Bolsonaro completa um mês sem parabenizar Biden por vitória nos EUA

Silêncio do presidente contrasta com líderes das maiores economias do planeta

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) completou, nesta segunda-feira (7), um mês sem parabenizar o democrata Joe Biden pela vitória nas eleições americanas.

Segundo assessores presidenciais, Bolsonaro deve permanecer em silêncio sobre a eleição de Biden até pelo menos 14 de dezembro, quando o Colégio Eleitoral americano se reúne para oficializar o resultado.​

Biden foi projetado presidente eleito pelos meios de comunicação nos Estados Unidos em 7 de novembro, tendo derrotado o atual presidente Donald Trump.

O presidente Jair Bolsonaro durante videoconferência com o Presidente da Argentina, Alberto Fernández
O presidente Jair Bolsonaro durante videoconferência com o Presidente da Argentina, Alberto Fernández - Alan Santos - 30.nov.2020/PR

Admirado por Bolsonaro, o republicano afirma, sem provas, ter sido vítima de fraude eleitoral. A resistência de Trump em admitir que foi derrotado abriu as portas para uma transição de poder turbulenta.

Bolsonaro não só disse ter torcido por Trump como endossou recentemente as acusações do atual presidente americano de que as eleições foram fraudadas.

Depois de votar no segundo turno das eleições municipais, no Rio de Janeiro, o presidente disse que aguardaria mais um pouco para se manifestar sobre a eleição de Biden.

“Tenho minhas fontes [que dizem] que realmente teve muita fraude lá. Isso ninguém discute. Se foi suficiente para definir um ou outro, eu não sei”, disse.

O comportamento de Bolsonaro preocupa diplomatas e militares, que temem que esse tipo de provocação a Biden seja o prenúncio de uma relação conflituosa com o futuro líder da maior economia do mundo.

Ao não felicitar Biden, o brasileiro se uniu a um pequeno grupo de líderes —entre eles o mexicano Andrés Manuel López Obrador e o russo Vladimir Putin— que ainda não parabenizaram o democrata.

Por outro lado, as principais economias do mundo enviaram suas congratulações a Biden pouco depois das projeções das redes americanas. Fazem parte dessa lista o premiê britânico, Boris Johnson, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron.

Até mesmo o líder da China, Xi Jinping, cumprimentou recentemente Biden pelo êxito nas urnas. Pequim é considerada a maior antagonista dos Estados Unidos na arena global.

Nas relações internacionais, o envio de mensagens de felicitações após uma eleição é um ato meramente simbólico. A decisão de Bolsonaro de não comentar o resultado eleitoral nos EUA tem sido interpretada como um sinal de fidelidade a Trump.

O silêncio de Bolsonaro não contrasta apenas com a postura de outros governantes. Também diverge do comportamento de ex-presidentes brasileiros, que não demoraram em enviar cumprimentos a líderes americanos recém-eleitos.

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