Descrição de chapéu Governo Trump

Trump veta orçamento militar por não incluir retaliação às big techs

Presidente americano queria que lei derrubasse imunidade das plataformas de internet

Washington | Reuters

O presidente Donald Trump vetou, nesta quarta-feira (23), o orçamento anual de gastos militares, o que pode levar Câmara e Senado a derrubarem um veto pela primeira vez no governo do republicano —já que ambas as casas haviam aprovado a legislação com ampla maioria.

Trump exigia que a lei incluísse a revogação da legislação que dá imunidade a plataformas de internet, que ele acusa de perseguirem conservadores. Trump quer reformular a seção 230 do Ato de Decência nas Comunicações, de 1996, que exime as plataformas de responsabilidade por conteúdo postado por terceiros.

O presidente dos EUA, Donald Trump, é saudado por militares antes de embarcar para a Flórida - Saul Loeb/AFP

Ele se voltou contra as plataformas quando elas começaram a fazer checagem de suas declarações e a rotular ou derrubar publicações com informações falsas sobre a Covid-19, que incitavam violência ou que questionavam a integridade das eleições.

“A seção 230 facilita a disseminação de desinformação estrangeira online, que é uma séria ameaça à nossa segurança nacional", disse Trump em um comunicado nesta quarta. "Ela precisa ser revogada."

Mas tanto republicanos, quanto democratas argumentaram que essa provisão não tem nada a ver com assuntos militares, o tema da legislação em discussão, e que o orçamento militar foi aprovado anualmente nos últimos 60 anos.

“Meu governo tem adotados medidas para manter nossa nação segura e apoiar os membros das forças armadas”, disse Trump na notificação sobre o veto. “Eu não vou sancionar essa lei, que coloca os interesses do establishment de Washington à frente daqueles do povo americano.”

Ao se recusar a sancionar a legislação, que autoriza gastos militares de US$ 740 bilhões (R$ 3,9 trilhões), Trump citou também a medida que permitiria aos militares tirarem os nomes de líderes confederados de bases militares.

Os confederados defendiam a escravidão nos EUA e perderam a Guerra Civil Americana, em 1865. Muitas estátuas de confederados têm sido removidas de espaços públicos, por homenagear líderes que advogavam segregação racial. A extrema direita se opõe à remoção de estátuas e bandeiras de cunho racista.

A Câmara deve voltar a se reunir na segunda-feira (28) para derrubar o veto presidencial. Se o apoio na Casa for suficiente, o Senado deve se reunir na terça-feira (29) para discutir se toma a mesma atitude. Alguns senadores republicanos resistem a derrubar o veto de Trump.

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