Descrição de chapéu Coronavírus Portugal

Viajantes em Portugal relatam dificuldade de agendar teste de Covid exigido para voltar ao Brasil

Alta demanda nos laboratórios devido às festas de fim de ano provoca problemas para marcar exame

Lisboa

A alta na demanda por testes de detecção da Covid-19 em meio às festas de fim de ano –com muitos europeus obrigados a realizar o exame para circular no próprio continente– fez com que brasileiros em Portugal relatassem dificuldades para realizar o exame, obrigatório a partir desta quarta-feira (30) a viajantes que estão no exterior e querem entrar no Brasil.

Como a maioria dos países exige que o teste seja realizado 72 horas antes do embarque (caso também da norma brasileira), um período de maior movimentação em aeroportos, como Natal e Ano-Novo, complica os agendamentos em laboratórios. Há, ainda, um aumento na procura devido aos que vão permanecer no país e querem fazer o teste antes de encontrar familiares ou amigos.

Com passagem marcada para o dia 31, a paulistana Márcia Oliveira diz ter sofrido para conseguir marcar, em Lisboa, a análise do tipo PCR dentro do prazo de antecedência exigido pelas autoridades brasileiras.

Profissional de saúde em local com esquema drive-thru para teste de detecção da Covid-19, em Lisboa
Profissional de saúde em local com esquema drive-thru para teste de detecção da Covid-19, em Lisboa - Rafael Mercante - 26.mar.20/Reuters

“Fui pega de surpresa quando anunciaram a obrigatoriedade do teste [em 17 de dezembro]. Já tinha agendado um exame no Brasil antes de ir a Portugal [exigência em vigor desde agosto], mas não tinha planejado fazer antes de embarcar de volta”, conta. Com muita insistência, conseguiu um encaixe de última hora em um laboratório particular, no qual pagou 100 euros (cerca de R$ 645) pelo teste.

Nas redes sociais, brasileiros em outras cidades europeias, como Paris e Dublin, também relatam dificuldades para realizar o teste nos últimos dias do ano. Em Berlim, por outro lado, não há registro de problemas e há muitas vagas disponíveis online.

Residente na capital alemã, o paulistano Gustavo Miller conta que as filas e as limitações de horário estão mais concentradas em lugares que oferecem testes a preços mais baixos.

“No aeroporto de Berlim, que tem um dos preços mais baratos, eles começam a atender às 7h, mas dizem que o ideal é chegar mais cedo para garantir atendimento. Dependendo da procura, também dizem que podem ter de encerrar mais cedo”, diz. “Mas procurei em outros lugares e está bem tranquilo.”

De maneira geral, porém, a tendência é a de que haja melhora já nos primeiros dias de janeiro, quando o gargalo da demanda devido às viagens de Natal e Ano-Novo deve estar mais diluído.

Vários países também têm investido no aumento da capacidade para realizar exames, especialmente em períodos de grande procura. Em Portugal, foram criados centros temporários de diagnóstico, uma espécie de instalação pop-up para exames de Covid-19.

O publicitário Mark Cohen, por exemplo, não teve dificuldade para marcar um teste para a segunda semana de janeiro na capital portuguesa. “Pude escolher a hora e o laboratório mais fáceis para mim. Acabei optando por um no estilo drive-thru, em que nem saio do carro”, afirmou.

Mesmo antes do anúncio de que o Brasil passaria a exigir o teste negativo para Covid-19, algumas agências de viagem já alertavam os clientes sobre a possibilidade, recomendando a realização do exame.

“A agência recomendou, mas, como a companhia aérea dizia que não era preciso [naquela altura], não fiz. Fiz depois de chegar ao Brasil, devido à possível exposição durante o voo e porque meus pais são do grupo de risco”, diz a paulistana Cecilia de Lucca, que viajou de Lisboa a São Paulo na semana passada.

Apesar de só ser adotado agora pelo Brasil, a obrigatoriedade de apresentação de teste negativo para Covid-19 é comum em muitos países há meses. De acordo com o último relatório da Organização Mundial do Turismo, com dados referentes a novembro, 126 destinos já exigiam o exame.

Os preços e as disponibilidades variam bastante. Mesmo entre países europeus, há diferenças significativas. Enquanto na França o teste é gratuito —mas com prioridade para quem tem sintomas ou teve contato com um caso positivo—, em Londres o preço do exame pode chegar a 250 libras (R$ 1.750).

Em Portugal, os testes só são gratuitos para quem tem suspeita de Covid-19. Os laboratórios particulares costumam cobrar 100 euros pelo teste. Uma iniciativa da Cruz Vermelha oferece o exame a preço mais barato, por 60 euros (cerca de R$ 380). Na Espanha, o teste PCR pode ser feito gratuitamente com prescrição médica. Nos demais casos, chega a custar 180 euros (cerca de R$ 1.144).

Em alguns países, o teste para a Covid-19 não é a única exigência. A Bélgica, por exemplo, determina que viajantes provenientes de áreas consideradas de alto contágio (praticamente a Europa inteira) façam uma quarentena de dez dias ao chegar ao país. É possível encurtar o período de isolamento se, após uma semana, o viajante fizer um teste que acusar resultado negativo para o coronavírus.

Já a Finlândia combina dois modelos. O país exige um teste feito 72 horas antes do embarque e obriga os viajantes a uma quarentena de 72 horas após a chegada, quando é necessário fazer um segundo exame antes que as pessoas sejam liberadas para circular livremente.

O Brasil permanece na lista de áreas de alto contágio. A maioria dos países da União Europeia continua aceitando a entrada apenas de brasileiros com residência em algum país-membro do bloco ou em casos especiais, como tratamentos de saúde e visita a familiares diretos.

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