de Bolsonaro foi “calculadamente delirante”, com a intenção de “combater a realidade e inventar inimigos imaginários”. “O discurso na ONU não foi voltado à comunidade internacional, mas sim à claque bolsonarista em casa”, escreveu a coordenação da entidade.

A ONG Justiça Global também repudiou o pronunciamento, dizendo que ele seria “uma tentativa de criminalização daqueles que defendem direitos humanos e ambientais”.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse que as alegações do presidente são “total falta de caráter” e que ele “voltou a lamber as botas de Trump”. “O Brasil não merece mais este vexame internacional.”

O ex-candidato à presidência pelo partido Novo, João Amoêdo, acusou Bolsonaro de mentir, não reconhecer erros, culpar a imprensa e se colocar como vítima. “Em resumo: desinforma e prejudica a imagem do país”, publicou ele em sua conta no Twitter.

O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), conhecido por quebrar uma placa de rua que homenageava a vereadora carioca Marielle Franco, reproduziu o discurso, que caracterizou como “impactante”.

Já a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) comparou a fala do presidente a uma live “daqueles portais de fake news”. “Negou que proteja desmatadores, culpou ‘indígenas e caboclos’ pelos incêndios na Amazônia. Disse que pagou US$ 1.000 de auxílio emergencial”, enumerou. “Uma vergonha.”

Marcelo Freixo (RJ), deputado federal pelo mesmo partido, chamou o discurso de “uma sucessão vergonhosa de mentiras”. Ele publicou um cálculo que demonstra que a alegação do presidente de que o auxílio emergencial seria de US$ 1.000 (R$ 5.480) é falsa.

A deputada federal Carla Zambelli, apoiadora do presidente, tentou desmentir uma mensagem do presidente do PSOL, Juliano Medeiros, no Twitter. Ela afirmou que a soma das parcelas do auxílio emergencial totalizaria, aproximadamente, US$ 1.000, o que não é verdade.

Filipe Martins, assessor da Presidência para assuntos internacionais, celebrou o trecho do discurso de Bolsonaro que pedia à comunidade internacional atenção à liberdade religiosa e ao combate ao que chamou de "cristofobia". "Presidente Jair Bolsonaro, em seu discurso na Assembléia Geral da ONU, denunciando a perseguição aos cristãos ao redor do mundo e chamando todas as nações à consciência."

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