Depois de críticas da Otan, Rússia leva ao mar 2 de suas 4 frotas navais

Mobilização rara ocorre nos mares Báltico e Negro, após fala considerada provocativa da aliança ocidental

São Paulo

A Rússia anunciou uma rara mobilização de todas as embarcações de 2 de suas 4 frotas navais, um dia após ser criticada duramente pelo secretário-geral da Otan (aliança militar ocidental), Jens Stoltenberg.

Segundo Stoltenberg afirmou em um encontro com os chanceleres georgiano e ucraniano, "a Rússia continua violando a soberania e a integridade territorial da Geórgia e da Ucrânia, segue sua escalada militar na Crimeia e desloca mais forças para a região do mar Negro".

Navio anti-submarino russo Kulakov faz exercícios no mar Negro, perto da Crimeia, em janeiro
Navio anti-submarino russo Kulakov faz exercícios no mar Negro, perto da Crimeia, em janeiro - Alexei Drujinin - 9.jan.2020/Kremlin/via Reuters

Ato contínuo, nesta quinta (3), o Ministério da Defesa russo colocou todos os barcos de sua Frota do Mar Negro e da Frota do Báltico para fazer exercícios de todos os tipos: interceptação, defesa de área, assalto anfíbio, ataque a terra.

São cerca de 60 navios em cada uma das frotas. Os exercícios no mar Negro já estavam previstos, e são uma constante, mas não nessa escala, segundo analistas militares russos.

No Báltico, também não havia previsão de a frota toda ir ao mar. Baseada no encrave de Kaliningrado, a força é a ponta de lança russa na Europa, seu território mais ocidental.

Durante o auge da crise na Belarus, em que a ditadura de Aleksandr Lukachenko enfrenta protestos por fraude eleitoral, o mecanismo de exercícios relâmpago foi usado como demonstração de apoio ao aliado algumas vezes, ante as críticas do Ocidente —repetidas na Otan na quarta.

No encontro da véspera, Stoltenberg também havia dito que a "Otan estava reforçando suas posições no mar Negro", onde fica a Crimeia, anexada por Moscou em 2014 após o governo pró-Putin de Kiev ser derrubado. Ele afirmou que um destróier americano e aviões de países europeus estão se exercitando na região.

Em relação à Geórgia, o problema é ainda mais antigo. Em 2008, respondendo a uma escaramuça fronteiriça na região separatista russa da Ossétia do Sul, Moscou entrou em confronto com Tbilisi.

Outra área russa no país caucasiano, a Abkhásia, também entrou no conflito, que resultou com a vitória separatista, apesar de algumas dificuldades militares russas. E transformou o presidente Vladimir Putin, então premiê mas com poder, num vilão de vez no Ocidente.

A assertividade russa segue um padrão. Há duas semanas, após Joe Biden derrotar Donald Trump na eleição americana, houve um incidente entre destróieres russo e dos EUA no Pacífico —uma região usualmente de contencioso entre Washington e Pequim.

Na segunda (30), Moscou informou que instalou uma bateria de sistemas antiaéreos avançados S-300 nas ilhas Kurilas, que o Japão disputa a posse desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Com isso, o governo de Putin mostra prontidão militar no contexto da pandemia e de transição de poder na potência líder do Ocidente, os EUA.

O risco, sempre apontado por analistas, é de choques acidentais nesse cipoal de exercícios e manobras, em especial em lugares com proximidade geográfica e com contenciosos, como o mar Negro.

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