Governo das Filipinas convoca embaixadora no Brasil após denúncia de agressão

Marichu Mauro foi filmada dando tapas e puxões de orelha em funcionária da residência oficial

Brasília

O governo das Filipinas determinou o retorno ao país da sua embaixadora no Brasil, Marichu Mauro, após a veiculação de imagens em que ela aparece agredindo uma funcionária doméstica na residência oficial da missão diplomática em Brasília.

Em um comunicado, o Departamento de Relações Exteriores filipino informou que uma "investigação rigorosa sobre o caso" será conduzida e que a trabalhadora vítima das agressões —que também é filipina—​ retornou ao país na última quarta-feira (21). "O departamento está em contato com ela para garantir seu bem-estar e cooperação nas investigações", diz a nota.

A embaixadora das Filipinas, Marichu Mauro, agride empregada doméstica dentro da residência diplomática, em Brasília - TV Globo/Reprodução

As cenas das agressões foram divulgadas no programa Fantástico, da TV Globo. A emissora teve acesso a imagens do circuito interno de segurança da residência oficial da embaixada em Brasília, em que foram registradas agressões de Marichu contra a funcionária doméstica em diversas ocasiões.

Nos diferentes registros, a embaixadora desfere tapas e puxões de orelha e chega a atingi-la com um guarda-chuva. O caso, segundo a TV Globo, é alvo de uma investigação do MPT (Ministério Público do Trabalho), mas a embaixadora possui imunidade diplomática.

Marichu iniciou o trabalho no Brasil em abril de 2018, quando apresentou suas cartas credenciais ao então presidente Michel Temer. Além do Brasil, ela é responsável por representar os interesses de seu país na Colômbia, na Guiana, no Suriname e na Venezuela.

Antes de servir em Brasília, Marichu foi cônsul-geral das Filipinas em Milão (Itália). Ela também esteve por seis anos em Bruxelas, onde trabalhou na representação de seu país junto à Bélgica e à União Europeia. No início de sua carreira, ocupou postos no Bahrein e em Israel.​

No final da tarde desta segunda, o Itamaraty divulgou nota em que diz ter sido informado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros das Filipinas de que, "à luz da gravidade da denúncia", Marichu foi convocada de volta a Manila.

"O Itamaraty não havia ainda sido notificado pelo Ministério Público do Trabalho sobre a queixa levada àquele órgão contra a embaixadora das Filipinas e, em coordenação com as demais autoridades brasileiras competentes, prestará todo o apoio ao andamento da investigação, em conformidade com a Convenção de Viena", destacou a chancelaria brasileira.

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