EUA provocam China outra vez e anunciam venda de US$ 2,4 bi em armamentos a Taiwan

País asiático aprovou sanções contra empresas americanas que negociaram com ilha considerada rebelde

Washington | AFP

O governo dos Estados Unidos voltou a provocar a China ao anunciar, nesta terça-feira (27), a venda de um novo conjunto de armamentos a Taiwan. Desta vez foram cem unidades do sistema de defesa costeira Harpoon, no valor de US$ 2,4 bilhões (R$ 13,57 bilhões).

Na semana passada, Washington já havia anunciado negociação similar, após a aprovação da venda de US$ 1,8 bilhão (R$ 10,18 bilhões) em mísseis à ilha que a China considera rebelde. O pacote incluiu armamentos com potencial para alcançar a parte continental do país asiático.

O movimento levou Pequim a aprovar sanções nesta segunda-feira (26) contra empresas americanas envolvidas em negociações anteriores de venda de armas à ilha.

 Aeronave taiwanesa durante exercício militar em Taichung, em Taiwan
Aeronave taiwanesa durante exercício militar em Taichung, em Taiwan - Ann Wang - 16.jul.20/ Reuters

Nesta terça, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, voltou a declarar que o país é fortemente contrário às negociações e pediu a Washington que cancele a venda para não “prejudicar as relações sino-americanas, assim como a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan”.

"Continuaremos tomando as medidas necessárias para salvaguardar a soberania nacional e os interesses em termos de segurança", destacou o porta-voz.

Segundo o Departamento de Estado americano, a transação visa dificultar uma invasão à ilha. As baterias de defesa podem incluir até 400 mísseis RGM-84L-4, com alcance de 125 km. Os mísseis são fabricados pela divisão de defesa da Boeing e podem ser acoplados a plataformas fixas ou montados em caminhões.

O gabinete da presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, divulgou comunicado em que agradece aos EUA pela venda. Em meio a uma Guerra-Fria 2.0 com a China, em aspectos que vão de disputas econômicas à resposta ao coronavírus, Washington busca contrabalançar a influência chinesa na região Ásia-Pacífico e turbinar uma aliança no Oriente com o chamado grupo Quad —ao lado de Japão, Austrália e Índia.

Mesmo que o atual presidente dos EUA, Donald Trump, perca as eleições em novembro, a expectativa é a de que o democrata Joe Biden mantenha uma política dura com Pequim.

Desde agosto, os EUA enviaram duas altas autoridades para Taiwan, fazendo com que os chineses fizessem demonstrações de força a Taipé, com aviões e navios em atitudes de confronto no estreito.

Na sexta (23), o líder da China, Xi Jinping, fez ameaças veladas ao governo americano em um forte discurso nacionalista em evento para celebrar o aniversário da entrada do país na Guerra da Coreia.

Xi disse que a China não permitirá que sua soberania, segurança e desenvolvimento sejam minados por interesses estrangeiros e reafirmou o apelo para acelerar a modernização das Forças Armadas do país. "Sem um Exército forte, não pode haver pátria forte", disse.

Pequim defende a absorção de Taiwan pacificamente, mas treina para fazê-lo à força com frequência. A ilha sediou o governo derrotado pelos comunistas em 1949.

O truque de sobrevivência de Taipé é duplo. Primeiro, busca armar-se até os dentes para, no mínimo, vender caro uma invasão. Segundo, conta com o apoio norte-americano em caso de ataque, embora a maioria dos analistas militares considere a hipótese remota na prática.

Ele está implícito no Ato de Relações com Taiwan, de 1979. Ele foi um instrumento do governo de Jimmy Carter que buscou aplacar a reação negativa no Congresso ao estabelecimento de relações diplomáticas com a China.​ Negociado desde o início daquela década, o reconhecimento da China comunista implicou jogar Taiwan num limbo diplomático. Assim, os EUA admitiram implicitamente a política de Pequim de considerar tudo uma só nação, mas também forneceram proteção militar e armamentos à ilha.

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