Trump arrecada US$ 170 milhões desde eleição enquanto tenta reverter derrota

Campanha do republicano elevou volume de solicitações de dinheiro enviadas por email

Shane Goldmacher Maggie Haberman
The New York Times

O presidente Donald Trump já levantou cerca de US$ 170 milhões (R$ 891 milhões) desde as eleições nos Estados Unidos, em 3 de novembro.

Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, sua campanha vem travando um esforço intenso para pedir doações, com apelos aplamente divulgados que estão financiando suas tentativas infrutíferas de reverter os resultados da eleição e subsidiando suas ambições políticas pós-presidenciais.

O dinheiro –boa parte do qual foi levantado na primeira semana após a eleição— chegou enquanto Trump vinha dando declarações falsas sobre fraude e procurando subverter a confiança pública na legitimidade da vitória do presidente eleito Joe Biden.

Em vez de desacelerar após a eleição, a campanha de Trump elevou seu volume de solicitações de dinheiro enviadas por email, dizendo a seus seguidores que o dinheiro é necessário para um Fundo de Defesa da Eleição.

Na realidade, as letras miúdas revelam que os primeiros 75% de qualquer contribuição estão indo parar em um novo comitê de ação política (PAC, na sigla em inglês) que Trump criou em meados de novembro, o Save America (salve a América), que pode ser usado para financiar suas atividades políticas de agora em diante, incluindo pagar viagens e funcionários. Os outros 25% de cada doação vão para o Comitê Nacional Republicano.

Cada doador precisa dar pelo menos US$ 5.000 (cerca de R$ 26 mil) para o novo PAC de Trump antes que qualquer dinheiro dele vá para a nova conta criada para pagar pela recontagem de votos.

Mesmo assim, a campanha de Trump continua a lançar apelos urgentes por dinheiro. Na segunda-feira (30), o presidente republicano assinou um email de campanha dizendo aos eleitores, em tom de urgência máxima, que o final de novembro –quase quatro semanas após o dia da eleição— representava o "prazo MAIS IMPORTANTE DE TODOS”.

O Washington Post divulgou na segunda que os esforços de Trump desde a eleição já levantaram mais de US$ 150 milhões (cerca de R$ 812 milhões). Tim Murtaugh, um porta-voz da campanha de Trump, negou-se a comentar o trabalho de arrecadação de fundos.

A cifra de US$ 170 milhões reunida em menos de quatro semanas é um valor altíssimo que rivaliza com os valores levantados no auge da campanha.

Não foi possível obter um detalhamento do dinheiro imediatamente, mas ao que tudo indica a enxurrada de doações teria saldado qualquer dívida remanescente da campanha de Trump (nos primeiros dias após a eleição, as letras miúdas mostraram que as contribuições foram reservadas para isso).

É provável que o dinheiro também garanta a Trump uma dianteira financeira considerável para pagar por suas atividades políticas pós-presidenciais.

Apesar do influxo de dinheiro, tanto a campanha de Trump quanto o Comitê Nacional Republicano reduziram seu quadro de pessoal desde a eleição.

Em outubro a campanha de Trump começou a ticar automaticamente uma caixinha em seu site na internet para que mais doadores fizessem doações semanais adicionais de suas contas bancárias até 14 de dezembro –o dia em que o Colégio Eleitoral vai votar—, para criar um fluxo de receita pós-eleição.

Os doadores podem cancelar com um tique adicional, mas críticos descrevem a tática como enganosa.

A equipe de Trump criou o comitê de ação política, conhecido como um PAC de liderança, em parte para captar o fluxo de dinheiro pós-eleição, segundo pessoas que estão a par do assunto.

No momento os doadores no site de Trump são ativados para fazer contribuições mensais, por meio de uma caixinha que já vem previamente ticada.

Rob Flaherty, que foi o diretor digital de Biden, disse no Twitter que os valores enormes levantados por Trump desde a eleição são frutos de “fraude pura e simples”.

Na segunda, Arizona e Wisconsin, dois Estados contestados que Biden conquistou neste ano, certificaram seus resultados eleitorais, formalizando a vitória de Biden, enquanto Trump e seus aliados continuam a queixar-se de fraude sem apresentar quaisquer provas.

Tradução de Clara Allain

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