Com alerta para protestos armados, secretário de Segurança renuncia a 9 dias da posse de Biden

Capital dos EUA deve receber reforço de 15 mil agentes da Guarda Nacional

Washington | Reuters

O secretário interino do Departamento de Segurança Interna, Chad Wolf, renunciou nesta segunda-feira (11), nove dias antes da posse do presidente eleito Joe Biden. Ele era um dos responsáveis por coordenar a segurança do evento, que deve ser palco de novos episódios de violência.

A informação é do jornal The New York Times, que teve acesso à carta de demissão. Wolf disse aos funcionários do departamento que renunciaria em parte por causa de decisões judiciais que invalidavam algumas das políticas de imigração do governo Trump.

“Infelizmente, esta ação é justificada por eventos recentes, incluindo as decisões judiciais em andamento e sem mérito sobre a validade de minha autoridade como secretário interino”, afirmou Wolf na carta, que não faz menção ao episódio da última quarta (6), quando apoiadores de Trump invadiram o Congresso.

O secretário interino do Departamento de Segurança Interna, Chad Wolf, durante um comitê em Washington - Greg Nash - 23.set.2020/Reuters

“Esses eventos e preocupações servem cada vez mais para desviar a atenção e recursos do importante trabalho do Departamento neste momento crítico de transição de poder.”

Wolf provavelmente se referia ao Daca, programa que impede a deportação de imigrantes que entraram no país quando eram crianças. O secretário emitiu um memorando que restringia o programa apenas a pessoas que já estavam inscritas, mas, em dezembro, um juiz ordenou a restauração completa do programa criado em 2012 por Barack Obama.

Peter Gaynor, administrador da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências, substituirá Wolf como secretário interino e agora terá a tarefa de ajudar a garantir a segurança da posse de Biden, no dia 20.

O FBI, a polícia federal americana, emitiu um alerta nesta segunda sobre possíveis protestos armados que estão sendo planejados em Washington e em outras capitais de estados americanos, para o dia da posse.

Após a invasão do Congresso e diante de novas ameaças de violência por parte dos apoiadores de Donald Trump, a Guarda Nacional foi autorizada a enviar até 15 mil soldados a Washington.

Além disso, turistas estão proibidos de visitar o Monumento a Washington, obelisco que é um dos cartões-postais da cidade, até 24 de janeiro. Pelo menos dois policiais que trabalhavam no Capitólio foram suspensos e mais de uma dúzia estão sendo investigados por supostamente terem apoiado os invasores da semana passada, de acordo com o jornal The Washington Post.

Segundo o deputado democrata Tim Ryan, de Ohio, a chefia da polícia do Capitólio está investigando todas as ações que possam ter facilitado a invasão do prédio. Uma das investigações, que correm em sigilo, apura se um dos policiais publicou mensagens de apoio aos protestos e às alegações de Trump de que houve fraude nas eleições —ainda que ele nunca tenha apresentado provas.

Em outra, autoridades investigam um outro oficial que publicou mensagens críticas ao presidente eleito.

“Não tenho medo de fazer o juramento lá fora”, disse Biden durante uma conversa com jornalistas, também nesta segunda, em Newark, no estado de Delaware, referindo-se ao cenário tradicional da cerimônia de juramento nos terrenos do edifício do Capitólio, como é conhecido o prédio do Congresso.

O comitê de Biden pediu aos americanos para que não viajassem para a cerimônia —o evento costuma atrair centenas de milhares de apoiadores e visitantes à capital americana.

O tema do evento deste ano será "América Unida" e, segundo a organização, "reflete o início de uma nova jornada nacional que restaura a alma da América", ecoando a promessa de campanha do democrata de curar as divisões de um país profundamente dividido.

Na semana passada, Trump confirmou que não vai comparecer à posse do novo governo —a ruptura nessa tradição ocorreu apenas outras três vezes na história do país, todas elas no século 19. Entretanto, o atual vice-presidente, Mike Pence, estará presente, segundo um alto funcionário da gestão Trump.

Com The New York Times

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