Com medo de mutação de coronavírus, Reino Unido endurece lockdown

Premiê anuncia fechamento de Londres para tentar conter variante do patógeno

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Mark Landler Stephen Castle
Londres | The New York Times

Alarmado com o que chamou de "mutação de disseminação mais rápida" do coronavírus, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, mudou radicalmente a estratégia de enfrentamento da pandemia neste sábado (19) e impôs um lockdown em Londres e na maior parte do sudeste do país.

A decisão, anunciada após uma reunião de emergência com sua equipe, veio depois de o governo ser informado sobre novas evidências de uma variante do vírus que já havia sido detectada em Kent, ao sudeste de Londres. Segundo o premiê, essa versão do patógeno é 70% mais transmissível do que as anteriores.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, participa de entrevista coletiva virtual em Londres
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, participa de entrevista coletiva virtual em Londres - Toby Melville/AFP

As novas medidas, que passam a valer na noite deste sábado, foram desenhadas para separar a capital e as cidades ao redor dela do resto do Reino Unido. São as medidas mais severas que o governo já tomou desde o lockdown nacional que vigorou em março e refletem o medo de que a nova variante pudesse aumentar a transmissão do vírus durante o inverno.

Os moradores dessas regiões agora estão sob o nível de alerta mais alto: a orientação é para que todos fiquem em casa e que os comércios considerados não essenciais fiquem fechados.

Pubs, restaurantes e museus já estão proibidos de abrir desde o final de semana passado, e os deslocamentos para fora dessa área também estão suspensos.

Também não será possível realizar reuniões com moradores de outras casas —nas áreas que não estão em alerta máximo, os encontros devem acontecer em um único dia.

"Quando o vírus muda seu método de ataque, temos que mudar nosso método de defesa", disse Boris Johnson em uma entrevista coletiva. "Temos que agir com as informações de que dispomos porque isso está se espalhando muito rapidamente."

Mutações de vírus não são incomuns, e essa variante já foi detectada em alguns outros países, mas especialistas se mostraram preocupados com sua aparente infecciosidade. Alguns deles pediram urgência no endurecimento das restrições sociais para tentar eliminar o patógeno.

"A eliminação é cada vez mais ideal", disse Devi Sridhar, chefe do programa de saúde pública na Universidade de Edimburgo. "Mais vírus circulando significa mais variantes e mutações."

Outros cientistas, no entanto, ponderaram que a disseminação rápida da variante não significa necessariamente que ela seja mais transmissível.

As drásticas medidas recentes foram tomadas depois que o gabinete de Boris soube que os casos praticamente dobraram na semana passada em Londres —e que a nova variante do vírus responde por 60% dos casos.

Ministros do governo foram informados de que não há evidência de que o novo vírus seja mais mortal ou mais resistente a vacinas do que os outros, apenas que ele é relativamente mais fácil de se espalhar.

De toda forma, essa informação aumenta a perspectiva de crescimento acelerado de casos, levando a mais mortes e hospitalizações.

O governo britânico disse que informou a Organização Mundial da Saúde sobre a prevalência da nova variante.

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