EUA adotam restrições para vistos de membros do Partido Comunista Chinês

Medida tem efeito imediato e limita validade da autorização de visitante para um mês; antes, eram dez anos

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Paul Mozur Raymond Zhong
The New York Times

Os Estados Unidos anunciaram novas regras para restringir viagens de membros do Partido Comunista Chinês e seus parentes diretos. A medida do governo Trump foi anunciada nesta quarta-feira (2) e pode ser mais um fator de tensão na crise diplomática com o país asiático.

A mudança, que tem efeito imediato, limita a duração do visto de viagem para um mês, de acordo com um porta-voz do Departamento de Estado. Anteriormente, membros do partido e seus familiares podiam obter vistos válidos por dez anos, assim como qualquer cidadão chinês.

A permissão também fica restrita a uma única entrada, em vez de várias. A nova medida se aplica somente a visto e não impede que membros do partido se candidatem para outros tipos de autorização, como para imigração ou trabalho. O porta-voz do Departamento de Estado acrescentou que nenhum visto atual seria revogado.

A mudança de política poderia afetar viagens de cerca de 270 milhões de pessoas. O governo estima que o Partido Comunista tenha cerca de 92 milhões de membros, embora, na prática, seja difícil determinar quais são, além dos funcionários de alto escalão.

De acordo com pessoas familiarizadas com as novas regras, as autoridades americanas podem fazer uma determinação sobre o status de alguém no Partido Comunista com base em seu pedido de visto e entrevista, bem como no entendimento local das autoridades sobre a filiação ao partido.

O porta-voz do Departamento de Estado classificou a mudança como "ação contínua de política, regulamentação e aplicação da lei em todo o governo dos EUA para proteger a nação da influência maligna do PCC". “Por décadas permitimos o acesso livre e irrestrito do PCC às instituições e empresas dos EUA, embora esses mesmos privilégios nunca tenham sido estendidos a cidadãos dos EUA na China.”

Uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, condenou as novas restrições durante entrevista coletiva nesta quinta (3). “Esperamos que os EUA adotem uma visão racional comum em relação à China e desistam do ódio e mentalidade anormal em relação ao Partido Comunista.”

As novas regras podem ser o primeiro passo na tentativa de rastrear sistematicamente os membros do partido de baixo escalão que visitam os EUA. As pessoas que tentarem ocultar sua filiação partidária enquanto solicitam um visto podem ficar expostas a acusações de fraude se descobertas posteriormente.

Mesmo assim, as restrições são mais moderadas do que uma proibição total de viagens aos Estados Unidos por membros do partido, que o governo Trump chegou a discutir.

A mudança de política provavelmente causará retaliação de Pequim, embora as viagens entre China e EUA já tenham sido extremamente limitadas pelo coronavírus. Ainda no início da pandemia, em 31 de janeiro, Trump determinou a proibição de entrada nos EUA de estrangeiros vindos da China.

As restrições de visto e a provável resposta chinesa serão mais um desafio para Joe Biden que herda uma relação EUA-China em seu pior estado desde a normalização dos elos diplomáticos, em 1979.

Embora alguns possam esperar um restabelecimento das relações por parte de Biden, suas opiniões sobre a China endureceram desde que ele foi vice-presidente do governo de Barack Obama. Biden parece estar comprometido em deixar em vigor muitas das medidas tomadas pelo governo Trump, incluindo tarifas e restrições à tecnologia chinesa.

Durante o governo do republicano, o Departamento de Estado anunciou outras restrições de visto para várias categorias de cidadãos chineses, entre as quais a pessoas que trabalham nos EUA para organizações de notícias chinesas controladas pelo Estado e funcionários considerados responsáveis ​​pela repressão política em Hong Kong.

Em maio, autoridades americanas disseram que o governo estava cancelando os vistos de estudantes chineses nos Estados Unidos que tinham ligações com certas instituições militares chinesas —eles são o maior grupo de estudantes internacionais do país.

Em 2014, os Estados Unidos e a China concordaram em aumentar a duração dos vistos de turismo e negócio de 1 para 10 anos, para ambos os lados. O acordo foi alcançado durante uma visita de Obama a Pequim, em uma época de relações mais calorosas entre as duas nações. Ao anunciar a nova política de vistos, a Casa Branca elogiou os benefícios para a indústria do turismo e o comércio com a China.

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