Pelo terceiro dia seguido, policiais protestam por aumento salarial na Argentina

Manifestantes armados se reuniram diante da residência oficial do presidente

Buenos Aires

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, fez um pronunciamento em rede nacional na noite desta quarta-feira (9) para tentar acalmar os protestos realizados por policiais da província de Buenos Aires. Os atos já ocorrem há três dias e levaram agentes armados para a frente da residência presidencial.

Os oficiais, que pedem melhores salários, marcaram uma vigília para a noite desta quarta diante da casa do governador da província, Alex Kicillof. A segurança foi reforçada no local.

"Todos que estamos aqui queremos resolver os problemas, mas peço que respeitemos as instituições. Essa não é a maneira de fazer isso, e espero que reflitam e mudem de mecânica", disse Fernández, acompanhado de ministros e governadores.

Policiais de Buenos Aires protestam por melhores salários e condições de trabalho
Policiais de Buenos Aires protestam por melhores salários e condições de trabalho - Agustin Marcarian/Reuters

Durante todo o dia, os policiais fizeram protestos em diferentes pontos da área metropolitana de Buenos Aires, especialmente em La Matanza —um dos distritos mais populosos e de maior criminalidade no chamado "conurbano". Na pauta dos agentes também estão reclamações devido a mortes de companheiros por criminosos nas últimas semanas.

O protesto é apoiado por parte da sociedade, que se opôs à liberação de cerca de 4.500 presos por conta do risco de contaminação pelo novo coronavírus nas cadeias superlotadas.

Os policiais dizem que a reclamação é salarial e que o protesto não é político. Sem reajustes desde novembro, eles recebem cerca de 37 mil pesos por mês (R$ 2.600). Com a quarentena e o aumento do desemprego —280 mil postos de trabalho foram fechados desde o início da pandemia—, há uma onda de violência no país, e os agentes dizem que não recebem o suficiente para combater o crime.

Houve dois momentos de tensão durante o dia: quando um grupo pediu a renúncia do ministro da Segurança da província, Sergio Berni, e quando outro, armado, dirigiu-se à Quinta de Olivos, residência presidencial. "Este não é um modo de reclamar. Não é tudo o que está permitido", disse Fernández.

O mandatário anunciou que haverá um repasse de fundos antes destinados à capital federal para a província, numa tentativa de sanar o problema dos salários. Isso aumenta a fricção política que há entre o peronismo, grupo do presidente, com o comando da cidade de Buenos Aires, que é da oposição.

Ainda assim, depois do pronunciamento, continuava a aglomeração do lado de fora de Olivos, com buzinaços e a presença tanto de manifestantes comuns quanto de policiais uniformizados.

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