Oposição na Belarus ganha prêmio de direitos humanos do Parlamento Europeu

Honraria reconhece movimento pró-democracia contra ditadura de Lukachenko

Bruxelas | Reuters e AFP

O Parlamento Europeu anunciou nesta quinta-feira (22) a frente de oposição bielorussa como vencedora da edição deste ano do Prêmio Sakharov de direitos humanos, em reconhecimento aos esforços empenhados pelo grupo na luta por democracia contra o regime do ditador Aleksandr Lukachenko.

A frente é representada pelo Conselho de Coordenação, formado no fim de agosto com o intuito de viabilizar a transferência de poder na Belarus. Desde o pleito de 9 de agosto, considerado fraudado, uma onda de protestos tem tomado o país com o objetivo de tirar Lukachenko do poder.

Ao conceder o prêmio, o Parlamento citou nominalmente dez ativistas que integram a organização, entre eles a principal candidata da oposição, Svetlana Tikhanovskaia, atualmente exilada na Lituânia, e a escritora ganhadora do Nobel de Literatura Svetlana Aleksiévich, que deixou o país no fim de setembro.

A principal candidata da frente de oposição na Belarus, Svetlana Tikhanovskaia, durante entrevista coletiva em Copenhagen, na Dinamarca
A principal candidata da frente de oposição na Belarus, Svetlana Tikhanovskaia, durante entrevista coletiva em Copenhagen, na Dinamarca - Liselotte Sabroe/Ritzau Scanpix/Reuters

"Deixe-me felicitar os representantes da oposição bielorussa pela sua coragem, resiliência e determinação. Eles permaneceram e continuam fortes face a um adversário muito mais forte", disse o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, depois de anunciar o prêmio.

"Mas eles têm do seu lado algo que a força bruta nunca pode derrotar —e esta é a verdade. Portanto, a minha mensagem para os senhores, queridos laureados, é que permaneçam fortes e que não desistam da sua luta. Saibam que estamos ao seu lado."

A premiação desta quinta ocorre a três dias de um ultimato lançado nas redes sociais por Tikhanovskaia em que ela promete uma greve geral no país caso o ditador não renuncie, não cesse a violência contra manifestantes e não liberte todos os presos políticos.

Ela afirma que, caso as reivindicações não sejam cumpridas, “todas as estradas serão bloqueadas, e as vendas nas lojas do Estado entrarão em colapso”.

O texto se dirige também às forças de segurança e aos que defendem o ditador: “Declare publicamente que não apoia mais o regime. Contacte-nos por meio de fundos, cartas ou conhecidos. Se não fizer isso, significa que nossos avós apanham com suas mãos.”

Analistas são céticos, porém, de que o ultimato tenha algum efeito.

Os protestos na Belarus têm sido reprimidos violentamente pelo regime do líder autocrata. Mais de 12 mil detenções já foram feitas e ao menos 413 jornalistas foram detidos, segundo a associação da categoria no país.

A União Europeia não reconhece o pleito de 9 de outubro e anunciou sanções contra 40 autoridades bielorussas apontadas como responsáveis por fraude eleitoral. O Reino Unido e o Canadá também impuseram punições à Belarus, incluindo na lista o nome do ditador. Apesar das pressões, Lukachenko afirmou em pronunciamentos que não reconhece os opositores e que não deixará o cargo.

O Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento é oferecido pelo Parlamento Europeu desde 1988 a indivíduos ou organizações defensoras de direitos humanos e de liberdades fundamentais.

É considerado a maior honraria da União Europeia sobre os temas. Em 2019, homenageou IIham Tohti, economista de origem uigur, pela defesa dos direitos da minoria muçulmana na China.

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