Polícia mata antifa suspeito de matar militante de extrema direita em Portland

Reinoehl estava armado e fugiu enquanto agentes tentavam prendê-lo

Portland | Reuters

Agentes de segurança mataram a tiros, na noite de quinta-feira (3), um simpatizante de grupos antifascistas suspeito de ter matado, também a tiros, um militante de extrema direita durante os protestos antirracismo em Portland.

Segundo as autoridades, policiais dispararam contra Michael Reinoehl, 48, durante uma operação que tentava detê-lo em Lacey, no estado de Washington (cerca de 170 km ao norte de Portland).

“Enquanto eles tentavam prendê-lo, houve disparos de arma de fogo”, disse o tenente Ray Brady.

Segundo as autoridades, relatórios iniciais indicam que Reinoehl carregava uma arma, "ameaçando a vida de policiais”. Não está claro se ele fez algum disparo, relatou o New York Times.

Peritos trabalham no local onde policiais mataram Michael Reinoehl na quinta-feira (3) - AFP

"Durante a tentativa de detê-lo, foram disparados tiros contra o suspeito, que estava dentro do veículo e fugiu do carro. Tiros adicionais foram disparados contra o suspeito, e mais tarde ele foi declarado morto no local", explicou Ray, sem citar o nome de Reinoehl.

Testemunhas disseram ter ouvido os disparos e visto o corpo no chão. Uma delas afirmou ter presenciado os policiais tentando reanimar o homem baleado.

"A busca a Reinoehl, um fugitivo perigoso, membro da Antifa, e suspeito de assassinato, é uma conquista importante na iniciativa de restaurar a lei e a ordem em Portland e outras cidades", disse o procurador-geral dos EUA, William Barr, em nota. "As ruas de nossas cidades estão mais seguras com a remoção desse perigoso agitador."

Reinoehl era suspeito de ter matado a tiros Aaron Danielson durante confrontos no último sábado (29) em Portland, no estado do Oregon.

Danielson, 39, fazia parte de uma caravana de apoiadores do presidente americano, Donald Trump, que viajou em picapes até o centro de Portland e entrou em confronto com manifestantes que protestavam contra a injustiça racial e a brutalidade policial.

Na ocasião, ele usava um boné com uma insígnia do grupo de extrema direita Patriot Prayer (oração patriótica).

Nesta sexta, o Facebook anunciou que havia excluído a página oficial do grupo na rede social, bem como a conta de seu fundador, Joey Gibson. No mês passado, a empresa anunciou que iria banir grupos que apresentassem "risco à segurança pública".

Mais cedo na quinta-feira, a revista eletrônica Vice havia publicado uma entrevista com Reinoehl em que ele parecia admitir o homicídio, mas alegava ter agido em legítima defesa. “Se eu não tivesse agido, estou certo de que meu amigo e eu teríamos morrido, porque eu não iria ficar lá e deixar algo acontecer”, disse.

Reinoehl, um homem branco e pai de dois filhos de um subúrbio de Portland, disse que ele era um veterano do Exército. Ele era um rosto conhecido nos protestos da cidade e se descreveu em postagens nas redes sociais como um ativista antifascista. Ele também afirmou que agia como um segurança nos protestos.

“Eu sou 100% ANTIFA o tempo todo!”, ele postou no Instagram em junho, referindo-se ao grupo de ativistas que se mobilizaram em oposição ao que consideram fascismo nos EUA.

“Nós realmente temos uma oportunidade agora de consertar tudo”, escreveu. “Mas será uma luta como nenhuma outra! Será uma guerra e como todas as guerras, haverá baixas.”

Uma investigação sobre vídeos feitos em Portland no sábado (29) mostrou o confronto entre Reinoehl e Danielson, no qual este pode ser visto levantando o braço e começando a borrifar uma substância parecida com spray de pimenta antes que os tiros sejam ouvidos. Danielson morreu no local.

Há mais de três meses, Portland tem sido palco de manifestações contra o racismo e a violência policial. Nas últimas semanas, a cidade tem registrado conflitos entre manifestantes antirracistas e simpatizantes do governo Trump.

Outras cidades dos Estados Unidos também têm registrado episódios de violência desde o início da onda de protestos que se seguiu ao assassinato de George Floyd, asfixiado por um policial branco, na cidade de Minneapolis, no estado de Minnesota, em maio.

A tensão racial no país se tornou um dos principais assuntos da corrida pela Casa Branca. Nesta semana, Donald Trump e seu rival democrata, Joe Biden, visitaram a cidade de Kenosha, no Wisconsin, onde mora Jacob Blake, homem negro que ficou com parte do corpo paralisada após ser baleado várias vezes nas costas por policiais brancos.

Biden se reuniu com a família de Blake e falou com ele pelo telefone. O republicano esteve na cidade antes do democrata, mas se recusou a encontrar os parentes de Blake após saber que um advogado da família estaria presente.

Em vez disso, Trump se encontrou com policiais, cujo trabalho elogiou, e chamou os protestos contra a violência policial e antirracistas que irromperam na cidade de "terrorismo doméstico".

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