Com voto de confiança do Senado, primeiro-ministro italiano mantém mandato

Giuseppe Conte permanece no poder após pequeno partido deixar coalizão governista

Roma | Reuters

O premiê italiano, Giuseppe Conte, ganhou o voto de confiança do Senado nesta terça-feira (19) para seguir no mandato após um pequeno partido, o Itália Viva, liderado pelo ex-primeiro ministro Matteo Renzi, abandonar a coalizão governista na semana passada e gerar uma crise política.

Conte ganhou no Senado pelo placar apertado de 156 votos a 140, com 16 abstenções do Itália Viva.

Ele já havia ganho o voto de confiança da Câmara nesta segunda-feira (18). Caso tivesse perdido alguma das votações, seria obrigado a renunciar. “Pedimos às forças políticas e parlamentares que têm no coração o destino da Itália que nos ajudem a recomeçar o mais rapidamente possível”, disse.

O mandato de Conte, que começou em junho de 2018, deve ter dificuldade para aprovar leis em meio à polarização no Parlamento, a menos que seja capaz de fazer uma coalizão maior.

A crise foi detonada após Renzi anunciar a saída das ministras Teresa Bellanova (Agricultura) e Elena Bonetti (Família). O movimento deixou a coalizão governista sem maioria no Parlamento, enquanto o país é abatido por uma terceira onda de infecções da doença que já matou mais de 82 mil pessoas.

Depois de apelar para que a oposição o apoiasse na esteira da saída do Itália Viva, Conte ganhou a votação na Câmara por 321 a 259 —margem maior que a esperada.

De olho nos votos dos deputados de centro, o premiê prometeu reformular sua agenda política e reformar seu gabinete, dizendo que gostaria de modernizar a Itália e acelerar a implementação de um plano de recuperação da economia fortemente afetada pela recessão.

O enfrentamento da pandemia é a principal causa das desavenças entre o ex-premiê e o atual. Renzi criticou Conte por sua gestão da crise sanitária e sobre o plano para usar os mais de 200 bilhões de euros concedidos pela União Europeia para recuperar as economias do bloco.

Ele diz que o plano é centralizado em Conte, com pouco poder de participação dos outros partidos da coalizão. "Não vamos permitir que ninguém na Itália tenha plenos poderes. Isso significa governar com decretos-leis, que por sua vez se transformam em outros decretos-leis, como já vem acontecendo há meses. É uma violação das regras do jogo. Exigimos respeito pelas regras democráticas", afirmou Renzi.

Representantes do Itália Viva já disseram que poderiam voltar a fazer parte da coalizão se seus pedidos forem atendidos, mas tanto o 5 Estrelas quanto o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, disseram que não querem novo acordo com Renzi, a quem acusam de traição.

Renzi foi criticado pelos outros membros da coalizão por abandonar o acordo estabelecido em 2019, após meses de crise política no país. Nicola Zingaretti, líder do Partido Democrático, descreveu a ruptura como um "erro grave" que “vai contra os melhores interesses do país”.

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