Biden já faz planos para transição e começa a definir montagem da equipe

Assessores analisam nomes para gabinete e primeiras indicações podem ser feitas na próxima semana

Shane Goldmacher Glenn Thrush Michael D. Shear
The New York Times

Os assessores de Joe Biden aceleraram o planejamento da transição de governo nesta sexta-feira (6), quando os resultados mostravam sua vantagem nos estados-chave, e as primeiras nomeações devem ser feitas já início da próxima semana —sua vitória foi confirmada neste sábado (7).

Joe Biden planeja formar o gabinete mais diversificado da história americana
Joe Biden planeja formar o gabinete mais diversificado da história americana - Angela Weiss/AFP

Na cidade de Wilmington, em Delaware, e em Washington, assessores e aliados de Biden intensificam o debate sobre quem poderá ocupar cargos importantes tanto na Casa Branca quanto nos outros órgãos federais. As conversas são guiadas principalmente pelo plano de Biden de formar o gabinete mais diversificado da história dos Estados Unidos.

A atividade nos bastidores salientava que apesar de publicamente Biden transmitir uma mensagem cautelosa sobre contar todos os votos e se abster de reivindicar a vitória, ele já estava mapeando um início rápido no cargo, pois o país enfrenta o agravamento da pandemia e uma economia abalada.

Biden, que desde o primeiro dia de sua candidatura passou a mensagem de unir novamente o país, estaria disposto a fazer um gesto bipartidário enquanto planeja um futuro governo, depois de uma eleição divisória cujos resultados o presidente Donald Trump tenta solapar.

Ele pretende preencher seu possível time na Casa Branca primeiro, com os cargos do gabinete sendo anunciados até o feriado do Dia de Ação de Graças (26 de novembro), segundo mais de uma dúzia de pessoas inteiradas do processo de planejamento que falaram sob a condição do anonimato.

A equipe de Biden começou discretamente a angariar dinheiro para sua operação de transição em maio e preparou diversos roteiroscaso Trump se recusasse a admitir derrota e seu governo não participasse da transição.

Até agora, autoridades do governo Trump trabalharam de boa fé, segundo assessores de Biden, que disseram esperar que a cooperação continue.

Enquanto as infecções pelo Covid-19 atingem novos picos, assessores de Biden preparam as primeiras decisões críticas sobre saúde pública e a pandemia, o tema central de sua campanha nos últimos meses. Eles reuniram um grupo interno de aproximadamente 25 especialistas em políticas de saúde e tecnologia para cuidar do desenvolvimento e da aplicação de uma vacina, melhorar os dados do setor e garantir as cadeias de suprimentos, entre outras questões.

"Não vamos esperar para fazer o trabalho", disse Biden em um discurso na sexta à noite.

Entre os que deverão desempenhar um papel chave na área está Vivek Murthy, ex-secretária da Saúde sob Barack Obama, que assessora o candidato há meses sobre a pandemia e deverá ser a face pública da reação ao coronavírus.

Autoridades da transição também estão examinando que tipos de medidas econômicas poderão ser tomadas quase imediatamente, incluindo o cancelamento de alguns decretos de Trump. Isso faz parte de uma tradição em que os novos presidentes agem rapidamente para reverter regulamentações em todos os órgãos federais.

Biden, 77, disse a aliados que considera seus dois mandatos como vice-presidente e seu conhecimento do funcionamento interno da Casa Branca vantagens cruciais para a formação de um novo governo. E ele deixou claro, em público e em privado, que uma equipe diversificada é central para sua missão.

"Homens, mulheres, gays, héteros, de centro, de todos os quadrantes, negros, brancos, asiáticos", disse Biden nesta primavera quando falava sobre seu gabinete prospectivo. "Realmente é importante que seja parecido com o país, porque cada um traz uma perspectiva ligeiramente diferente."

Embora Biden e os democratas tenham pressionado agressivamente para assumir o controle do Senado, o partido não conseguiu vencer disputas acirradas nesta semana. Agora os senadores republicanos deverão exercer o poder de veto sobre suas nomeações mais importantes, uma realidade que domina as conversas, mesmo que os democratas ainda possam controlar o Senado se vencerem duas eleições de desempate na Geórgia em janeiro.

Mesmo antes de estar claro que os democratas não teriam a maioria clara no Senado, assessores de Biden começaram a se preparar para duras batalhas de confirmação do gabinete, convocando assessores de Obama para conduzir o que está sendo chamado de sala de guerra da transição.

Se Biden vencer, deverá inicialmente se concentrar em preencher os altos cargos na Casa Branca, como o de chefe de gabinete. Ron Klain, seu ex-chefe de gabinete na Vice-Presidência, é considerado o mais apto para o cargo, embora outros nomes ainda estejam sendo considerados.

No centro do planejamento de transição de Biden está Ted Kaufman, seu ex-chefe de gabinete no Senado e que foi indicado para substituí-lo como senador depois que ele se tornou vice-presidente, além de Jeff Zients, ex-membro do governo de Barack Obama.

Yohannes Abraham, que trabalhou na Casa Branca de Obama como assessor do Conselho Econômico Nacional, está supervisionando a operação no dia a dia.

Dada sua carreira em Washington, Biden tem numerosos relacionamentos em diversas áreas. Esse histórico também significa que sua equipe de transição enfrenta a pressão de assessores externos e ex-aliados disputando cargos e influência.

Partes do elenco que teve acesso a Biden durante a campanha presidencial —Anita Dunn, uma assessora sênior; Steve Ricchetti, outro ex-chefe de gabinete da Vice-Presidência; e Klain— estão entre os que conduzem a formação do possível futuro governo.

A senadora Kamala Harris, da Califórnia, sua companheira de chapa, está levantando nomes e fala regularmente com Biden. Na órbita de políticas de Biden sobre a campanha, Jake Sullivan e Antony Blinken deverão ocupar cargos importantes em uma potencial administração.

Estas são consideradas as primeiras decisões que ajudarão a determinar outras nomeações. Sullivan, um ex-assessor de Hillary Clinton, está na lista para diversos cargos, enquanto Blinken é o principal candidato para assessor de Segurança Nacional.

O principal candidato a liderar o Departamento de Defesa é Michèle Flournoy, ex-subsecretária de defesa para políticas. Ela seria a primeira mulher nomeada para o cargo.

Lael Brainard, que está no conselho de governadores do Federal Reserve e serviu no Departamento do Tesouro sob Obama, é o candidato mais citado para chefiar o departamento, especialmente se o Senado for controlado pelos republicanos, o que dificultaria confirmar uma opção mais progressista, como a senadora Elizabeth Warren.

Susan Rice, ex-assessora de segurança nacional durante o governo Obama que Biden cogitou para vice-presidente, foi considerada uma opção forte para secretária de Estado, mas sua nomeação certamente provocaria uma briga com os republicanos. Blinken, que foi vice-secretário de Estado, foi discutido entre os aliados de Biden como possível opção, juntamente com o senador Chris Coon, de Delaware.

Líderes da transição de Biden estão cientes de que muitos funcionários de toda a burocracia federal se tornaram desmoralizados e se sentiram marginalizados durante o governo Trump. Em um pequeno gesto, eles estão chamando seus potenciais novos chefes de agências de "equipes de revisão", em oposição ao que a operação de Trump chamou de "equipes de pouso" em 2016.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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