Giuliani teria discutido com Trump concessão de perdão presidencial preventivo

De acordo com New York Times, presidente não indicou se dará indulto a advogado

The New York Times

Rudy Giuliani, principal advogado de Donald Trump, discutiu recentemente a possibilidade de receber um perdão presidencial preventivo, segundo duas pessoas inteiradas do tema disseram ao jornal The New York Times.

Não está claro quem trouxe a questão à tona. Trump, de acordo com uma das fontes, não indicou se concederá o indulto ao aliado, responsável por liderar os esforços para reverter o resultado das eleições.

Os crimes que Giuliani teria cometido tampouco são claros. Ele está sob investigação por procuradores federais em Manhattan devido a negócios na Ucrânia e ao papel desempenhado para afastar a embaixadora americana no país, um plano no centro do processo de impeachment de Trump.

Rudy Giuliani, advogado pessoal de Donald Trump, discursa durante evento em Villepinte, próximo a Paris
Rudy Giuliani, advogado pessoal de Donald Trump, discursa durante evento em Villepinte, próximo a Paris - Regis Duvignau - 30.jun.18/Reuters

O presidente Trump também discutiu com conselheiros sobre a possibilidade de conceder perdões preventivos a seus filhos e aseu genro. Trump estaria preocupado com a possibilidade de um Departamento de Justiça de Biden buscar retaliação contra o presidente, visando os três mais velhos de seus cinco filhos —Donald Trump Jr., Eric Trump e Ivanka Trump— bem como o marido de Ivanka, Jared Kushner, um conselheiro da Casa Branca.

Donald Trump Jr. estava sendo investigado por contatos que tivera com russos para oferecer informações prejudiciais sobre Hillary Clinton durante a campanha de 2016, mas nunca chegou a ser formalmente acusado.

Kushner forneceu informações falsas às autoridades federais sobre seus contatos com estrangeiros para obter um documento que lhe permite ter acesso a informações confidenciais e segredos de Estado, mas conseguiu a autorização por meio do sogro presidente.

A natureza da preocupação de Trump sobre qualquer potencial exposição criminal de Eric Trump ou Ivanka Trump não é clara, embora uma investigação do promotor distrital de Manhattan sobre a Organização Trump tenha se expandido para incluir reduções de impostos sobre milhões de dólares em honorários de consultoria pelo empresa, algumas das quais parecem ter beneficiado Ivanka.

Giuliani não respondeu a um pedido de comentário. A porta-voz do ex-prefeito de Nova York, Christianne Allen, por sua vez, afirmou que ele "não pode comentar nenhuma discussão que teve com seu cliente". Já o advogado de Giuliani, Robert Costello, disse que ele não está preocupado com essa investigação, porque ele não fez nada de errado. "Esta tem sido nossa posição desde o dia 1."

Uma porta-voz de Trump não respondeu a um email com pedido de comentários.

Perdões presidenciais amplos, que antecedem quaisquer acusações ou condenações, são incomuns, mas têm precedentes. George Washington concedeu indulto aos conspiradores da Rebelião do Whiskey. No exemplo mais famoso, Gerald Ford perdoou Richard Nixon por todas as ações dele como presidente.

Jimmy Carter também livrou milhares de americanos que se negaram, ilegalmente, a integrar as Forças Armadas na Guerra do Vietnã. Já Trump usou seus poderes de clemência em episódios que o afetam pessoalmente ou que envolvem pessoas ligadas a ele por meio de amigos ou parentes, enquanto milhares de outros casos aguardam sua análise.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos está investigando um possível crime relacionado ao pagamento de proprina à Casa Branca em troca de perdão presidencial. A juíza federal Beryl Howell, de Washington, divulgou nesta terça-feira (1º) uma ordem que descreve o que ela chamou de investigação de "suborno para indulto".

Segundo o documento, os promotores federais em Washington disseram ter obtido evidências de um esquema de suborno no qual alguém "ofereceria uma contribuição política substancial em troca de perdão presidencial ou suspensão da pena".

No entanto, cerca de metade do relatório de 18 páginas foi apagada, com a versão publicamente disponível fornecendo poucos detalhes e não mencionando nenhuma das pessoas potencialmente envolvidas.

Na semana passada, ele perdoou seu ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn que se declarou duas vezes culpado ao FBI, a polícia federal americana, por mentir para investigadores no caso da interferência russa nas eleições de 2016. O movimento levantou a expectativa de que o presidente indulte outros aliados em seus últimos dias na Casa Branca.

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