Descrição de chapéu Coronavírus

Macron reabre lojas e diz que franceses poderão viajar nas festas do fim do ano

Presidente afirma que imunização não será obrigatória no país

Paris | Reuters

O presidente da França, Emmanuel Macron, fez um pronunciamento à nação nesta terça (24) para dizer que o país vai sair da segunda quarentena imposta nacionalmente para combater a disseminação do coronavírus e que os franceses poderão passar as festas de fim de ano com as famílias.

As medidas começam a ser flexbilizadas no próximo fim de semana para que, até o Natal, lojas, teatros e cinemas estejam reabertos e que as viagens estejam novamente autorizadas.

Francês assiste ao pronunciamento de Emmanuel Macron na TV - Pascal Pochard-Casabianca/AFP

Em uma fala transmitida pela TV, Macron afirmou que o pior da nova alta da Covid já passou na França, mas que restaurantes, cafés e bares devem continuar fechados até 20 de janeiro numa tentativa de evitar um terceiro rebote da crise sanitária. "Devemos fazer de tudo para evitar uma terceira onda, fazer de tudo para evitar um terceiro 'lockdown'", disse.

Diante dos poucos resultados do toque de recolher aplicado em outubro nas maiores cidades do país, o governo francês impôs um fechamento nacional de um mês a partir de 30 de outubro —menos rígido, no entanto, do que o 'lockdown' que vigorou entre março e maio.

O relaxamento das medidas foi possível graças ao declínio nas taxas de hospitalização por Covid-19, combinado à pressão dos lojistas que reclamam da ruína financeira. De toda forma, o governo insistiu que a reabertura da economia terá que ser gradual.

No sábado, as lojas reabrem e os exercícios físicos passam a ser liberados durante três horas (e não mais uma) num raio maior, de 20 km das residências. Segundo Macron, as restrições serão suspensas no meio de dezembro caso o número de novos casos diários caia para perto de 5.000 —na terça, a cifra foi de 9.155.

Mas as reuniões públicas não serão autorizadas nas noites de Natal e de Ano Novo, e as pistas de esqui também não serão reabertas pelo menos até janeiro. "As festas de Natal não serão como antigamente, isso é certo", disse o presidente.

Autoridades francesas dizem que as pessoas começaram a desrespeitar as regras de distanciamento social muito rapidamente depois do primeiro "lockdown" e que por isso o país enfrentou um dos rebotes mais fortes da Europa. Críticos do governo dizem que faltou implantar um sistema eficiente de testagem e rastreamento dos casos.

Em resposta, Macron disse que estava reorganizando o sistema de forma que os resultados saiam em menos de 24 horas e que o governo e o Parlamento vão discutir maneiras de tornar o isolamento dos infectados obrigatório.

Ainda segundo o presidente, a França estará pronta para começar uma campanha de vacinação entre o fim de dezembro e o começo de janeiro. Idosos e outros grupos de maior risco à doença terão prioridade, e a imunização, que ele chamou de "vislumbre de esperaça", não será obrigatória.

Na esteira de uma série de escândalos de saúde pública nas últimas décadas, a França tem um dos menores índices de confiança em vacinas no mundo. Uma pesquisa da Ipsos apontou que apenas 59% dos franceses que responderam às perguntas disseram que tomariam uma vacina contra a Covid-19 quando ela estivesse disponível —contra 67% dos americanos, por exemplo, ou 86% dos britânicos.

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