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'Vencer é fácil, perder nunca é fácil', diz Trump em breve aparição na Virgínia

Presidente reiterou críticas aos prazos para votos por correio e disse esperar um resultado o mais rápido possível

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Washington

Depois de uma semana intensa de campanha, em que voou de um estado ao outro para discursar, Donald Trump desacelerou nesta terça-feira (3).

De manhã, ele visitou um comitê do Partido Republicano na Virgínia, nos arredores da capital, e rapidamente voltou para a Casa Branca. Estava ali por volta das 13h30 locais (15h30 em Brasília). Não planejava sair mais durante o dia. Passou as horas seguintes publicando mensagens genéricas em sua conta na rede social Twitter.

Durante sua breve aparição na Virgínia, o presidente disse que ainda não estava pensando em discursos de vitória ou de derrota. “Espero que nós façamos só um desses dois. Vencer é fácil, perder nunca é fácil. Não para mim, não é”, afirmou.

O presidente Donald Trump durante visita a comitê de campanha em Arlington, Virgínia - Tom Brenner/Reuters

Trump também reiterou suas críticas à decisão da Suprema Corte que permitiu que os votos por correio na Pensilvânia fossem recebidos até três dias depois do pleito. O presidente disse que esperava ter um resultado o mais rápido possível.

“Você não pode adiar essas coisas por muitos dias e talvez semanas. O mundo todo está esperando.” Ele afirmou, também, que "muitas coisas ruins podem acontecer" se o país esperar tanto tempo para apurar os votos.

Trump havia feito a mesma reclamação nas redes sociais, sugerindo que, ao prolongar o prazo, a Corte estava permitindo sabotagens, levando o país a uma situação de instabilidade social. O Twitter sinalizou a mensagem de Trump como possivelmente contendo “informações incorretas”, como parte de seus esforços de combate à desinformação.

Uma das estratégias do Partido Republicano nestas eleições tem sido levantar dúvidas sobre o processo eleitoral, em um ano que —devido à pandemia de Covid-19— uma grande parte da população votou por correio. A expectativa era de que, no caso de uma derrota de Trump, ele dissesse que houve fraude. Nesse sentido, um dos cenários ideais para os democratas era uma vitória com uma ampla margem, ao ponto de ser incontestável.


Ainda na Virgínia, Trump aproveitou o derradeiro palanque para dizer que reuniu multidões em níveis históricos durante a campanha e elogiou o “tremendo amor” que identificou ao redor do país. Depois, o presidente ordenou aos funcionários do partido republicano: “Voltem a trabalhar imediatamente”.

O presidente também apareceu durante o dia no canal de televisão Fox News, ao qual deu entrevista por telefone.

Havia ansiedade devido aos rumores de que Trump podia declarar sua vitória na terça-feira (3), mesmo sem haver um resultado claro. O presidente disse, porém, que só faria tal pronunciamento “quando houver vitória, se houver vitória”. “Não há nenhuma razão para joguinhos”, afirmou. A ideia de que Trump pudesse se coroar era um dos principais receios dos analistas que acompanhavam o pleito americano.

O presidente voltou a dizer, também, que acreditava ter “uma chance muito, muito sólida” de vencer o pleito —apesar de as pesquisas de intenção de voto terem consistentemente previsto nestes últimos meses a sua derrota para o candidato democrata Joe Biden. Trump disse, inclusive, que esperava uma vitória ainda maior do que a que teve em 2016, quando derrotou Hillary Clinton.

O presidente planejava acompanhar a apuração dos votos em uma festa para 250 convidados, segundo relatos da imprensa americana. Fechado, o evento seria realizado na ala leste da Casa Branca.

A ideia de reunir centenas de pessoas durante a pandemia da Covid-19 foi imediatamente recebida com críticas. O país vive uma alta no número de casos e mais de 230 mil já morreram. Como medida de prevenção, os convidados do evento de Trump fariam exames rápidos. O próprio presidente contraiu o vírus em outubro, assim como diversas pessoas ao seu redor.

O republicano tinha planos, anteriormente, de organizar o encontro em seu hotel na capital americana. Teve de cancelar a ideia justamente devido a restrições para aglomerações em espaços fechados na capital.

Também segundo os relatos da imprensa americana, a campanha de Trump montou “salas de guerra” na Casa Branca —levando a acusações de que estava fazendo uso eleitoral do aparato governamental. Um porta-voz, no entanto, afirmou que todo o custo foi pago pela campanha do presidente e que os preparativos para a noite eleitoral não contavam com nenhum funcionário da administração.

A imprensa teve um acesso bastante limitado ao presidente durante o dia. Poucos repórteres puderam acompanhar seu deslocamento à Virgínia, e poucos também puderam circular pelos corredores da Casa Branca. A recomendação era de que os jornalistas evitassem o complexo a todo custo e que, se realmente tivessem de trabalhar ali, ficassem apenas no jardim, sem acesso nenhum ao republicano.

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