Biden diz que nomeados de Trump no Pentágono estagnaram processo de transição

Interino afirma ter havido acordo com equipe de democrata para que instruções fossem pausadas nas festas de fim de ano

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Wilmington (Delaware) | AFP

O presidente eleito dos EUA, Joe Biden, disse nesta segunda-feira (28) que os nomeados de Donald Trump no Pentágono estavam protelando a transição entre governos e que a demora poderia colocar os Estados Unidos em risco de segurança.

Depois que Biden e sua vice, Kamala Harris, conversaram com suas equipes de transição sobre a segurança nacional, o democrata disse que os nomeados políticos no Pentágono, bem como no Escritório de Administração e Orçamento, colocaram "barreiras" no processo.

"No momento, simplesmente não estamos obtendo todas as informações de que precisamos do atual governo nas principais áreas de segurança nacional", disse o democrata após o briefing. "Não é nada menos que irresponsabilidade."

O presidente eleito Joe Biden na sede de sua equipe de transição em Wilmington, no estado de Delaware
O presidente eleito Joe Biden na sede de sua equipe de transição em Wilmington, no estado de Delaware - Jonathan Ernst/Reuters

Trump se recusou a reconhecer os resultados das eleições de 3 de novembro e travou uma batalha jurídica e midiática para impedir a vitória de Biden.

Foi só após 16 dias da projeção do resultado da eleição, em 23 de novembro, que o presidente americano permitiu que a Administração de Serviços Gerais (GSA, na sigla em inglês) iniciasse os protocolos para a transição de seu governo para o do democrata, que toma posse em 20 de janeiro.

Biden disse que busca "uma imagem clara" da equipe de transição sobre as posições das tropas americanas ao redor do mundo. "Precisamos de total visibilidade do planejamento orçamentário em andamento no Departamento de Defesa e em outras agências para evitar qualquer janela de confusão ou recuperação que nossos adversários possam tentar explorar", continuou.

O governo do republicano causou preocupação ao abalar a liderança do Pentágono desde as eleições, incluindo demitir o secretário de Defesa, Mark Esper, após uma série de desentendimentos entre os dois.

Esper irritou Trump principalmente por se opor ao uso de tropas militares para reprimir os protestos antirracismo em várias cidades do país, em junho —o que o republicano havia ameaçado fazer.

Ele também discordou da pressão do presidente sobre os demais membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e com a gestão do governo na pandemia —Esper impôs regras sanitárias desprezadas por Trump, como o distanciamento e o uso de máscara, nos quartéis do país.

O secretário interino de Defesa, Chris Miller, disse que o governo concordou com a equipe de transição de Biden em pausar as instruções durante o período das festas de fim de ano, o que a campanha do democrata diz não ser verdade.

Dois dias após a demissão do secretário de Esper, Trump demitiu membros da cúpula do Pentágono para colocar nomes fiéis a ele. A mobilização de última hora no órgão ocorre em meio a altas tensões com o Irã, apontado pelo republicano como responsável por um ataque contra a embaixada americana em Bagdá.

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