Manifestantes pedem renúncia do presidente da Guatemala e incendeiam Congresso

Não havia parlamentares na sede do Legislativo no momento da ação, que não deixou feridos

Buenos Aires

Manifestações em várias cidades da Guatemala, neste sábado (21), elevaram a recente tensão política no país. Os protestos começaram após o Congresso aprovar, na madrugada de quarta-feira (18), um impopular orçamento para 2021, que reduz fundos para saúde e educação.

A população pede a renúncia do presidente Alejandro Giammattei, e a crise gerou um racha na cúpula do governo. O vice-presidente, Guillermo Castillo, pediu ao mandatário que ambos "renunciem juntos pelo bem do país" para conter as manifestações.

Os protestos lançam também ataques à Corte Suprema de Justiça, que engavetou processos de corrupção contra membros da alta cúpula do governo.

Manifestantes ateiam fogo em sala do Congresso em Guatemala, capital do país
Manifestantes ateiam fogo em sala do Congresso em Guatemala, capital do país - Luis Echeverria/Reuters

Alguns manifestantes conseguiram furar o esquema de proteção da sede do Legislativo, na capital, e jogaram tochas de fogo dentro do prédio, incendiando algumas salas. As labaredas saíam pelas janelas enquanto as forças de segurança tentavam afastar os manifestantes. Não havia parlamentares no local e não houve feridos.

As imagens lembram um grande levante popular no país, em 2015, quando manifestantes, principalmente jovens, foram às ruas durante várias semanas contra o então presidente e general Otto Pérez Molina.

Alvo de denúncias de desvio de dinheiro, o mandatário acabou renunciando quando o Congresso, sob pressão popular, retirou sua imunidade para votar seu impeachment. Desde então, Pérez Molina está preso, à espera de julgamento.

Embora seja um dos maiores orçamentos da história do país, o plano de quase US$ 13 bilhões (R$ 70 bilhões) aprovado para 2021 reduz os gastos com saúde e educação para aumentar os de construção e estímulos a empresas.

Os manifestantes alegam que a proposta favorece empresários que apoiam o governo. Além disso, o orçamento aprovado prevê que um terço deste valor seria financiado a partir de dívidas que o país teria de fazer, comprometendo sua situação macroeconômica.

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