Descrição de chapéu Venezuela refugiados

Diário de uma refugiada: leia o caderno traduzido na íntegra

A venezuelana Francis Salazar, 41, escreveu por um mês em um caderno para contar sua experiência no Brasil

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A Folha pediu à venezuelana Francis Salazar, 41, que escrevesse um diário durante um mês contando sua experiência como refugiada no Brasil. Leia a tradução na íntegra.

Introdução

Me apresento, querido diário, com uma foto minha, que me faz pensar nos caminhos que deixamos e para onde vamos. Meu nome é Francis Irina Salazar Arevalo, sou venezuelana, mãe, filha, profissional e sonhadora. Decidi escrever inspirada por algo que li: “Conta sem medo como você superou essa etapa, poderia ser um guia que alguém busca”.


Apresento meu coração em uma foto: minha avó, meus pais e meus dois filhos. São um conjunto dos meus grandes amores, o que me move a cada dia.


Sou venezuelana e esta é a bandeira sob a qual me criei. Me ensinaram que o amarelo representa as riquezas da nação, o azul é dos mares, rios e lagos enquanto o vermelho é pelo sangue dos heróis da pátria para conquistar a liberdade, e as estrelas representaram os oitos estados mais representativos. Hoje está meu país como esta foto: fraturado.


Agora estou sob a auriverde, que representa o gigante da América Latina. O que mais me chamou a atenção é o que está escrito nela, ORDEM E PROGRESSO. Pesquisei na internet e diz que é um lema de Augusto Comte: “O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim”. Adorei, é disso que eu preciso.


31 de agosto de 2020

Olá. Muitas vezes me perguntaram coisas como: por que você emigrou? Por que para o Brasil? O que sentiu ao chegar? Onde está sua família? Tem filhos? Como você se sente no Brasil? Hoje decidi responder a algumas de tantas inquietudes, mas desde meu ponto de vista, como eu me vejo. Sou uma mulher venezuelana, migrante, mãe solteira, cabeça da casa, com o coração entre dois países. Descrever em linhas como e por que se emigra não é fácil. Todos temos milhares de razões válidas. Migrar é um direito, o único comum a todos é que não o fazemos por gosto, é por necessidade. No meu caso a necessidade de poder sustentar minha família me levou a partir meu coração. Deixar o que mais amo para poder salvá-lo.

Explicarei melhor o anterior. Sou mãe solteira de duas crianças lindas, Jorge, de 12 anos, e Emily, de 4 anos. Mas minha família não se limita a eles. Sou o apoio de meus pais. Minha mãe, de 64 anos, se ocupa de minha avó, que já tem 93 anos, e meu pai, de 71 anos, que sofre de câncer de próstata.

Ser filha da minha mãe é meu maior orgulho. Tão pequena de tamanho e de extrema magreza, me mostrou com suas ações que não importa o que sinta seu corpo, sua mente e seu espírito são o que decidem. É, sem dúvida, a mais forte da família. Meu irmão mais novo vive com meus pais também e assumiu o papel de pai de meus filhos. Meu irmão mais velho vive em outra cidade, e viajar é quase impossível em um país sem gasolina.

Nunca tinha saído do meu país. Nunca senti a necessidade de uma aventura como esta. Mas chegou o dia. Resisti até onde pude. Sempre há um evento que nos marca e nos leva a sair. No meu caso, foi o dia em que minha filha ficou doente. Ela tinha acabado de fazer dois anos. Teve febre durante toda a noite. De manhã enviei Jorge para o colégio e fui ao médico com ela. Ela tinha ficado doente da garganta.

Saí do consultório procurando o medicamento com ela nos braços e terminamos chorando juntas pelo mal-estar. Eu, pela impotência. A febre não cedia. Pois depois de caminhar por mais de duas horas em uma cidade onde o sol é inclemente e o transporte público inexistente, na única farmácia onde encontrei o remédio, o dinheiro que tinha não era suficiente para comprá-lo. Graças a Deus uma pessoa se aproximou, me indicou uma antiga farmácia onde alguns medicamentos tinham preço antigo. Quase grito quando consegui.

Voltei para casa e ao chegar me senti quase desfalecer. E foi ali que lembrei que não tinha comido nada o dia todo. Parece estranho como coisas tão importantes nos passam batido quando alguém mais nos preocupa.

Ela se recuperou, mas meu coração se partiu nesse dia. Mensalmente comprava o remédio para a pressão do meu pai e nesse mês não consegui. Gastei o que tinha para fazer minha filha melhorar. Nesse dia chorei no banho. Não podia deixar que meus filhos me vissem assim. Chorei de impotência, de tristeza, de frustração. Não é justo, não deveria ter que escolher entre dois seres que amo. Devo poder cuidar deles todos, é o único que quero.

Quando consegui me acalmar, me chegou a resposta. Se você de verdade os ama, deve sair e lutar por eles. E neste país, sob esse regime, não posso fazê-lo.

Tomei a decisão mais dura da minha vida. Devo sair do país, migrar. Agora bem, a pergunta: aonde ir? Tinha duas opções: Colômbia, com quem compartilhamos idioma e cultura, mas desde onde eu morava são quase dois dias de caminho e muito dinheiro, o que eu não tinha. E por outro lado estava o Brasil, o gigante da América Latina, com um idioma diferente, mas mais perto de casa.

A resposta veio sozinha com os dias. Um amigo comentou que fazia viagens para a fronteira com o Brasil e que poderia me levar. Isso determinou meu caminho. Mas as perguntas não param de chegar quando você decide migrar.

No dia seguinte fiz uma autoanálise: quem sou como profissional? Em que poderia trabalhar fora do meu país? Me graduei como advogada e como administradora. Me apaixonei pela minha carreira desde o primeiro dia. Ser advogada é minha paixão e confirmei isso aos 21 anos, quando obtive meu título. Com o tempo tive outros trabalhos como locutora de rádio, administrando empresas. Tenho ampla experiência profissional na Venezuela, mas isso de que me serve em outro país? Esquecer quem sou e me reinventar de novo foi o único que me ocorreu e que até agora tem funcionado. Muitos me perguntam sobre revalidação de diploma, mas por agora é só um sonho. Os gastos e trâmites, enquanto você trabalha para manter seus filhos em um país em ditadura e cobrir seus gastos fora, não são tão simples.

Muitas das respostas a tudo o anterior você consegue no Google, mas há uma decisão que você deixa por último porque é a que você não quer tomar, a que você evita por muito tempo, esperando que alguém mais te dê a resposta, porque é a que mais dói: quem devo deixar para trás? E quem levo comigo?

Meus filhos são meu maior motivo para sair, mas não sei para onde vou nem o que posso encontrar. A segurança deles é minha prioridade. Meus pais, por outro lado, não estavam em condições de sair neste momento. Minha avó, com 93 anos, não sai nem de sua casa, muito menos do país. Minha mãe cuida da minha avó, meu pai adora a minha mãe e jamais a deixaria sozinha. Eles sempre mostraram com fatos que o amor existe e que o casamento é uma promessa que se pode cumprir com gosto quando se ama. Estar com alguém nos momentos bons e ruins, na saúde e na doença, é um privilégio quando o amor é sincero. Então decidi empreender sozinha esta aventura.


Eles se têm um ao outro, e isso me alivia um pouco.


1º de setembro de 2020

Chegou o dia 28 de julho de 2018. Sei que não devo chorar na frente de ninguém. Devo seguir adiante com a alma e o coração partidos. Criar meus filhos, vê-los crescer, cuidar de meus pais como eles fizeram comigo é agora um sonho. Já não se trata do que quero, mas do que devo fazer. Seu bem-estar é minha responsabilidade, depende de mim. Há dias sinto que minhas pernas pesam e me custa respirar. Tenho um nó na garganta. Minha mãe esquiva meu olhar e meu pai olha para o chão quando me vê. Sei que eles fazem isso para não chorar. Papai chega perto de mim e me pede perdão por não poder me dar mais, quer continuar cuidando de mim como se fosse uma menina.

Papai, agora é minha vez de zelar por você. Vocês me deram a vida e o ser humano que sou devo a vocês. E hoje selamos um pacto. Vocês cuidam dos meus filhos e eu lhes enviarei dinheiro para todos os seus gastos. Sei que temem pela minha segurança. Eu temo não voltar a vê-los. Meus filhos estarão seguros ao seu lado e vocês terão um motivo para viver.

Meus filhos sentem a tensão na casa, mas não conseguem assimilar o que acontece. Jorge tem apenas dez anos, e o vejo como meu sol, nasceu quando eu me sentia mais forte. E Emily, com só dois anos, é minha lua. Chegou para iluminar minhas noites mais escuras. Acham que a mamãe voltará logo, ainda não entendem bem o que acontece. Eu só espero que algum dia possam me perdoar por ter me afastado. Não quis me despedir de amigos nem de outros familiares, não dou conta de tanto.

Por fim, cheguei à fronteira. Passei três dias entrando e saindo enquanto fazia minha documentação. Entrei em um abrigo onde só havia mulheres. Pelo pouco que falava do idioma, fiz com que entendessem que precisava ir a outro lado. Me apoiaram e me colocaram em contato para viajar ao interior do Brasil. Lembro muito das palavras de uma pessoa da ONU: se você se move, eu me movo. Não podemos fazer tudo por quem não faz nada. Suas palavras foram determinantes para mim. Em uma semana, entreguei toda a minha documentação.

Depois de três semanas em Boa Vista, começou outra etapa da minha viagem. Ninguém escolhe para onde irá quando entra na Operação Acolhida. Eles estudam o perfil de cada pessoa e a direcionam para algum estado do Brasil. Escolheram São Paulo para mim e ali começa a outra parte da minha história.


2 de setembro de 2020

Existem regras para viver em sociedade, em família e mais ainda quando você vive em um abrigo. Para se ter uma ideia de como é, há que pensar em colocar em uma casa de vários quartos, mas com áreas comuns e o mesmo horário de comida e lazer, mais de 50 pessoas com diferentes idiomas, culturas e opiniões. Na verdade acho que é a fórmula perfeita para o caos. Mas, mesmo que vocês não acreditem, isso não acontece.

Em todos os abrigos onde tive a oportunidade de estar encontrei uma coisa em comum entre os que os administram: uma grande sensibilidade humana e amor ao próximo. Meu primeiro abrigo, Missão Paz, uma casa de acolhida que com o tempo se tornou algo mais que um abrigo, é um espaço que sinto como meu lar, onde cada parede conta uma história, onde ouvir tantas vozes em diferentes idiomas virou música para meus ouvidos e paz para minha alma, porque sou um deles.

Meço 1,58 m de estatura e pesava 45 quilos ao chegar. Todos pensavam que estava muito doente. Como lhes explicar que a falta de alimento, o estresse, e não uma doença, provocavam minha magreza?

O alimento que eu realmente precisava veio da mão do padre Paolo Parise, que, com palavras de incentivo e esperança, fortaleceu meu espírito. Por outro lado, Francisco, o cuidador mais antigo da Missão Paz, com seus jogos e piadas, conseguia que eu sorrisse, e com um abraço me dizia: tranquila, moça, você vai ficar bem. E isso me alegrava a alma. Enquanto isso, Marzia, amada por uns e odiada por outros, mas respeitada por todos, como uma mãe protetora, me obrigava a seguir sempre em frente, a me valer de mim mesma, porque acreditou em mim quando nem eu mesma conseguia. A eles minha eterna gratidão. Sei que têm um lugar ganho no céu.


Este é o pátio da Missão Paz, aonde tantos chegamos frágeis e tristes e saímos fortalecidos e com esperança.


Esta imagem é uma das paredes da Missão Paz e é a que eu sinto que mais nos representa como migrantes. Caminhamos para a frente, não olhamos para trás, levamos pouco conosco e nossas raízes seguem com a gente para onde quer que formos.


4 de setembro de 2020

Venho de uma cidade pequena na Venezuela, Pariaguan, a terra sonhada, onde viveram famílias por gerações, os vizinhos se transformam em parentes e quase todos nós conhecemos ou temos um vínculo com outras pessoas. Ao conhecer alguém lá, a pergunta obrigatória é: de que família você é? Porque seu sobrenome te representa, as gerações que estiveram antes falam por você, quer queira, quer não.

Em São Paulo tudo isso não existe. Esse vínculo não aparece em nenhuma parte. O único certo em São Paulo é que ninguém é 100% daqui. Quando me informaram que São Paulo foi escolhida como meu destino, os que me conheciam em Boa Vista me olharam como se eu fosse uma estrela de rock, e não entendi naquele momento o porquê. É que se trata de uma metrópole, é o maior do Brasil, e o Brasil já é grande. É uma cidade de contrastes que vibra sozinha, que tem uma energia que te captura. Viver entre tanta diversidade cultural, o acesso à tecnologia, as oportunidades de vida de poder se reinventar a cada momento é uma experiência única. Muitos dizem que é tão especial que você pode ter até quatro estações em um só dia e eu acredito nisso.

Mas o mais importante para mim é o respeito. No meu país, apesar de não parecer, a homofobia existe e é algo muito arraigado na nossa cultura e que me envergonha. Me doía ver como amigos e amigas foram maltratados e até humilhados só por dizer que sentem o amor de forma diferente. Nesses momentos lembrava dos ensinamentos de meus pais sobre o amor de casal. Eles me explicaram com meu ponto fraco, a comida. Me disseram que o amor é como a comida, que nunca vai ser bom comer algo de que você não gosta e, pior ainda, por obrigação. Da mesma forma, você não pode estar com quem você não ama, e menos ainda por obrigação. O amor é a liberdade e em São Paulo todos são livres para se amar.


A catedral de praça da Sé é sem dúvida o mais representativo do centro de São Paulo. De qualquer ângulo o que você vê é especial.


5 de Setembro de 2020

Conseguir um trabalho fixo que me permita pagar os gastos da minha família e os meus é meu maior desafio. Quando saí, só trouxe uma mala com um pouco de roupa e minha documentação. Tudo o que eu conseguir além disso já é um ganho. Trabalhar é um alívio, é a meta de tanto sacrifício pessoal, ser capaz de sustentar meus filhos, meus pais, é uma pressão que não se tira nunca.

Minha primeira oportunidade de trabalho em São Paulo foi graças à ONG Estou Refugiado, aos quais chamo de meus anjos no Brasil. São uma equipe de ouro, estudam cada caso, o tornam único e se preocupam em encontrar emprego adequado para cada pessoa. Você tem que ser feliz com o que faz ou nunca o fará bem. Essas palavras escutei nos workshops deles e ficaram no meu coração. Hoje em dia me uni à equipe e trabalho como voluntária. Acredito no que fazem, sei que conseguem mudar a vida das pessoas.

Mas não foi meu único emprego no Brasil. Em resumo, trabalhei fazendo serviço de limpeza em uma fazenda, como palestrante, como auxiliar de cozinha, assistente comercial, mas o trabalho que mais me impactou em nível pessoal foi quando tive a oportunidade de ser analista educativa júnior no Museu da Migração de São Paulo, localizado na Mooca. O pessoal que trabalha lá está muito envolvido com o projeto cultural. São criativos, dinâmicos e muito cuidadosos. Conseguem mostrar a história da migração de uma maneira humana e real.


Neste momento, por causa da pandemia, fiquei sem trabalho fixo. Continuo como voluntária na ONG Estou Refugiado, dando apoio a outros migrantes, e na Missão Paz transmito um programa de rádio aos sábados chamado Voces de Venezuela, onde me permitem dar voz a meus pensamentos e onde meu querido amigo Miguel Ahumada incentiva minha criatividade e me anima a seguir adiante.


Apesar de o idioma seguir sendo uma barreira, pois meu sotaque me denuncia e grita que não sou brasileira, continuo praticando, estudando, lendo e escrevendo. Estou decidida a fazer com que me entendam. Disso depende que eu possa sustentar minha família. Cheguei muito longe para me deter por algumas palavras. Meu currículo está pronto e meu ânimo está no alto. Ai vou, São Paulo, vou por você.


7 de Setembro de 2020

Hoje foi um dia maravilhoso. Depois de tanta incerteza e dias de confinamento, depois de quase um ano de luta, consegui, graças a um primo na Venezuela, comprar um telefone que permite fazer chamadas de vídeo. Pude ver meus pais, meus filhos e meu irmão. Colamos no telefone como se pudéssemos entrar e nos abraçar. Foi difícil, mas consegui, e o melhor, consegui não chorar na frente deles. Ao terminar a chamada, fiquei pensando no tanto que quero dizer e no muito que devo calar.

Uma videochamada, que para muitos é algo tão comum e simples nesses tempos, para mim foi a maior das minhas conquistas neste ano. Eu os vi, os vi ao vivo, e eles me viram. Meu coração ainda pula. Hoje é dia de festaaaaaaa no meu coração.


9 de Setembro de 2020

9 de setembro de 1979, num domingo à 1h da tarde, nasci. Minha mãe me envia uma mensagem de voz um dia antes do 9/9/2020, lembra-me que será meu aniversário e chega o dia.

Hoje, 9 de setembro de 2020, uma quarta-feira, completo 41 anos. Há dias essa data me atormenta, me faz ir para trás e para a frente nos meus pensamentos a cada momento. Lembro que aos meus 28 anos nasceu meu primeiro filho, Jorge Alejandro. Depois, aos 36 anos, chegou na minha vida Emily Valentina. Aos 38, saí do meu país. Parecem só números ao contá-los assim, mas envolvem tantas emoções. E, apesar de ter recebido muitas felicitações e abraços de amizades que acreditam no meu caminho, o único abraço que desejo sei que não vou ter, o dos meus filhos. Já são dois anos com os braços vazios e as lágrimas não deixam de sair quando penso neles.

Na estação Pinheiros há uma exposição de imagens que me impactaram porque fui uma dessas mulheres. Amamentei meus filhos e adorei esse sentimento. Acariciar seu cabelo em meus braços é um momento único, ali sentia que milagres existem. Eles me enviaram um vídeo e parecia que queriam entrar na câmera. Seus olhos brilhavam ao me dar esse presente. Meu coração se acelerou quando os vi. Não lembro quantas vezes já repeti esse vídeo. E minha mãe, minha pequenininha, ela também hoje cantou para mim. Sua voz se quebrou quando o fez. Eu também choro, mamãe, quando lembro de você. Também preciso do seu abraço, continuo sendo sua menina.


10 de Setembro de 2020

Durante uma conversa com minha mãe toco em um tema que deixei de lado por muito tempo: minha vida pessoal. Para entender um pouco isso vou resumir essa parte. Cheguei sozinha ao Brasil. Eu tinha me separado do pai dos meus filhos estando na Venezuela, ele decidiu viajar, e eu, ficar. Depois de dois anos separados, coincidimos em São Paulo e tentamos reconstruir o que uma vez tivemos, mas não funcionou. Migrar muda a forma de ver a vida e de enfrentar o mundo. Viver em casal já é um desafio, se você soma não ter os mesmos objetivos, a ruptura é inevitável. Enfim, segui meu caminho sozinha e, apesar de ter tido várias propostas, não aceitei nenhuma até agora.

Chegou alguém que tem entrado aos poucos em meu dia a dia, com ligações, atenções e sobretudo muita paciência. Rejeitei seus convites e atenções várias vezes. Hoje comentei sobre isso com minha mãe e, para minha surpresa, ela me perguntou: por que você faz isso? E na verdade não consegui responder, porque não sei. Ela me disse que eu não devo esquecer que continuo sendo mulher, que nem tudo é trabalhar, me lembra que meus filhos crescerão e irão embora, é a lei da vida, que eu devo pensar em mim, em ter um companheiro de vida. Ela é muito romântica e, apesar de que eu gostaria de ver as coisas como ela, não consigo.

Não sei como explicar a ela como me sinto a respeito desse homem. Ele é de ascendência japonesa, nascido no Brasil e dança tango em uma academia. Eu, por outro lado, sou venezuelana. Minha avó materna é indígena, tudo isso deixa marcas nas nossas personalidades. Um amigo em comum, ao nos ver juntos, comentou: "Vocês são o exemplo perfeito do que é a globalização". E foi algo que me deixou pensativa.

Então, para organizar minhas ideias e sentimentos, decidi enumerar minhas inquietações.

1) Ele é brasileiro, eu sou venezuelana. O idioma e a cultura são uma barreira, mas mesmo assim gosto de sua companhia e consigo entender seus gestos e seus olhares.

2) Não sei como me comportar em um encontro. Faz anos que não saio com ninguém e me aterroriza a ideia de ser ridícula. Mas ele, por alguma estranha razão, me faz sentir calma e segura.

3) Eu pesava 45 quilos quando atravessei a fronteira entre a Venezuela e o Brasil. Depois de dois anos, peso 64 quilos. Ganhei 19 quilos e foram muito mal distribuídos. Isso me faz sentir insegura com meu corpo. Ele me explica que somos um homem e uma mulher e [pede] que esqueça todo o resto, que quer algo mais que só sexo.

4) E chego à palavra com S, sexo. Como saber quando é um momento apropriado? Não quero parecer uma louca, faz muito tempo que não tenho sexo e jamais imaginei estar numa situação assim. Ele me diz que o sexo é só uma consequência quando tudo no casal vai bem. Eu não tinha visto assim. Ele tem 45 anos, eu, 41. Já não somos crianças, e sei que ele tem razão.

Nesta chamada de hoje minha mãe mudou seu tom de voz ao meu dizer: "Filha, você faz tudo por outras pessoas. Faça-me o favor de se ocupar de você".

Às vezes precisamos de palavras como essas para reagir. Quero sentir e acho que é a pessoa para mim. Estou pronta. Vemos o que acontece...


11 de Setembro de 2020

Faço trabalho voluntário em duas organizações no Brasil. O primeiro é como locutora em uma rádio web, aos sábados, às 11h. O programa tem o nome Voces de Venezuela e é em espanhol, o que me faz sentir muito cômoda. Os temas são variados. Procuro que sejam um conteúdo educativo e de apoio positivo. Nunca se sabe quando uma palavra de apoio mudará a vida de outra pessoa para melhor.

O outro é com a ONG Estou Refugiado. É um trabalho voluntário onde posso dar apoio a outros migrantes com informação, traduções, orientações. Devido à pandemia, faço entrevistas telefônicas, criando um currículo em nossa página web www.somamos.net.br. Lá temos um banco de dados, procuramos oportunidades de emprego para cada um de acordo com seu perfil. Fazemos reuniões virtuais a cada semana. Na reunião de hoje me ofereceram a oportunidade de ser membro do conselho consultivo, querem que eu participe ativamente da ONG. Me senti orgulhosa, não esperava um reconhecimento como esse. Obrigada.

Meses antes da quarentena entrei em um projeto com a ONG que consiste em viajar para Boa Vista durante três meses, registrar os currículos de meus irmãos venezuelanos que moram lá e assim ajudá-los a sair de Boa Vista, mas com trabalho, o que me parece um projeto maravilhoso. Esse projeto foi retomado, e me ofereceram a oportunidade de liderá-lo de lá. A simples ideia me emociona, sei que posso fazê-lo.

Mas aí vem o “porém”. Aceitei entrar em uma relação e sinto que estou construindo algo bonito aqui em São Paulo. Tenho alguém que me espera e a quem espero com carinho. Mudar de cidade, começar do zero, deixar tudo para trás outras vez é um pensamento que me sufoca. Sei que como migrante a mudança é uma constante na minha vida. Ainda não decidi o que fazer. É preciso muita força para começar de novo outra vez e não sei se tenho essa força.


13 de Setembro de 2020

Estando na Venezuela me graduei como advogada em 2001 e como administradora em 2005. Em 2015 comecei uma pós-graduação em ciências penais e criminalísticas, que não terminei por causa de um acidente que me impediu de caminhar por vários meses e me manteve entrando e saindo de salas de cirurgia durante um tempo. Só me faltou entregar minha tese para terminar essa pós-graduação.

Desde que comecei a trabalhar na minha área me apaixonei pela minha carreira. Gosto de ser produtiva. Aos 30 anos tinha um filho, trabalhava como assessora jurídica de uma construtora, gerente de uma lavanderia e administradora de uma emissora de rádio. Tinha três trabalhos. Isso e criar o meu filho preenchiam meus dias. Era muita adrenalina e me fazia sentir bem. Eu tinha conseguido comprar minha casa e meu carro, já estava me organizando para iniciar minha própria empresa como assessora jurídica.

Já se passaram 11 anos disso tudo, parece que foi em outra vida, em outro mundo. Tudo mudou ao meu redor. Há dias que me sinto perdida, que já não tenho controle da minha vida. Mas ainda assim não sinto que haja perdido tempo. Tudo o que vivi me faz ser quem sou agora. Apesar de não negar que seja frustrante sentir que tantos conhecimentos não sejam aproveitados só pelo fato de não ter nascido aqui, sei que posso dar mais. Sou útil para este país. Poder produzir para mim, para minha família e servir o Brasil de outra maneira é meu sonho. Por agora me limito a lavar pisos e esfregar pratos para levar o pão à mesa e pagar as contas.

Sei que como eu estão muitos dos meus conterrâneos, mas continuo trabalhando no que consigo, esperando pela minha oportunidade, ter um trabalho estável e bem remunerado é minha próxima meta. Ter liberdade financeira me trará a estabilidade emocional que tanto desejo.


14 de Setembro de 2020

Coronavírus, pandemia, isolamento, morte, dor e medo. São palavras que andam juntas nestes tempos. Há poucos dias uma amiga chorava desconsolada porque um de seus irmãos morreu devido ao coronavírus estando na Venezuela. Morreu por falta de tratamento médico, enquanto que uma irmã que vive no Chile se infectou também. O pior pesadelo de quem emigra se tornou realidade para ela, e sua situação me afetou. E é que perder um ser querido já é duro, mas quando você não pode dizer o último adeus, despedir-se de acordo com nossos costumes, você sente que o luto não termina.

A quarentena gerou escassas oportunidades de emprego, maior isolamento social, o que restringe o contato humano, nos fez mudar nossas prioridades. Nestes dias ouvi vários de meus conterrâneos pensando em voltar para a Venezuela, sem importar as condições ou consequências, e repetem uma frase constantemente: se vou morrer, que seja na minha terra. Cada vez que escuto isso lembro quão longe estou de casa e de alguma maneira me faz sentir indefesa.

O coronavírus não distingue classe social, sexo, raça. A ideia de morrer longe da minha família, não permitir a eles fechar esse ciclo, me entristece. Não queria nunca causar essa dor a eles. Só me resta me cuidar o melhor possível, rezar e repetir a cada dia, Senhor, faça-a sua vontade, não a minha.


15 de Setembro de 2020

Tenho três sobrinhos: Gabriel, de 19 anos, Matias, de 3 anos, e Aranza, de 2 anos. Eles estão com seus pais na Venezuela. Hoje me ligou o Gabriel, a quem chamo meu pequeno grilo. Estuda dois cursos neste momento. Acaba de se graduar como técnico tradutor de inglês e em paralelo estuda em outra universidade para ser jornalista. Eu o ajudo economicamente cada vez que posso. Um jovem que na idade dele em um país em ditadura luta diariamente para progredir me enche de orgulho. Quando me falou de suas conquistas gritei de alegria. E me disse: Você é meu exemplo, tia. Suas palavras me bateram direto no coração. Sempre serás meu pequeno grilo.

Meu outro sobrinho, Mathias, a ele chamo de cabeça de cenoura, pois quando nasceu é até fazer dois anos seus cabelos eram quase alaranjados. Esse é um guerreiro. Nasceu com uma malformação no coração que o manteve entrando e saindo de hospitais desde a primeira semana de vida, quando teve seu primeiro infarto. Com apenas dois anos foi operado do coração. Isso deixou uma enorme cicatriz em seu peito, mas não apagou o sorriso de seu rosto. Ainda está se recuperando. Seu olhar antes se notava cansado e hoje brilha. Seus olhos gritam: Sou forte, estou vivo e vou comer o mundo. Ou pelo menos assim é como eu o vejo.

Gabriel

Mathias

Aranza

É tem a Aranza, minha única sobrinha até agora. Ainda não a conheço pessoalmente, pois poucos dias depois que ela nasceu saí do país. Me enviam áudios com sua voz sempre que podem. Ela me promete que vai se comportar bem e eu acredito.

Gostaria de participar mais ativamente de seus dias. Seria a tia louca e permissiva, com quem teriam milhares de aventuras, mas sei que não é possível. É parte do preço de migrar: você deixa de participar ativamente da vida de seus seres queridos.


17 de Setembro de 2020

Hoje recebi uma ligação de um amigo, José Gregório, a quem conheci durante minha viagem de Boa Vista a São Paulo. Estivemos um tempo no mesmo abrigo. Sempre serei agradecida por suas palavras de apoio. As coisas não foram bem para ele no Brasil e depois de um ano e meio decidiu voltar para a Venezuela com sua família.

Ele me conta coisas que meus pais não me dizem sobre a situação do país. Me comenta que o que eu vejo na televisão e pelas redes sociais é pouco comparado com o que se enfrentam dia a dia. Isso me entristece. De onde estou, só posso apoiar aos que estão aqui na ONG com a qual trabalho.

Eles começaram uma campanha para entregar cestas básicas a imigrantes e brasileiros mais vulneráveis. Demos apoio, mas ainda falta. É um trabalho que esgota e é até arriscado devido à situação, mas vale a pena. É toda uma família que se salva da fome.

Neste momento a solidariedade do brasileiro com o próximo é o que me faz querer trazer meus filhos para cá. Quero que aprendam essa lição de humanidade com fatos e que entendam que esses pequenos gestos são o que engrandecem um país.


18 de Setembro de 2020

Depois de receber a ligação de um amigo decidi voltar a checar diariamente as notícias da Venezuela. Antes me limitava aos títulos. Fazia isso para não me estressar mais.

Não tenho palavras que possam descrever a profunda tristeza, frustração e preocupação que me causa conhecer o deplorável estado de tudo. As pessoas morrem por doenças que se imaginavam extintas, a deterioração de ruas e empresas é produto do abandono e da indiferença. A corrupção é a rainha e a justiça não existe. O pior é que tudo poderia ser prevenido, corrigido. Só falta vontade. É aterrador se sentir inseguro em sua própria casa. E essa é a realidade do venezuelano.

Hoje consegui fazer outra videochamada com meus filhos. Vejo a mesma alegria em seus olhos e acredito que os meus também brilham. Mas hoje meu filho fez algo diferente. Se afastou da câmera, esticou os braços e me disse: mamãe, quero um abraço. Tive que interromper a chamada. Enviei uma mensagem a ele dizendo que perdi o sinal. Não queria que me visse chorar.

Eu também quero te abraçar, filho. Anseio por poder tirar vocês daí. Merecem uma oportunidade. Luto cada dia por tê-la. Tenho fé de que estaremos juntos de novo e te darei todos os abraços que te devo.


21 de Setembro de 2020

Saio quase diariamente procurando um trabalho fixo. Até agora só consegui um trabalho temporário como auxiliar de limpeza em um restaurante perto da estação Santa Cecília. Neste momento é minha melhor opção para ter algo de dinheiro. Estavam fazendo reformas para abrir depois de seis meses fechados por causa da pandemia.

O pessoal que trabalha lá em sua maioria é de origem palestina. Falam árabe e português. Por minha parte falo espanhol e português. Todos temos um forte sotaque do nosso país de origem e há dias em que me custa entender o que dizem. Hoje, após uma longa jornada de trabalho e como ainda não habilitaram a cozinha, saímos para almoçar perto. Talvez tenha sido pelo cansaço, mas senti muito barulho na rua, de carros, música e de gente conversando em diferentes idiomas. Os que estavam na minha mesa falavam em árabe, o pessoal que nos atendeu falava português, e por alguns minutos não conseguia entender ninguém. Me senti isolada, sozinha entre tanta gente. Tive o que acho que chamam de bloqueio mental e só tinha barulhos na minha cabeça que não conseguia identificar. Não disse nada e comi em silêncio.

De volta ao restaurante, vi uma folha no chão e sua forma e sua cor me chamaram a atenção. Senti que estava como fora de lugar. Me detive e tirei uma foto, porque por estranho que pareça, hoje me sinto como ela.


22 de Setembro de 2020

Não consigo ficar sem fazer nada. Ocupo meu tempo dando orientação por meio da ONG a qualquer um que precise. Assim meus pensamentos tristes me deixam em paz por alguns momentos.

Vejo meu currículo, penso em tirar alguns cursos que fiz. Quando o apresento, me olham estranho e me dizem que não sabem onde enquadrar meu perfil. Isso é frustrante, mas estou consciente de que são dias difíceis para todos.

Ontem a ONG mandou para a minha casa um lote de cestas básicas e de roupas para que eu distribua entre os migrantes que conheço. Eu as entrego em minha casa. Me sinto útil com essas atividades, crio laços com a comunidade de migrantes, a casa se enche de sons conhecidos. É uma regra escutar música venezuelana na minha casa quando faço essas entregas. Consigo compartilhar o tempo e o que tenho com pessoas que entendem como eu me sinto. Estou convencida de que eles me ajudam mais a mim do que eu a eles.

Por meio dessas atividades conheci outra parte de quem hoje é meu companheiro de vida. Ele parece desfrutar desses encontros. Fala espanhol fluente e conhece a cultura do meu país. Tem conhecidos na comunidade. Isso me faz pensar que não errei ao deixá-lo entrar em minha vida. Juntos estamos construindo laços e somos parte de algo.


24 de Setembro de 2020

Me chama a atenção a ideia que alguns brasileiros têm do meu país. Quando digo que sou da Venezuela, falam que é um país rico e de lindas mulheres. Me perguntam com certa surpresa: como é possível termos passado de um dos países mais ricos a um dos mais pobres em 20 anos. A resposta é simples: se trata de uma má gestão.

A Venezuela e o Brasil compartilham quilômetros de fronteira. São países vizinhos. Ter ao lado um ditador é algo que inquieta o brasileiro, e tem razão de se sentir assim. Meu país está em mãos de um ditador medíocre e nefasto que arruinou a vida de milhões de pessoas.

Outra pergunta que reflete a inquietação do brasileiro com a Venezuela é que pedem minha opinião sobre o governo do Brasil. Me perguntam se acredito que vai se transformar em algo parecido com a Venezuela. Rogo a Deus para que esta ideia nunca se torne realidade. Mas uma coisa é certa: o que acontece no meu país os coloca a pensar em sua própria estabilidade.

Procuro não opinar sobre a política do Brasil, o brasileiro é o único que tem direito de opinar e decidir sobre a política do país e quem tomará as rédeas. Só me limito a deixar uma reflexão. Lhes peço que levem a sério tudo o que se refere à política. Um mau gerente pode acabar com o futuro de várias gerações. Sou a prova viva disso.


Esta mensagem estava em um ponto de ônibus. Só quero agradecer a quem a publicou. Me alegrou o dia.


25 de Setembro de 2020

Hoje conheci uma jovem venezuelana que chegou a São Paulo há um mês. Passou vários meses em Boa Vista. Sua situação atual me fez lembrar muitas coisas que achei que tinha esquecido.

É muito diferente a situação do venezuelano que está na fronteira do que chega às cidades do interior do Brasil. Nas cidades fronteiriças com a Venezuela, a relação entre os venezuelanos e os nacionais é tensa. A xenofobia é lei, a falta de oportunidade de emprego cria uma competição quase selvagem. O choque cultural é mais forte, o calor é sufocante nas cidades fronteiriças, o que esgota física e mentalmente, e isso não ajuda a acalmar os ânimos.

É complicado viver lá, e ainda assim tentei por vários meses isso. Queria ir a para estar perto da minha família. Mas a pandemia mudou a forma de ver as coisas. Aqui em São Paulo consegui ter um círculo de amizades que durante esta quarentena cresceu em seu apoio e palavras de ânimo. Juntos somos mais fortes.

Definitivamente tenho um vínculo com esta cidade. É onde aprendi a amar o Brasil, onde tenho certa estabilidade e, apesar de em princípio sua grandeza ter me constrangido, me sinto cômoda aqui. Parte do meu coração é paulista.


26 de Setembro de 2020

Acho que em todos os países há estereótipos. O Brasil é sinônimo de carnaval e futebol. No caso da Venezuela, petróleo e concursos de beleza. Em nossa cultura as mulheres somos ensinadas que devemos estar apresentáveis as 24 horas do dia os 365 dias do ano. Aprendemos de maquiagem e a caminhar com sapatos de salto alto desde muito jovens. Isso último marca um diferencial inclusive ao caminhar.

Neste fim de semana veio à minha casa a filha de uma amiga. A menina tem dez anos, nasceu na Venezuela e nossa cultura está nela. Enquanto conversávamos, me disse que quer ser modelo quando for maior. Ensinei-a a caminhar com sapatos altos, como fizeram comigo quando eu tinha a idade dela.

Na hora foi divertido. Quando ela foi embora, senti muita nostalgia. Queria poder ensinar essas coisas à minha filha, passar esses detalhes de nossa cultura. São momentos únicos que nos definem. Agora sinto que não sou parte de suas vidas. Espero ter a oportunidade de tê-los comigo de novo e me sentir completa outra vez.


Brincando com vestidos e sapatos altos, parte de ser venezuelana


28 de Setembro de 2020

Amanheci em uma onda reflexiva e me surgem respostas a algumas perguntas. O que você perdeu e ganhou ao migrar? Acho que perdi no aspecto profissional. Os estudos e a experiência adquirida no meu país não são muito valorizados no Brasil. Ganhei uma oportunidade de refazer minha vida e estabilidade emocional.

Que coisas me fazem falta? Me faz falta minha família e meus amigos.

O que você aprendeu com a experiência? Viver em um país diferente me fez apreciar e valorizar mais meus seres queridos, assim como as coisas positivas de minha querida Venezuela.

Tradução de Flávia Mantovani

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