Ataque a escola nos Camarões deixa 6 crianças mortas e 8 feridas

Agressores abriram fogo indiscriminadamente contra estudantes com idades entre 12 e 14 anos

Kumba (Camarões) | Reuters

Homens armados invadiram uma escola nos Camarões neste sábado (24) e abriram fogo indiscriminadamente, matando ao menos seis crianças e ferindo outras oito em uma região onde atuam insurgentes separatistas, disseram autoridades e pais.

De motocicletas e vestidos de civis, os agressores atacaram a escola por volta do meio-dia na cidade de Kumba, na região sudoeste, segundo relatos.

Sala de aula de escola após ataque por homens armados na cidade de Kumba, em Camarões
Sala de aula de escola após ataque por homens armados na cidade de Kumba, em Camarões - Tamfu Ciduan Ndimbie/My Media Prime TV/Reuters

Algumas crianças ficaram feridas ao saltar de janelas do segundo andar.

Não ficou claro se o ataque está relacionado a um conflito entre o Exército e grupos que buscam formar um estado separatista chamado Ambazonia no oeste, onde a população fala majoritariamente inglês.

O episódio foi mais um de uma série de tragédias na região que, desde 2017, viu centenas de mortes e milhares de desabrigados devido ao conflito, com muitas crianças impossibilitadas de frequentar escolas.

"Eles encontraram as crianças na sala de aula e abriram fogo contra elas", disse o subprefeito da cidade, Ali Anougou, à agência de notícias Reuters.

Isabel Dione correu para a escola para procurar sua filha de 12 anos quando soube do tiroteio. Ela a encontrou no chão de uma sala de aula, com sangue na barriga.

"Ela gritava 'mãe, por favor, me ajude', e eu disse a ela 'só Deus pode salvá-la agora'", disse Dione. A menina foi levada para o hospital, no qual está sendo tratada por um ferimento a bala.

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários disse que oito crianças morreram, algumas por golpes de machete, e que 12 ficaram feridas.

Vídeos que circularam nas redes sociais, filmados por jornalistas locais, mostram adultos correndo da escola com crianças nos braços, cercados por pessoas chorando. Uma foto mostra o interior de uma sala de aula, na qual há uma pilha de sangue seco no chão perto de alguns chinelos espalhados.

O oficial de educação Ahhim Abanaw Obase confirmou que as crianças mortas tinham idades entre 12 e 14 anos. Anougou e outro oficial culparam os separatistas pelo ataque, mas não ofereceram evidências.

Ayuk Tabe, um importante líder separatista, descreveu o ataque como "desumano" em uma publicação em rede social e afirmou que "quem for responsável por essas atrocidades deve ser julgado".

Muitos grupos armados, no entanto, surgiram do grupo separatista desde 2017, e raramente há um único representante que fale por todos. Os secessionistas anglófonos impuseram toques de recolher e fecharam escolas como parte de seu protesto contra o governo de língua francesa do presidente Paul Biya e o que eles consideram ser uma política de marginalização da minoria de língua inglesa.

Grupos de direitos humanos documentaram abusos contra civis de ambos os lados. No ano passado, as autoridades culparam os separatistas pelo sequestro de dezenas de crianças, o que eles negam.

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