Paquistão anuncia status provisório de província a parte da Caxemira

Mudança na região de Gilgit-Baltistan, na fronteira com a China, foi condenada pela Índia

Islamabad e Srinagar | Reuters

O primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, afirmou neste domingo (1º) que seu governo dará status provisório de província a parte da Caxemira. O ato foi condenado pela Índia, que se opõe à mudança.

A proposta de Khan se aplica a Gilgit-Baltistan, a única ligação terrestre do Paquistão com a China, no norte da Caxemira. Índia e Paquistão reivindicam o território da Caxemira desde que conquistaram a independência, há 73 anos, e travaram duas guerras pela região de maioria muçulmana.

"Tomamos a decisão de conceder status provisório de província a Gilgit-Baltistan, que há muito é a demanda aqui", disse Khan em um discurso na cidade de Gilgit.

Soldado indiano durante patrulha perto da linha de controle, que divide a Caxemira entre a Índia e o Paquistão - Mukesh Gupta - 7.ago.13/Reuters

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia Shri Anurag Srivastava disse que Nova Déli "rejeita firmemente a tentativa do Paquistão de trazer mudanças materiais a uma parte do território indiano, sob sua ocupação ilegal e forçada".

No ano passado, a Índia irritou o Paquistão ao revogar a autonomia constitucional da Caxemira, tirando alguns dos privilégios da região. Embora as autoridades paquistanesas não tenham feito nenhuma ligação entre a ação anterior da Índia e as propostas de Khan, a ação do Paquistão provavelmente será vista em ambos os países como uma resposta ao ato indiano.

Ambos os lados controlam partes da Caxemira, dividida entre eles por uma linha de controle, estabelecida pelas Nações Unidas.

A Caxemira tem um status constitucional vago em ambos os países desde 1947 para acomodar uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a disputa. Embora os detalhes completos não tenham ainda sido divulgados, a proposta de Khan parece capaz de aproximar o status da região ao das outras províncias federativas do Paquistão.

Khan disse que a decisão está dentro do escopo da resolução do Conselho de Segurança e não deu prazo para sua implementação. Tal movimento exigiria uma emenda constitucional no Paquistão, que deve ser aprovada por dois terços do Parlamento do país.

A visita de Khan à área ocorreu antes de uma eleição para a Assembleia Legislativa de Gilgit-Baltistan, que deve ser realizada em 15 de novembro. O órgão, criado em 2009, tem poucos poderes, e a região é em grande medida governada diretamente por Islamabad.

O Ministério das Relações Exteriores da Índia já se opôs à eleição, dizendo que o Paquistão ocupa ilegalmente o território.

Gilgit-Baltistan, com população estimada em 1,2 milhão de pessoas, faz fronteira com o Afeganistão e a China e está no centro do plano de desenvolvimento de infraestrutura do Corredor Econômico China-Paquistão, estimado em US$ 65 bilhões (R$ 373 bilhões).

Planos semelhantes de Islamabad para alterar o status da região foram anteriormente engavetados por preocupações de que a ação teria um impacto negativo no caso do Paquistão nas Nações Unidas pelo controle total da Caxemira.

Tropas indianas matam líder de grupo separatista da Caxemira

Forças de segurança da Índia mataram o chefe do maior grupo separatista na Caxemira em um tiroteio neste domingo, enquanto a região disputada é dividida pela violência mais de um ano depois de Nova Déli retirar sua semiautonomia.

O assassinato elevou para 190 o número de militantes mortos por tropas indianas na região, disse o policial Vijay Kumar à Reuters.

Saiful Islam Mir, conhecido como Saifullah, chefe do grupo separatista Hizbul Mujahideen, foi morto a tiros na principal cidade da Caxemira, Srinagar.

Saifullah assumiu a liderança do grupo na área da Caxemira controlada pela Índia depois de o chefe anterior, Riyaz Naikoo, ser morto em um tiroteio com tropas indianas em maio.

O chefe-geral do Hizbul Mujahideen com base no Paquistão é o comandante militante Syed Salahuddin, que Washington colocou em 2017 em uma lista global de terroristas.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.