Descrição de chapéu China

China está determinada a derrotar invasores, diz Xi Jinping em ameaças veladas aos EUA

Em aniversário da entrada do país asiático na Guerra da Coreia, dirigente diz que resistirá a interferências estrangeiras

Pequim | Reuters

Setenta anos depois da entrada de tropas chinesas na Guerra da Coreia para enfrentar os americanos, o dirigente Xi Jinping fez, nesta sexta-feira (23), um forte discurso nacionalista em que afirmou que a China está "determinada a derrotar invasores".

Segundo Xi, a participação chinesa no conflito que durou de 1950 a 1953 foi uma demonstração do poderio militar da China contra o imperialismo dos EUA e ensinou seu país a "usar uma linguagem que os invasores possam entender —combater guerra com guerra e impedir invasões com força, conquistando paz e respeito por meio da vitória".

"O povo chinês não criará problemas, mas também não temos medo e, independentemente de dificuldades ou desafios que enfrentemos, nossas pernas não tremerão e nossas costas não se dobrarão", disse o líder chinês.

O dirigente chinês, Xi Jinping, durante discurso no Grande Salão do Povo, em Pequim - Ding Lin - 23.out.20/Xinhua

Sem se referir diretamente aos EUA, com quem a China vive, atualmente, uma espécie de Guerra Fria 2.0 em aspectos que vão de disputas econômicas à resposta ao coronavírus, Xi disse que seu país não permitirá que sua soberania, segurança e desenvolvimento sejam minados por interesses estrangeiros.

"Deixe o mundo saber que os chineses agora estão organizados e não serão ameaçados", disse ele no Grande Salão do Povo, parafraseando Mao Zedong, o fundador da República Popular da China.

O líder chinês também repetiu o apelo para acelerar a modernização da defesa e das Forças Armadas do país. "Sem um Exército forte, não pode haver pátria forte", disse.

Apesar de não mencionar explicitamente os conflitos de interesses com os EUA, o discurso de Xi reforça a ameaça de retaliação ao governo americano que, nesta quinta (22), anunciou a aprovação da venda a Taiwan, por US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões), de 135 mísseis de defesa Slam-ER, que têm capacidade de alcançar a parte continental do território chinês.

Washington também decidiu vender à ilha que Pequim considera rebelde lança-foguetes táticos por US$ 436 milhões (R$ 2,4 bilhões) e equipamentos de imagem para reconhecimento aéreo por US$ 367 milhões (R$ 2,05 bilhões), o que eleva o total dos contratos a US$ 1,8 bilhão (R$ 10 bilhões).

"A China dará uma legítima e necessária resposta a depender da evolução da situação", alertou o porta-voz da diplomacia chinesa, Zhao Lijian. O regime chinês, que reivindica Taiwan como parte de seu território, pediu aos EUA que anule a venda "para evitar maiores prejuízos às relações bilaterais, assim como à paz e à estabilidade no Estreito de Taiwan".

Nesta sexta, Xi reiterou a advertência, de forma velada, às forças de independência de Taiwan. "Nunca permitiríamos que ninguém ou qualquer força invadisse e dividisse o território sagrado de nossa pátria."

O mesmo raciocínio pode ser aplicado a Hong Kong. A ex-colônia britânica foi devolvida à China em 1997 sob as regras de um acordo que previa autonomia do território em relação ao regime central de Pequim.

Em junho, porém, uma nova lei de segurança nacional intensificou o debate sobre os reais níveis de democracia e liberdade em Hong Kong. A legislação pune quaisquer atos que a China considere subversão, secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras.

O discurso nacionalista de Xi ocorre a 11 dias das eleições americanas e horas depois de um debate em que os principais candidatos, Donald Trump e Joe Biden, discutiram qual dos dois enfrentaria melhor os desafios decorrentes do enfrentamento à China. Na próxima semana, o Partido Comunista chinês também deve se reunir para traçar diretrizes políticas, econômicas e sociais para os próximos cinco anos.

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