Ex-modelo acusa Trump de agressão sexual em Nova York há 23 anos

Amy Dorris, em entrevista ao Guardian, diz que presidente 'enfiou a língua na minha garganta' sem consentimento

Washington | AFP

A ex-modelo Amy Dorris acusou nesta quinta-feira (17) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de agredi-la sexualmente durante o US Open em 1997.

Em entrevista ao Guardian, ela afirmou que o republicano a beijou e a tocou sem seu consentimento —acusações negadas pelos advogados do líder americano ao jornal britânico.

"As alegações são totalmente falsas. Vamos considerar todos os meios legais de responsabilizar o Guardian pela publicação maliciosa dessa história sem fundamento", disse Jenna Ellis, uma das assessoras jurídicas da campanha do republicano.

Segundo Dorris, Trump, à época um empresário do setor imobiliário, agrediu-a no dia 5 de setembro de 1997, em frente ao banheiro do camarote do bilionário numas das quadras de um dos maiores torneios de tênis do mundo.

A ex-modelo Amy Dorris, que acusou Donald Trump de agressão sexual, durante entrevista ao jornal britânico The Guardian
A ex-modelo Amy Dorris, que acusou Donald Trump de agressão sexual, durante entrevista ao jornal britânico The Guardian - Reprodução/The Guardian

"Ele enfiou a língua na minha garganta enquanto eu o rejeitava. Então, ele me apertou mais, colocou as mãos na minha bunda, nos meus seios, nas minhas costas, em tudo", disse a ex-modelo, acrescentando que pediu ao hoje presidente dos Estados Unidos para parar. Segundo ela, Trump ignorou o pedido.

"Fiquei presa no abraço dele, não consegui sair", continuou ela, que tinha 24 anos. Ela afirmou ter sentido "nojo" e ficado "indignada" com a situação.

Dorris, que vive na Flórida, entregou ao jornal evidências que sustentariam o relato. Além do ingresso para o US Open, mostrou seis fotos em que aparece ao lado do bilionário ao longo de vários dias em Nova York. Trump tinha 51 anos em 1997 e estava casado com sua segunda esposa, Marla Maples.

A ex-modelo foi à cidade com o então namorado, Jason Binn, fundador de diversas publicações de moda e estilo de vida. Próximo a Trump, em 1999 ele descreveu o republicano como "seu melhor amigo".

No dia 5 de setembro, Binn a levou ao escritório do bilionário na Trump Tower, em Manhattan, antes de irem ao jogo de tênis. “Ele apareceu de um jeito muito intenso imediatamente”, disse Dorris sobre o republicano. “Parecia típico de um certo tipo de homem, pessoas que simplesmente sentem que têm o direito de fazer o que quiserem... Mesmo que eu estivesse com meu namorado.”

Procurado pelo Guardian, Binn não respondeu aos pedidos de entrevista. Entretanto, segundo os advogados de Trump, o ex-namorado de Dorris teria dito não ter lembranças de que ela tenha relatado qualquer episódio inapropriado com Trump ou que ela tenha se sentido desconfortável ao lado dele.

Dorris, por sua vez, afirma não se lembrar se contou a Binn todos os detalhes da suposta agressão sexual, mas diz que pediu ao então namorado para que Trump a deixasse em paz. Segundo a ex-modelo, ela disse a Binn que o bilionário "está em cima de mim". "Não consigo lidar com isso. Você tem de fazer algo."

O caso, segundo a ex-modelo, também foi contado à mãe e a um amigo dela em Nova York, além de um terapeuta e outros amigos com quem falou desde então. De acordo com o Guardian, os detalhes compartilhados com eles sobre o episódio são iguais aos relatados à publicação. ​

O presidente dos EUA já foi acusado de agressão ou assédio sexual por mais de uma dúzia de mulheres, incluindo a editorialista E. Jean Carroll, que diz ter sido estuprada pelo republicano na década de 1990. Trump, que nega o ocorrido, alegou que Carroll não era "seu tipo de mulher".

Pouco antes da eleição de 2016, circulou na internet um vídeo de 2005 do bilionário gabando-se de, graças à sua notoriedade, ser capaz de agarrar as mulheres por seus órgãos genitais.

Dorris diz ter pensado em fazer a denúncia à época do pleito que o elegeu presidente dos EUA, mas que desistiu devido ao medo de machucar a família. Hoje mãe de gêmeas, ela afirma querer mostrar às filhas, próximas de completar 13 anos, que não se deve deixar fazer com você algo que você não queira.

“Quero que elas vejam que eu não fiquei quieta, que enfrentei alguém que fez algo que era inaceitável.”

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