Verão europeu da pandemia é marcado por 'invasão' de motorhomes

Casas sobre rodas diminuem risco de contágio por Covid-19 e são opção para viagens longas

Lisboa

Em tempos de pandemia do coronavírus, os europeus apostaram nas férias a bordo de motorhomes para fugir de aeroportos e hotéis lotados.

Nas principais estradas, a presença das casas sobre rodas é cada vez mais comum. Dados de diversos países europeus indicam um crescimento exponencial da procura após o início do desconfinamento do continente, no começo de maio.

De acordo com a Federação Europeia de Motorhomes, o aumento foi sentido por todo o continente. Além do mercado de vendas, também houve um boom nos serviços de aluguel.

Motorhomes estacionados em Castellón, no leste da Espanha - Jose Jordan - 4.jul.20/AFP

A Alemanha já era o país com a maior frota de motorhomes na Europa, com mais de meio milhão desses veículos. Mesmo assim, em maio, houve um aumento de 32% no novos registros em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Os espanhóis também foram às compras de novos veículos do tipo. Segundo dados da Aseicar (Associação Espanhola da Indústria e do Comércio de Caravanismo), a quantidade de novos emplacamentos aumentou 32% em junho, em comparação ao mesmo período de 2019.

Em Portugal, a procura pelos serviços de aluguel de motorhomes —conhecidos no país como autocaravanas— explodiu. Ao contrário de anos anteriores, porém, o aumento foi puxado pela demanda doméstica.

Especializada no assunto, a startup portuguesa Indie Campers, espécie de Airbnb de motorhomes, registrou, em junho, um aumento de 150% na procura pelo público português.

Depois de ter as passagens de avião das férias em família canceladas, o escritor luso-alemão Miguel Szymanski decidiu comprar um mortorhome. Ele, a mulher e as duas filhas percorreram cerca de 7.000 quilômetros, passando por Portugal, Espanha, França, Bélgica e Alemanha em pouco mais de um mês.

“Foi como viajar numa bolha, sem ter contato com as multidões”, diz ele.

“Começamos por ver preços de aluguel. Para viajar dentro do país são relativamente baratos, mas para a viagem que queríamos fazer [que envolvia várias travessias de fronteiras e muitos quilômetros] para alugar eram cerca de 5.000 euros (R$ 31 mil). Valia mais a pena comprar”, afirma o escritor.

Embora destaque aspectos positivos, especialmente a possibilidade de evitar aglomerações de turistas, Szymanski conta que a viagem no motorhome pode ser trabalhosa, especialmente pela necessidade de esvaziar banheiros químicos e de garantir que haja sempre água potável para todos.

Caravanistas experientes, os franceses Alex e Céline Simon já viajam dessa forma há mais de 20 anos. O casal conta que, neste ano, tem notado mais “calouros” no universo das viagens de motorhome.

“É interessante porque é como se houvesse um espírito familiar e de cooperação entre quem viaja assim. Além da liberdade, essa coletividade é o que eu mais gosto”, conta Céline, que está em Portugal pela terceira vez.


Apesar de elogiar a simpatia e a qualidade da comida portuguesa, o casal se queixa da falta de estrutura para abrigar os viajantes.

“Faltam postos de apoio para fazer uma pausa com qualidade, onde seja possível cozinhar ou simplesmente montar as cadeiras e descansar”, diz Céline.

Na França, que assim como a Alemanha tem uma grande frota de motorhomes, as áreas de parada são abundantes, mesmo em cidades menores. Há cerca de 4.500 delas espalhadas por todo o país.

Percebendo a demanda, o Turismo de Portugal anunciou, em julho, o lançamento de uma rede nacional de áreas de serviço inteligentes dedicadas especialmente às autocaravanas.

A primeira delas foi inaugurada na região do Alentejo, e oferece um espaço regular para estacionar, além de energia e água potável.

Não faltam, no entanto, áreas de camping e outros espaços de estacionamento, mesmo que com uma estrutura um pouco menos adaptada.

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