Descrição de chapéu Eleições EUA 2020

Na reta final, Biden e Trump fazem maratona de comícios em estados decisivos

Pesquisa mostra democrata à frente em quatro estados que poderão definir vencedor

São Paulo

O republicano Donald Trump e seu rival, o democrata Joe Biden, usaram o último fim de semana de campanha para fazer eventos em estados que podem decidir a corrida à Casa Branca, na terça (3).

Os dois visitaram Michigan e Pensilvânia, em dias alternados. Ambos são estados do chamado Cinturão da Ferrugem, que sofrem com a desindustrialização, onde nenhum partido tem favoritismo claro e a disputa é considerada em aberto. Assim, vencer ali aumenta muito a chance de conquistar a Presidência.

Donald Trump em meio a apoiadores em Dubuque, Iowa - Mario Tama/AFP

O democrata tem atualmente 52% das intenções de voto em nível nacional, contra 43,4% de Trump, segundo dados compilados pelo site especializado FiveThirtyEight.

Uma pesquisa divulgada no domingo (1º) pelo jornal The New York Times e pelo Siena College indica a liderança de Biden em quatro estados decisivos para o pleito: Arizona, Flórida, Pensilvânia e Wisconsin.

Projeções apontam que, se a liderança de Biden se concretizar em 3 desses 4 estados, o democrata quase certamente terá votos suficientes para conquistar a eleição. Se ganhar na Flórida, provavelmente precisará de apenas mais um grande estado que votou em Trump em 2016 para selar a conquista.

Apesar do favoritismo de Biden, uma nova pesquisa em Iowa deu esperanças aos republicanos. O levantamento, do Des Moines Register/Selzer and Co, divulgado no domingo, mostrou Trump com 48% de intenções de voto, contra 41% do democrata.

Em 2016, outro estudo similar desse instituto mostrou Trump sete pontos à frente em Iowa pouco antes do pleito, enquanto quase todas as pesquisas nacionais mostravam que ele perderia a eleição.

Nos comícios deste fim de semana, os dois candidatos prometeram gerar empregos, pediram que os eleitores votem —o voto não é obrigatório nos Estados Unidos— e trocaram ataques duros.

Biden criticou mais uma vez o republicano pela má gestão na pandemia e por privilegiar bilionários. Sem provas, Trump chamou o democrata de corrupto e repetiu que as propostas do ex-vice para favorecer o uso de energias limpas destruirão empregos.

O presidente teve uma agenda lotada no domingo, com viagens a cinco estados: Michigan, Iowa, Carolina do Norte, Geórgia e Flórida. No sábado (31), esteve em quatro cidades diferentes da Pensilvânia.

Trump falou para plateias aglomeradas, com muitas pessoas sem máscara. Na Pensilvânia, defendeu a extração do gás de xisto. Embora poluente, esse tipo de indústria gera muitos empregos ali.

“O plano de Biden para abolir a energia americana é uma sentença de morte para a Pensilvânia. O preço do gás vai explodir, e a renda das famílias, desabar”, disse o presidente.

Biden tem propostas para reduzir o uso de combustíveis fósseis, mas diz que isso não será feito de modo radical. Trump também afirmou que o resultado das eleições poderá demorar semanas e que “coisas muito ruins” poderiam acontecer enquanto o país espera o resultado.

Na sexta (30), a Suprema Corte determinou que a Pensilvânia poderá aceitar a chegada de cédulas eleitorais recebidas pelo correio até três dias depois da data da eleição. Outros estados receberam
autorizações similares.

Já Biden fez uma agenda com menos destinos: sábado em Michigan, onde esteve ao lado do ex-presidente Barack Obama, e domingo na Pensilvânia.

No sábado, em Flint, ambos fizeram ataques a Trump. O ex-presidente criticou os números da crise sanitária. “Publicar posts no Twitter não resolve as coisas. É preciso de um plano. Joe não vai chamar os cientistas de idiotas”, afirmou Obama a uma plateia que assistia ao discurso de dentro de carros.

“Esse presidente sabia em janeiro que o vírus era mortal, [sabia] como essa pandemia era perigosa. E mentiu”, disse Biden em seguida. Obama afirmou ainda que Biden levará empregos ao estado, ao estimular a produção de veículos elétricos.

No domingo, o candidato democrata se encontrou com religiosos na Filadélfia, na Pensilvânia. "Estamos em um ponto de inflexão. Temos de votar como nunca fizemos antes", disse, durante um comício em um estacionamento de uma igreja.

Joe Biden durante comício na Filadélfia, Pensilvânia - Drew Angerer/AFP

A tensão entre os partidos ficou evidente em um confronto na estrada. Em uma estrada que liga as cidades de San Antonio e Austin, no Texas, um grupo de veículos com bandeiras de apoio a Trump tentou tirar da pista um ônibus com funcionários da campanha de Biden no sábado.

Imagens nas redes sociais mostram várias caminhonetes cercando o coletivo. Uma delas fez movimentos bruscos, ameaçando bater na traseira do ônibus. Após o incidente, dois eventos democratas foram cancelados. Horas depois, o presidente Donald Trump postou no Twitter um vídeo que mostra o ônibus cercado pelos republicanos, com a frase “eu amo o Texas”.

Cresce a atenção sobre a votação texana, pois caso Trump perca ali, pode sair derrotado antes do fim da apuração nacional. O estado tradicionalmente é conquistado por republicanos, mas neste ano as pesquisas mostram Trump à frente por uma margem estreita: 48,4% a 47%.

No domingo, a Suprema Corte do Texas negou um pedido para anular quase 130 mil votos depositado por meio de sistema drive-thru, a partir de dentro de carros, em Harris, perto de Houston. A região tem apoiado os democratas, e a anulação de votos dali poderia ajudar Trump.

Os republicanos também aguardam o resultado de um outro pedido para suspender esses votos, que será avaliado nesta segunda (2) por um juiz federal.

Nesta segunda-feira (2), Biden deverá fazer novos atos na Pensilvânia e ir a Ohio. Trump planeja mais cinco comícios. Um deles será em Scranton, na Pensilvânia, cidade natal do rival democrata.

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