Tradição do Brasil de abrir Assembleia Geral da ONU começou com Oswaldo Aranha

Deferência remonta aos primórdios da organização, em 1947

Nesta terça (22), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez o discurso de abertura da 75ª Assembleia Geral da ONU, mantendo a tradição segundo a qual o Brasil é responsável pela fala inaugural do evento.

A deferência remonta aos primórdios da ONU, quando Oswaldo Aranha, então chefe da delegação brasileira, presidiu a Primeira Sessão Especial da Assembleia, em 1947. Na oportunidade, foi aprovada a criação do Estado de Israel, com voto favorável do Brasil.

Devido à sua atuação, Aranha foi cogitado como candidato ao prêmio Nobel da Paz, com apoio de 15 delegações de países integrantes da União Pan-americana e de entidades sionistas americanas.

De 1938 a 1944, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, ele foi ministro das Relações Exteriores.

Como chanceler, promoveu uma política gradual, mas contínua, de aproximação com os EUA. Esse movimento, iniciado com a assinatura de importantes acordos comerciais, acabou levando à colaboração entre os países na área militar e, afinal, ao alinhamento brasileiro com os americanos na Segunda Guerra.

O ex-chanceler Oswaldo Aranha
O ex-chanceler Oswaldo Aranha - Acervo UH/Folhapress

Nascido em Alegrete (RS), em 15 de fevereiro de 1894, Oswaldo Euclides de Sousa Aranha formou-se pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1916.

Começou a carreira política em 1925, como intendente de Alegrete. Dois anos mais tarde, elegeu-se deputado federal pelo Partido Republicano Rio-grandense. No ano seguinte, com a posse de Getúlio Vargas no governo do Rio Grande do Sul, foi nomeado secretário estadual do Interior e Justiça.

Foi um dos principais articuladores da Revolução de 1930, que depôs o então presidente Washington Luís —encerrando o período conhecido como República Velha— e levou à ascensão de Getúlio Vargas ao poder. No novo governo, Oswaldo Aranha ocupou inicialmente o Ministério da Justiça.

No final de 1931, assumiu o Ministério da Fazenda, no qual renegociou a dívida externa brasileira e transferiu para o governo federal a condução da política de valorização do café, implementada por meio da compra dos estoques excedentes do produto. Foi nomeado embaixador do Brasil em Washington em 1934, posto no qual permaneceu até 1937.

Em junho de 1953, durante o segundo governo Vargas, voltou a assumir o Ministério da Fazenda. Lá, implementou um programa de recuperação da economia que ficou conhecido como "plano Aranha".

Após o suicídio de Vargas, em 1954, afastou-se da vida pública, retornando a seu escritório de advocacia. Em 1957, durante o governo de Juscelino Kubitscheck, Aranha voltou a chefiar a delegação brasileira na Assembleia Geral da ONU. Morreu em 27 de janeiro de 1960, no Rio de Janeiro.

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