Descrição de chapéu Coronavírus Governo Trump

Dieta desbalanceada e obesidade aumentam risco de Trump frente à Covid-19

Presidente é conhecido pelo consumo de comidas altamente calóricas, com baixo teor nutritivo e muita gordura

São Paulo

Após receber o diagnóstico de coronavírus, nesta sexta (2), o presidente dos EUA, Donald Trump, viu um assunto antigo chamar a atenção outra vez: seus hábitos alimentares e a falta de exercícios.

Ainda que o médico da Casa Branca afirme que a situação do presidente é boa, a saúde do republicano pode ser um fator agravante para o desenvolvimento de um quadro mais severo de Covid-19.

Aos 74 anos, Trump está dentro do chamado grupo de maior risco para a doença devido à idade. Com 1,90 m de altura e 110 kg, seu índice de massa corporal (IMC) é de 30,5, o que o faz ser considerado obeso.

O presidente Donald Trump em frente a mesa com fast food oferecido a atletas de time de futebol americano universitário na Casa Branca
O presidente Donald Trump em frente a mesa com fast food oferecido a atletas de time de futebol americano universitário na Casa Branca - Joshua Roberts - 14.jan.19/Reuters

A falta de prática regular de atividades físicas —ainda que ele seja um ávido jogador de golfe, exercício de intensidade moderada— e a alimentação desbalanceada, com muita comida de alto teor de gordura, açúcar e sódio, e baixa quantidade de nutrientes e fibras, são fatores prejudiciais à saúde.

Diversas vezes o presidente americano foi flagrado comendo fast food e, em suas redes sociais, não esconde a preferência. Em uma postagem no Twitter, durante a campanha de 2016, Trump comia um balde de frango frito da rede Kentucky Fried Chicken (KFC), dentro de seu avião particular.

A foto foi muito comentada principalmente pelo contraste do frango frito —popularmente comido com as mãos— sendo cortado com garfo e faca em um jatinho cujas fivelas dos cintos são folheadas a ouro.

Reportagem do jornal americano New York Times publicada naquele ano descrevia as predileções do presidente à mesa: além de fast food, bifes mais que bem passados, hambúrgueres e bolo de carne, saladas caesar e espaguete, doces See's Candies e Coca-Cola diet. Evita chá, café e bebidas alcoólicas.

O médico Ronny Jackson disse em entrevista há dois anos, também ao New York Times, que Trump tem uma “saúde excelente” e com “altos índices cognitivos, boa condição cardíaca e exames normais, com apenas colesterol elevado, embora tome medicamento para controlar isso”.

Para o profissional, que atuou na Casa Branca até 2018, o ex-chefe precisa apenas cortar as sobremesas. “A parte boa é que podemos recuperar isso facilmente”, disse ele sobre o consumo excessivo de açúcar e o estímulo a práticas esportivas.

Para atingir um IMC abaixo de 25, considerado saudável, Trump precisa perder ao menos 10 kg.

Se o presidente não seguiu as recomendações médicas, o colesterol alto no sangue e o sedentarismo, associado ao consumo excessivo de açúcar e à Covid-19, podem levar à chamada síndrome metabólica.

Um estudo recente avaliou como o sobrepeso e a obesidade são fatores de maior risco para gravidade e morte por coronavírus, independente de sexo, idade e comorbidades.

A inflamação crônica baixa do organismo, condição associada à obesidade, é um dos fatores que explicam o risco elevado para desenvolver quadro grave da doença.

A inflamação é como uma deficiência no sistema imunológico, que pode ser observada na baixa presença de células B, de linfócitos T e de macrófagos, que atuam como defensoras naturais no combate ao vírus.

Esses pacientes também apresentam quantidade elevada de citocinas, que aumentam o processo inflamatório. Assim, o organismo possui menor potencial para combater o coronavírus sozinho.

Não se sabe se Trump tem diabetes, mas o consumo excessivo de açúcar piora essa condição, uma vez que a glicose elevada no sangue afeta os macrófagos —responsáveis pelo ataque às células infectadas. O acúmulo de tecido adiposo pressiona ainda o diafragma, comprometendo o sistema respiratório.

Ricardo Cohen, diretor do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que qualquer paciente com obesidade, independentemente de ter outras doenças associadas, tem risco de maior complicação e de mortalidade por doença infecciosa, seja ela de origem viral, como a Covid-19, seja por outro microorganismo.

“Em pacientes com obesidade, o sistema imunológico tem poucas células 'natural killers' [macrófagos]. Eles acabam sendo uma porta de entrada para patógenos, um meio muito fácil para desenvolver quadro agravado da doença”, explica o médico.

Frente a um diagnóstico de Covid-19, o médico explica que uma recomendação que poderia melhorar a recuperação do presidente e diminuir o quadro inflamatório seria uma dieta hipocalórica, com baixa quantidade de açúcares e baixa em calorias.

“Independentemente da perda de peso, dietas hipocalóricas em pouco tempo melhoram o quadro inflamatório. Então sim, uma recomendação agora seria ele consumir uma dieta baixa em calorias e açúcar e mais equilibrada”, completa Cohen.

A ação do açúcar no sangue é tóxica e atinge principalmente os macrófagos. Com o nível elevado de açúcar no sangue, essas células de defesa apresentam níveis baixos no organismo.

Assim, reverter o consumo de açúcar agora melhoraria a função imunológica e ainda diminuiria a viscosidade do sangue, fator importante para evitar a formação de coágulos, diz o especialista.

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