Descrição de chapéu Governo Biden

Biden nomeia crítico de agenda ambiental de Bolsonaro para cuidar de América Latina

Juan Gonzalez questionou se 'liderança atual do Brasil está preparada para abordar os desafios do nosso tempo'

São Paulo

O presidente eleito dos EUA, Joe Biden, nomeou nesta sexta-feira (8) Juan Gonzalez como diretor sênior para o Hemisfério Ocidental no Conselho de Segurança Nacional —o que significa que ele será responsável por assuntos ligados à América Latina.

Gonzalez é crítico da agenda ambiental do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), e declarações anteriores do indicado mostram que o tema pode trazer conflitos à relação entre EUA e Brasil.

Em entrevista ao Washington Post, em outubro, disse que “em qualquer relacionamento que Biden tenha com líderes ao redor do mundo, a mudança climática estará no topo dessa agenda, e isso inclui o Brasil”.

“Qualquer pessoa que pensa que pode promover um relacionamento ambicioso com os Estados Unidos enquanto ignora questões importantes como mudança climática, democracia e direitos humanos claramente não tem ouvido Joe Biden durante a campanha”, afirmou.

Nascido na Colômbia e criado em Nova York, Gonzalez foi diretor do Conselho de Segurança Nacional para assuntos relacionados à América Latina entre 2011 e 2013, durante o governo de Barack Obama, do qual Biden foi vice.

Em um artigo publicado na revista Americas Quarterly, em julho, Gonzalez disse que "a relação Brasil-EUA tem enorme potencial sob o governo Biden", mas questionou se a "liderança atual do Brasil está preparada para abordar os desafios monumentais de nosso tempo".

Não é a primeira vez que Biden nomeia alguém que não enxerga o Brasil com bons olhos para compor seu governo. Em dezembro, escolheu Deb Haaland, uma deputada que por diversas vezes foi contra acordos entre os EUA e o Brasil de Bolsonaro, para ser secretária do Interior.

As possíveis tensões entre os governos já apareceram, inclusive, antes do resultado eleitoral americano. Durante o primeiro debate presidencial com Donald Trump, então candidato à reeleição, Biden disse que "a floresta tropical no Brasil está sendo destruída".

Ele afirmou que poderia impor sanções ao Brasil e mobilizar até US$ 20 bilhões (R$ 108,4 bilhões) para ajudar na proteção da Amazônia. À época, Bolsonaro classificou a fala como lamentável.

Democratas, principalmente aqueles da ala mais progressista do partido, já vinham criticando diversos aspectos do governo Bolsonaro, principalmente os relacionados a questões de direitos humanos e de política ambiental.

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