Polícia detém ao menos 46 manifestantes em novo ato contra ditador da Belarus

Protesto de mulheres tomou centro da capital, Minsk, em defesa de líder da oposição

Minsk | AFP

A polícia da Belarus usou violência para acabar com um protesto de cerca de 5.000 pessoas na capital, Minsk, neste sábado (12), e anunciou a detenção de 46 pessoas, em um novo dia de manifestações contra o regime do ditador Aleksandr Lukachenko.

As mulheres eram a maioria no protesto. Elas atenderam a uma convocação para um ato pacífico no centro da cidade. Algumas batiam em panelas enquanto gritavam "devolvam Masha", em referência à líder da oposição Maria Kolesnikava, detida nesta semana depois de resistir à expulsão do país.

Kolesnikava, 38, emergiu como figura-chave da oposição após outros nomes serem presos ou forçados a deixar o país, incluindo Svetlana Tikhanovskaia, que desafiou Lukashenko nas eleições presidenciais.

Mulher tenta remover a balaclava de um policial em protesto na Belarus - Tut.by -12.set.2020/AFP

Kolesnikava foi levada à fronteira ucraniana depois de ter sido carregada à força para uma van por homens mascarados. De acordo com pessoas que estavam com ela, a oposicionista evitou ser expulsa da Belarus rasgando seu passaporte em pedaços e jogando-o pela janela de um carro. Ela agora está detida em Minsk e enfrenta uma possível longa pena de prisão, acusada de tentar tomar o poder ilegalmente.

Os manifestantes dizem que a eleição de 9 de agosto foi planejada para dar a Lukachenko uma vitória esmagadora e falsa e que Tikhanovskaia —exilada na Lituânia— foi a verdadeira vencedora. O ditador, no poder há 26 anos, nega e diz que potências estrangeiras estão por trás dos protestos.

Quando as mulheres chegaram à Praça da Liberdade de Minsk, neste sábado, homens encapuzados tentaram deter algumas delas, que resistiram, segundo imagens da Belsat TV e do site de notícias Tut.by.

Outro vídeo mostra imagens de policiais antidistúrbios que ajudavam os encapuzados —estes levavam as mulheres de maneira violenta para camburões.

A porta-voz do ministério do Interior, Olga Chemodanova, confirmou à agência de notícias AFP que mulheres foram detidas, mas não revelou detalhes.

Tikhanovskaia pediu ao ditador que a polícia pare de reprimir os dissidentes. "A violência que você está aplicando às mulheres é vergonhosa", disse ela em um comunicado. "Qualquer pessoa que cometer um crime contra manifestantes pacíficos será chamada a responder."

Lukachenko viajará à Rússia na segunda-feira (14) para uma reunião com o presidente Vladimir Putin.

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