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Governo Trump quer exigir dados biométricos antes de solicitação de visto

Medida faz parte do esforço do republicano para cumprir promessa de restringir imigração

Michelle Hackman
Washington | The Wall Street Journal

A Casa Branca elabora um plano para criar um novo banco de dados biométricos no qual os candidatos a imigrantes ou meros visitantes precisariam se registrar antes de pedir vistos de entrada nos EUA, segundo minutas analisadas pelo Wall Street Journal e duas autoridades do governo envolvidas nas discussões.

Com a mudança, os solicitantes de visto teriam de enviar impressões digitais e possivelmente outras informações biométricas para serem incluídas num novo banco de dados antes que possam fazer os pedidos online.

Área de check-in do aeroporto internacional de Los Angeles, na Califórnia; pandemia do novo coronavírus reduziu drasticamente o número de passageiros
Saguão do aeroporto internacional de Los Angeles, na Califórnia; pandemia do novo coronavírus reduziu drasticamente o número de passageiros - Michael Loccisano - 22.out.20/Getty Images/AFP

Hoje, os solicitantes comparecem a um consulado americano no exterior apenas depois de enviar um pedido de entrevista —é nessa visita que a coleta biométrica é feita. O plano foi tema de discussão há vários meses no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Em 14 de outubro, as autoridades instruíram o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) a iniciar a compra de máquinas de datiloscopia para enviar aos consulados no exterior, segundo um ofício visto pelo Wall Street Journal.

Os consulados já têm máquinas que usam para tirar impressões digitais, mas as usadas pelo DHS obtêm impressões mais detalhadas.

O DHS e o Conselho de Segurança Nacional não responderam a perguntas enviadas pela reportagem.

Autoridades afirmaram internamente que colher informação biométrica mais cedo no processo permitirá que o governo tenha mais tempo para pesquisar o histórico dos solicitantes —medida que contribui para a promessa da campanha de 2016 do presidente Trump de fiscalizar mais os visitantes estrangeiros.

O republicano havia prometido adotar políticas de "checagem radical" para refugiados, imigrantes e outros turistas para evitar a entrada de potenciais terroristas no país. Seu governo tomou diversas medidas nesse sentido, implementando procedimentos de "verificação reforçada" para refugiados de certos países e exigindo que os solicitantes de vistos apresentem senhas de rede social com seus pedidos.

Mas algumas autoridades que trabalham nessa política questionaram se o governo teria outro uso em mente para a coleta antecipada dos dados biométricos. Michele Thoren Bond, que chefiou a seção de assuntos consulares do Departamento de Estado sob o governo Obama, disse que não sabia do plano, mas que se for implementado poderá ser contraproducente.

"Suponha que você tenha um suspeito. Você tem as impressões digitais em seu sistema de alguém que é um criminoso ou terrorista", disse ela. "Na verdade você quer que ele faça a solicitação, assim conseguirá mais informação sobre ele."

A maioria dos solicitantes de vistos teria de ingressar no banco de dados biométrico. Cidadãos do Canadá e dos 39 países que atualmente participam do programa de isenção de vistos também poderiam ter de submeter sua informação biométrica em um consulado, afirma o documento.

Essa ampliação da coleta de dados provocou preocupações entre autoridades da Segurança Interna de que países no programa de isenção de vistos, que também devem aceitar que cidadãos americanos entrem sem visto, poderiam retaliar impondo exigências, segundo pessoas a par do assunto.

Não está claro com que rapidez o plano poderia se concretizar. Duas pessoas envolvidas no planejamento disseram que é improvável que o sistema seja implementado antes do fim do mandato de Trump.

A ideia de uma camada adicional de coleta de biometria foi mencionada pela primeira vez em um pronunciamento presidencial em junho que ganhou manchetes por proibir temporariamente diversas categorias de vistos relacionados a trabalho, incluindo o H-1B para profissionais estrangeiros, até o final de 2020.

Na ocasião, foi anunciada uma lista de novas políticas a ser implementada pelo DHS.

O primeiro item instruía o órgão a tornar os solicitantes de vistos inelegíveis para "solicitar um visto para admissão ou entrada nos EUA ou outro benefício até que esse estrangeiro tenha sido registrado com informação biográfica e biométrica, incluindo mas não limitando-se a fotografias, assinaturas e impressões digitais".

No mês passado, o DHS propôs outra nova política que exigiria que os imigrantes nos EUA que pedem "green card", cidadania ou visto apresentassem um amplo leque de informações biométricas, incluindo amostras de DNA, escaneamento da íris e gravações de voz.

Os cidadãos americanos que patrocinam a imigração de um parente para os EUA também poderiam ter de apresentar amostras biométricas.

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