Tailandeses pró-democracia protestam contra governo e pedem reforma da monarquia

País tem manifestações desde julho; mas de 30 mil saíram às ruas, segundo a agência Reuters

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Bancoc | Reuters

Cerca de 30 mil pessoas protestaram na capital da Tailândia neste sábado (19), segundo a agência de notícias Reuters, contra o governo do primeiro-ministro Prayuth Chan-ocha. Muitos manifestantes também pediam reformas na monarquia.

"Abaixo o feudalismo, viva o povo", foi um dos gritos na maior manifestação em Bancoc desde que Prayuth assumiu o cargo, após um golpe bem-sucedido em 2014.

Manifestantes anti-governo erguem seus celulares durante protesto pró-democracia em Bancoc
Manifestantes antigoverno erguem seus celulares durante protesto em Bancoc - Lillian Suwanrumpha/AFP

Protestos vêm crescendo no país do sudeste asiático desde meados de julho. Os manifestantes exigem a deposição do atual governo, uma nova Constituição e a realização de novas eleições. Eles também desafiaram a monarquia ao criticar o rei Maha Vajiralongkorn, protegido por uma lei de lesa-majestade.

Os protestos foram transferidos do campus da Universidade Thammasat, um foco tradicional da oposição, para Sanam Luang ("campo real"), uma extensa praça pública em frente ao Palácio Real.

"Espero que as pessoas no poder vejam a importância do povo", disse o líder estudantil Panupong "Mike" Jadnok à multidão. "Estamos lutando para colocar a monarquia no lugar certo, não para aboli-la."

Os manifestantes disseram que planejam passar a noite no local e marchar até a sede do governo, que fica a 2,5 km, na manhã de domingo (20).

Os organizadores afirmaram que havia 50 mil pessoas presentes na manifestação, enquanto a polícia contabilizou cerca de 18 mil. Mesmo considerando a estimativa das autoridades, mais conservadora, o ato deste sábado supera os protestos do mês passado.

O rei não está na Tailândia e passa grande parte de seu tempo na Europa desde que assumiu o trono, em 2016, após a morte de seu pai. O Palácio Real não estava disponível para comentar os protestos.

“As pessoas podem protestar, mas devem fazer isso pacificamente e dentro da lei”, disse o porta-voz do governo, Anucha Burapachaisri.

O dia 19 de setembro é o aniversário do golpe contra o primeiro-ministro populista Thaksin Shinawatra, em 2006. Entre os manifestantes estavam muitos de seus seguidores, que vestiam camisas vermelhas, e veteranos dos confrontos de uma década atrás contra apoiadores do governo, conhecidos por suas camisas amarelas.

“Estou aqui para lutar pelo futuro dos meus filhos e netos. Espero que, quando eu morrer, eles se tornem livres”, disse Tasawan Suebthai, 68, uma camisa-vermelha que carregava amuletos ao redor do pescoço que, segundo ela, a protegeriam de balas. Até o momento, os protestos têm sido pacíficos.

Os militares, que se proclamam defensores da monarquia e da estabilidade nacional, realizaram várias repressões sangrentas contra manifestantes desde o fim da monarquia absoluta, em 1932, além de 13 golpes de Estado bem-sucedidos.

Uma estudante de 20 anos, que se apresentou apenas como Waan por medo de represálias, defende a pauta. "É um problema que foi varrido para debaixo do tapete por tanto tempo. Isso deve acabar aqui."

Os manifestantes exigem a revogação da lei de lesa-majestade que proíbe críticas à monarquia. Eles também pedem uma redução dos poderes constitucionais do rei e de seu controle sobre a fortuna do palácio e unidades do Exército.

A última vez que uma multidão tão grande se reuniu em Sanam Luang foi após a morte do rei Bhumibol Adulyadej, amplamente venerado no país de 70 milhões de habitantes.

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