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Uma em cada vinte estudantes universitárias na França já foi vítima de estupro, diz pesquisa

Estudo também indica que uma em cada dez jovens foi vítima de agressão sexual ou de atos violento

RFI

Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (12) afirma que uma em cada 20 estudantes universitárias na França já foi estuprada. O mesmo estudo indica que uma em cada dez jovens foi vítima de agressão sexual ou de atos violentos.

A constatação é fruto de uma pesquisa realizada pelo Observatório Estudantil de Violências Sexuais e Sexistas no Ensino Superior, órgão criado em maio de 2019 com o objetivo de analisar esses fenômenos na população universitária.

Entre abril e dezembro de 2019, um questionário online foi distribuído entre alunos de cerca de 50 universidades, faculdades e cursinhos preparatórios na França. Das mais de 10 mil respostas recebidas, a maioria (76%) vem de mulheres.

Com vendas, mulheres protestam contra feminicídio e violência sexual em Paris
Com vendas, mulheres protestam contra feminicídio e violência sexual em Paris - Geoffroy Van der Hasselt - 29.nov.19/AFP

O dado mais impressionante do estudo, intitulado “Palavras de estudantes sobre as violências sexuais e sexistas”, foi o fato de 5% das alunas que responderam à pesquisa afirmarem já terem sido vítimas de estupro. Além disso, 11% das jovens dizem ter sofrido algum tipo de agressão sexual.

No caso dos homens, 5% afirmam já terem sido alvo de agressão sexual.

Consumo de bebidas alcoólicas

Segundo as respostas, o consumo excessivo de álcool (18%), a falta de educação dos estudantes (18%) e a impunidade (18%) seriam algumas das causas desses delitos.

O chamado “efeito de grupo”, com agressões durante festas, por exemplo, estaria na origem de 20% dos ataques. Entre os entrevistados, 34% declaram terem sido alvo ou testemunha de violência sexual, e 24% das vítimas foram agredidas quando estavam alcoolizadas.

De acordo com o relatório redigido após o estudo, os agressores, na maioria das vezes, também são estudantes universitários. “Na maior parte dos casos, trata-se de um amigo ou pessoa próxima da vítima.”

As agressões sexuais mais frequentes, segundo os entrevistados, são violência verbal (58%), contato físico não desejado (48%) e insultos de cunho homofóbico (40%).

Sexismo

A pesquisa também se interessou pela questão do sexismo nas universidades. Para 35% dos homens ouvidos, as instituições de ensino superior respeitam a igualdade. Mas entre as mulheres essa porcentagem cai para 27%.

No entanto, o estudo aponta que, quanto mais avançados estão os entrevistados no percurso escolar, mais essa porcentagem aumenta.

“Nós partimos da hipótese de que os estudantes e as estudantes tomam consciência da realidade das violências sexistas conforme eles avançam na vida estudantil”, avalia o observatório.

Descrença nas instituições

O relatório aponta ainda que os dispositivos existentes dentro das instituições para combater esse tipo de situação nem sempre são conhecidos pelos alunos.

Mais de um quarto das pessoas ouvidas não tinha informações sobre possíveis estruturas de apoio, e 18% afirmaram que esses dispositivos simplesmente não existiam.

Talvez por essa razão, apenas 11% dos entrevistados afirmam ter avisado as universidades após terem sido vítimas ou testemunhas de agressões.

Pelo menos 22% das pessoas consultadas consideram que denunciar a agressão junto às instituições “não adianta nada”, enquanto 9% alegam que as denúncias não serão levadas a sério.

Os autores do estudo lembram que a pesquisa é uma iniciativa lançada pelos próprios estudantes. No entanto, eles ressaltam que os métodos escolhidos e aplicados no estudo foram validados por um grupo de trabalho formado por profissionais qualificados.

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