Descrição de chapéu Eleições EUA 2020

'Desta casa para a Casa Branca', escreve Biden ao visitar cidade natal

Democrata dividiu dia da eleição entre Scranton, Filadélfia e Wilmington, em Delaware, onde reside

Natasha Madov Marina Dias
Filadélfia e Wilmington (Delaware)

“Desta casa para a Casa Branca, com a graça de Deus”, escreveu Joe Biden em uma das paredes da residência onde nasceu e passou parte da sua infância, em Scranton, no estado da Pensilvânia, na manhã desta terça-feira (3), no último giro de sua campanha para presidente dos Estados Unidos.

Mais cedo, ele foi à igreja em Wilmington, ainda antes das 7h, e visitou os túmulos de sua primeira esposa e de seus filhos Beau e Naomi. Depois, partiu para a Pensilvânia, o estado de tradição industrial que votou duas vezes em Barack Obama, mas, em 2016, escolheu Donald Trump por uma margem de menos de 1%.

Biden aparecia à frente nas pesquisas de intenção de voto e liderava na região com mais pouco mais de cinco pontos percentuais na média das sondagens, segundo o site especializado FiveThirtyEight.

Em Scranton, o ex-vice-presidente durante os dois mandatos de Obama posou para fotos ao lado de Anne Kearns, que hoje mora na casa que foi da família Biden. Sempre que vai à cidade, costuma visitá-la. Em 2008, quando concorria a vice, Biden já havia assinado a parede de um dos quartos. “Estou em casa.”

O democrata ainda fez um rápido comício na cidade, no qual aproveitou para ressaltar o alto desemprego no país, um tema importante para a região, de forte vocação industrial. Lá, também sublinhou as três razões pelas quais diz concorrer à Presidência: "devolver a básica decência e honra à Casa Branca", porque a classe média está falida enquanto Wall Street prospera e, por fim, para unir o país.

De Scranton, o candidato seguiu à Filadélfia, a maior cidade do estado. Fez um evento fechado no National Constitution Center e se encontrou com eleitores e voluntários de campanha no bairro de West Oak Lane, no norte da cidade. Mais diversa e progressista, a Filadélfia é a aposta do Partido Democrata para conseguir um bom número de votos na Pensilvânia, o estado mais crucial da disputa deste ano.

Eleitores negros, em grande número na Filadélfia, votaram em número recorde em Obama, mas não se animaram com Hillary Clinton em 2016 —o voto não é obrigatório nos EUA. A queda no comparecimento da minoria foi um dos motivos que levou a democrata a uma amarga derrota há quatro anos.

Biden não quer repetir o desempenho da colega de partido e sabe que, para vencer, precisa levar um número recorde de eleitores às urnas. Na passagem pela Filadélfia, afirmou que a "participação tem sido incrível" e que a expectativa é de os EUA registrarem 150 milhões de votos em 2020. “O país está pronto. Teremos mais pessoas votando neste ano do que em qualquer outro momento da história americana.”

O candidato à presidência dos Estados Unidos Joe Biden fala com eleitores na Filadélfia - Kevin Lamarque/Reuters

A chefe de campanha Jennifer O’Malley Dillon disse ao New York Times que está otimista quanto aos diferentes caminhos possíveis para o candidato chegar aos 270 votos necessários no Colégio Eleitoral para conquistar a Presidência americana.

Dillon afirmou que Biden poderia ganhar a eleição mesmo perdendo a Pensilvânia e a Flórida, outro estado em que o candidato gastou muito tempo em busca de apoio. Ela admitiu, no entanto, que perder na região em que o democrata nasceu seria um grande risco e uma decepção para a campanha.

Biden, por sua vez, mostrou-se confiante nas vitórias nos dois estados. “Se eu vencer na Flórida, acabou. Já era. Se a Flórida não vier, mas na apuração inicial alguns estados mostrarem bons resultados, e nós estabelecermos aquele ‘muro azul’”, disse o democrata ao grupo de jornalistas que o acompanha na parada final do dia, em Delaware, “eu me sinto bem quanto a esse resultado”.


A expectativa era a de que Biden ficasse em sua casa em Wilmington para acompanhar a apuração. O democrata planejou um pronunciamento à nação no fim da noite, mas ainda não era certo se haveria ou não um resultado definido para que ele comentasse.

Auxiliares o aconselharam a fazer um discurso presidencial, caso as projeções mostrem que ele é o vencedor, numa tentativa de vacinar qualquer manobra de Trump, que já ameaçou contestar os resultados.

Mesmo sem números conclusivos, Biden manteve o plano de falar aos americanos. Às 18h, no horário local (20h em Brasília), o palco em Wilmington já estava quase pronto para que o democrata e sua vice, a senadora Kamala Harris, discursassem, seja para celebrar uma vitória ou reconhecer uma derrota.

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