'Trump não é a pessoa mais importante do mundo', afirma Bolsonaro

Em formatura de policiais, presidente não citou eleições americanas, mas disse ter uma preferência

Artur Búrigo
Florianópolis

Na reta final da apuração nos Estados Unidos, que indica o democrata Joe Biden como o favorito para ocupar a Casa Branca, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (6) que, assim como ele não é a pessoa mais importante do Brasil, Donald Trump não é a pessoa mais importante do mundo.

Durante cerimônia de formatura de 650 policiais federais rodoviários, em Florianópolis, Bolsonaro não citou diretamente as eleições nos EUA, mas voltou a dizer que tem preferência pelo atual líder americano.

O presidente brasileiro e Trump, que concorre à reeleição, encontraram-se diversas vezes desde o ano passado. Durante o período, trocaram elogios, e Bolsonaro sempre fez questão de destacar o alinhamento entre os dois países, em uma relação que por muitas vezes exibiu contornos pessoas, e não institucionais.

Jair Bolsonaro, ao centro, com a mão no peito, durante execução do hino nacional em formatura de curso de formação policial em Florianópolis
Jair Bolsonaro, ao centro, com a mão no peito, durante execução do hino nacional em formatura de curso de formação policial em Florianópolis - Marcos Corrêa/Presidência da República

Assim, a eleição do democrata, que já criticou o líder brasileiro e a política ambiental do governo, é indesejada por Bolsonaro. Durante o primeiro e caótico debate presidencial nos EUA, Biden disse que "a floresta tropical no Brasil está sendo destruída". À época, o presidente classificou a fala como lamentável.​

Por isso, ainda que tenha dito que torce pela reeleição do republicano, Bolsonaro negou interferir no pleito americano e acusou o ex-vice de Barack Obama de intromissão em assuntos internos do Brasil justamente devido às criticas à política brasileira para o meio ambiente.​

Nesta sexta, Bolsonaro disse que “o momento do Brasil ainda é difícil", que assiste à política externa e tem uma preferência, uma vez que "o que acontece lá fora interessa para cada um de nós aqui dentro”.

“Eu não sou a pessoa mais importante do Brasil, assim como Trump não é a pessoa mais importante do mundo, como ele mesmo bem disse. A pessoa mais importante é Deus.”

Na quinta-feira (5), em evento no interior de Alagoas, o presidente já havia falado que o Brasil era uma “pátria abençoada, e ninguém tem o que temos”. “O mundo está de olho em nós. Temos o que eles não têm. E, para que possamos dizer que isso é nosso, isso passa pela união dos 210 milhões de brasileiros.”

Participaram da cerimônia a governadora interina de Santa Catarina, Daniela Reinehr, o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Eduardo Ággio, e os ministros André Mendonça, da Justiça e Segurança Pública, Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, e Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência.

Reinehr (sem partido) é próxima da família presidencial e já havia se encontrado com Bolsonaro na quarta (4), em Brasília. Uma de suas defensoras no processo de impeachment que culminou no afastamento do governador Carlos Moisés (PSL) foi a advogada Karina Kufa, também próxima dos Bolsonaro.

O evento teve a presença dos formandos, seus familiares e autoridades. Houve aglomeração no local, com filas na entrada e convidados em arquibancadas, sentados a menos de um metro de distância entre si. O uso de máscara era obrigatório, mas o presidente e seus ministros abdicaram da proteção.

Após discursar, Bolsonaro provocou aglomeração ao tirar foto com familiares dos policiais. A região da Grande Florianópolis voltou a ser classificada como de risco gravíssimo —o mais alto— pelo mapa de áreas de risco do governo de Santa Catarina.

Com as praias lotadas nos feriados, o número de casos de Covid-19 na capital catarinense disparou.

Após o evento, a comitiva presidencial se dirigiu para Chapecó, no oeste de Santa Catarina, onde trocou de aeronave e foi a Renascença (PR), para a inauguração de uma usina hidrelétrica ainda nesta sexta-feira.

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