Descrição de chapéu Armênia

Após novo cessar-fogo fracassado, armênios vão às ruas cobrar posição da ONU

Milhares de pessoas marcham em Ierevan por fim de conflito que deixou ao menos 760 mortos

Baku (Azerbaijão) e Ierevan (Armênia) | AFP e Reuters

Após a segunda quebra de um acordo de cessar-fogo em uma semana e uma nova leva de mortes causadas pela retomada do conflito em Nagorno-Karabakh, os armênios foram às ruas da capital, Ierevan, pedir atenção da comunidade internacional frente à disputa armada que já matou mais de 760 pessoas.

A manifestação, que reuniu milhares de pessoas, foi especialmente crítica ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que apoia o Azerbaijão, e ao silêncio da Organização das Nações Unidas.

“Os princípios de vocês são palavras que estão apenas no papel”, dizia um cartaz com o logotipo da organização. “ONU, cadê o seu auxílio humanitário?”, questionava outro.

Armênios protestam em Ierevan na segunda-feira (19)
Armênios protestam em Ierevan na segunda-feira (19) - Tigran Mehrabyan/PAN Photo/Handout via Reuters

A 120 quilômetros dali, na cidade armênia de Guiumri, moradores fizeram uma procissão para velar o corpo de Samvel Hovakimyan, um soldado de 23 anos morto no conflito.

As duas mobilizações vêm na esteira do fracasso das tentativas de paz na região de Nagorno-Karabakh, encrave de maioria armênia em território localizado dentro do Azerbaijão.

No domingo (18), ambos os lados se acusaram mutuamente de violar um cessar-fogo humanitário acordado horas antes, após novos ataques do lado azeri pela manhã.

O pacto acertado no sábado (17) entrou em vigor à meia-noite, depois que um cessar-fogo anterior, mediado pela Rússia, não conseguiu deter os piores combates no sul do Cáucaso desde 1994. Ao menos 760 pessoas foram mortas desde o início da nova onda de confrontos, em 27 de setembro.

Moradores em Guiumri, na Armênia, velam a morte de Samvel Hovakimyan, soldado de 23 anos que foi morto no conflito
Moradores em Guiumri, na Armênia, velam o corpo do Samvel Hovakimyan, 23, morto em conflito - Karen Minasyan/AFP

O conflito é permeado por divergências e acusações de ambos os lados. No domingo (18), o Azerbaijão afirmou ter “neutralizado” um míssil disparado pelo Exército armênio num oleoduto em território azeri, o que a Armênia negou.

No mesmo dia, o Ministério da Defesa do Azerbaijnao informou que a região de Aghdam, adjacente a Nagorno-Karabakh, estava sob bombardeio, o que a Armênia também negou.

Ierevan diz que o Exército azeri realizou dois disparos durante a noite e acusou Baku de rejeitar o pedido para retirar os soldados feridos do campo de batalha, o que o Azerbaijão classificou de desinformação.

O Azerbaijão diz que, desde o início dos conflitos, 61 civis azeris foram mortos e 282 feridos, mas não divulgou as baixas militares. Nagorno-Karabakh afirma que 729 militares e 36 civis foram mortos.

A comunidade internacional teme a internacionalização do conflito, já que a Turquia apoia o Azerbaijão. A Armênia, que dá suporte financeiro e material aos separatistas, tem uma aliança militar com a Rússia.

Na noite de segunda-feira (19), membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas pediram à Armênia e ao Azerbaijão que respeitem o cessar-fogo mais recente.

"Todo mundo dizia a mesma coisa: a situação é ruim e ambos os lados precisam recuar e atender os chamados do secretário-geral para um cessar-fogo", disse um diplomata à agência de notícias AFP.

No fim de semana, a maioria dos moradores de Stepanakert, a capital da região separatista, deixou a região fugindo dos bombardeios.

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