Descrição de chapéu Dia dos Namorados

Apoiadores de Navalni protestam contra Putin usando velas de Dia dos Namorados na Rússia

Atos convocados por aliados do opositor russo contrastam com manifestações que levaram milhares às ruas do país

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Moscou | Reuters

À luz de velas, neste domingo (14), em que se comemora o Dia dos Namorados na Rússia e em dezenas de outros países, apoiadores de Alexei Navalni, principal nome da oposição ao presidente Vladimir Putin, organizaram atos de protesto a despeito dos avisos de que poderiam ser presos.

Depois que a polícia deteve milhares de pessoas nas últimas semanas durante as manifestações contra a prisão de Navalni, seus aliados pausaram os atos nas ruas pelo menos até o início do próximo mês, mas pediram aos russos que acendessem velas —ou seus celulares— formando desenhos de coração nos quintais durante 15 minutos na noite deste domingo.

Nas redes sociais, muitas pessoas publicaram fotos de si mesmas com as luzes piscando em toda a Rússia. Apesar do simbolismo do ato, as vigílias foram em sua maioria pequenas e esporádicas, ao contrário dos enormes protestos que irritaram o Kremlin.

"Putin é medo. Navalni é amor. É por isso que vamos vencer", escreveu Leonid Volkov, um dos aliados próximos do opositor, no Twitter, em uma convocação para que as pessoas se reunissem no domingo.

Ele pediu às pessoas que inundassem a plataforma com fotos de suas manifestações usando uma hashtag em russo que pode ser traduzida como "o amor é mais forte que o medo".

Em Moscou e em São Petersburgo, grupos de ativistas formaram correntes humanas na tarde desde domingo em demonstração de apoio à esposa de Navalni, Iulia Navalnaia, e a outras mulheres afetadas pela repressão policial contra os manifestantes. Apesar do frio intenso, os atos envolveram mais de 100 mulheres no centro da capital russa e pouco menos que isso em São Petersburgo.

Autoridades russas vêm dizendo desde a semana passada que as pessoas que participarem de comícios não autorizados podem enfrentar acusações criminais. Embora o governo alegue risco de contaminação por coronavírus para proibir os atos de opositores, ativistas e grupos de direitos humanos acusam a polícia de usar força desproporcional para reprimir os protestos.

Minimizando a influência da Navalni no cenário político russo, Putin disse que os milhares de pessoas que foram às ruas nas últimas semanas foram motivadas pelo "cansaço" provocado pela pandemia.

"Este réu está sendo usado justamente quando o cansaço das pessoas está surgindo em todo o mundo, inclusive em nosso país", disse o presidente, referindo-se a Navalni sem citá-lo pelo nome. Segundo ele, a" irritação se acumulou" e as pessoas usaram o opositor como uma válvula de escape para a raiva que têm das autoridades.

Navalni foi envenenado em agosto de 2020 e acusou diretamente Putin pela tentativa de assassinato. Ele foi tratado em Berlim, onde os médicos afirmaram ter encontrado o famoso veneno dos serviços secretos russos Novitchok em seu corpo.

Depois, Navalni divulgou a gravação de um trote que deu em um dos agentes do FSB (Serviço Federal de Segurança, sucessor da KGB) apontados como autores do ataque —nele, o espião acha que fala com um superior e admite ter colocado veneno na cueca do ativista no quarto de hotel.

O Kremlin nega qualquer envolvimento, e Putin brincou no fim do ano que, se a Rússia quisesse matar Navalni, o teria feito.

Navalni foi preso ao voltar à Rússia, em 17 de janeiro. Ele é acusado formalmente de violar os termos de sua liberdade condicional —teve uma sentença de prisão por fraude comutada em 2014, em uma ação que classifica como perseguição judicial. Embora nominalmente independente, o Judiciário russo é usualmente alinhado ao Kremlin.

No início do mês, o ativista foi condenado a cumprir mais dois anos e oito meses de prisão, em uma colônia penal.

Blogueiro e advogado, Navalni surgiu na cena pública nos protestos contra Putin em 2012. No ano seguinte, candidatou-se a prefeito de Moscou e amealhou enormes 27% dos votos.

Mas foi em 2017 que ele apareceu para o mundo, ao comandar via internet a convocação de uma jornada de protestos que uniu milhares nas ruas da Rússia. Devido a acusações judiciais, foi barrado de concorrer contra Putin em 2018.

Passou então a uma tática dentro da política: fomentar qualquer candidatura em nível regional que fosse contrária ao Rússia Unida, o partido do regime.

Ele logrou sucessos simbólicos importantes nos pleitos locais de 2019 e 2020, e sua volta à Rússia era vista como uma preparação para o embate das eleições parlamentares de setembro. Agora, com ele preso, há a expectativa de que sua esposa, Iulia Navalnaia, possa ganhar destaque na oposição a Putin.

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