Trump determina que edifícios federais devem seguir estilo greco-romano

Ordem executiva estipula que novos prédios públicos sejam 'belos', em oposição à arquitetura modernista

Nova York | The New York Times

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva na segunda-feira (21) determinando que a arquitetura clássica seja o estilo preferencial para edifícios federais novos, mas não chegou a excluir a possibilidade de estilos mais recentes entrarem em consideração.

Intitulado “Promovendo Arquitetura Federal Cívica Bela”, a ordem executiva determina que os edifícios federais sejam “belos” e elogia as características da arquitetura greco-romana. Em contraste com ela, projetos modernistas mais recentes são descritos como sendo “feios e desiguais”.

“A arquitetura clássica e de outros estilos tradicionais, conforme praticada tanto historicamente quanto pelos arquitetos de hoje, já comprovou ser capaz de satisfazer a esses critérios de design e outros, de modo a atender às exigências funcionais, técnicas e sustentáveis de hoje”, diz a ordem. “Seu uso deve ser incentivado, em lugar de desencorajado.”

O Congresso americano, em Washington - Tom Brenner -4.dez.2020/Reuters

Assinada nos dias finais da administração Trump, a ordem executiva representa uma vitória para os tradicionalistas que veem a arquitetura contemporânea como degradada e desumanizadora.

Mas muitos membros da comunidade arquitetônica criticaram a imposição de um estilo preferencial em edifícios federais. No início do ano, entidades que incluíram o Instituto Americano de Arquitetos e a Fundação Nacional de Preservação Histórica se posicionaram contra um texto provisório da ordem executiva que teria proibido o design modernista.

A nova regra teve o apoio da organização sem fins lucrativos Sociedade Nacional de Arte Cívica.

“O presidente Trump deve ser aplaudido por inaugurar uma nova era literalmente bela na arquitetura federal”, disse Justin Shubow, presidente da organização. “Derrubando a hegemonia modernista que há 60 anos nos vem produzindo edifícios públicos deprimentes, a ordem dá ao povo americano o que ele deseja em matéria de arquitetura federal.”

Mas a ordem executiva foi criticada por arquitetos, ao mesmo tempo em que alguns a descrevem como relativamente inoperante.

“Estamos pasmos com a decisão da administração de impor uma ordem ao design arquitetônico, mas estamos satisfeitos porque a ordem não tem alcance tão grande quanto se pensou previamente que teria”, disse Robert Ivy, executivo-chefe do Instituto Americano de Arquitetos, em declaração na qual prometeu que sua entidade jamais vai priorizar um estilo de design arquitetônico sobre qualquer outro. A organização disse que vai pedir que a administração Biden revogue a ordem.

Michael Kimmelman, o crítico de arquitetura do New York Times, condenou a medida em fevereiro. “O simples fato de estarmos tendo esta discussão parece aviltante”, escreveu.

Para alguns, a ordem executiva diz respeito a mais do que apenas estilo arquitetônico.

“A ordem executiva não tem sentido”, comentou Reinhold Martin, professor de arquitetura da Universidade Columbia. “É uma tentativa de utilizar a cultura para transmitir mensagens codificadas sobre supremacia branca e hegemonia política.”

A ordem executiva também vai modernizar o processo de seleção da Administração de Serviços Gerais, exigindo a contribuição de opiniões do grande público e dos futuros funcionários de edifícios. Atualizações adicionais serão recomendadas por um comitê de assessores públicos recém-criado chamado o Conselho do Presidente para a Melhoria da Arquitetura Cívica Federal.

As novas regras vão se aplicar à construção de edifícios de tribunais federais e sedes de órgãos federais, repartições públicas em Washington e projetos orçados em mais de US$ 50 milhões (cerca de R$ 260 milhões).

Representantes da futura administração Biden não responderam imediatamente a e-mails perguntando se o presidente eleito pretende manter a ordem executiva depois de tomar posse, em janeiro.

Tradução de Clara Allain

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