Descrição de chapéu Governo Biden refugiados

Aumenta número de crianças detidas por travessia ilegal na fronteira sul dos EUA

Crescimento deve ser de 50% este mês em relação a janeiro; cifra pode chegar a 9.000 menores

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Washington | The Wall Street Journal

O número de crianças e adolescentes imigrantes desacompanhados detidos por atravessar a fronteira sul dos EUA ilegalmente deve aumentar mais de 50% em fevereiro em comparação com janeiro, disseram pessoas que estão a par do assunto, levantando a possibilidade de uma crise humanitária na região.

Cerca de 2.200 crianças e adolescentes vêm atravessando a fronteira ilegalmente a cada semana em fevereiro, e, segundo algumas das fontes, esse número vem subindo. O governo projeta que cerca de 9.000 crianças e adolescentes terão sido levados em custódia até o final do mês.

O Serviço de Alfândega e Proteção das Fronteiras (CBP, na siga em inglês) informou que deteve em janeiro 5.707 crianças e adolescentes desacompanhados, um aumento de 18% em relação ao mês anterior. O número cada vez maior de crianças sob custódia está começando a prejudicar a capacidade do governo de alojar e cuidar delas apropriadamente.

Migrantes em acampamento em Tijuana esperam conseguir atravessar fronteira para os EUA - Guillermo Arias - 22.fev.21/AFP

A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentários sobre a situação. A CBP, tampouco.

A administração Biden quer evitar uma repetição das crises humanitárias de 2014 e 2019 na fronteira, quando ondas de famílias e crianças migrantes desacompanhados sobrecarregaram as instalações federais.

Até fevereiro, o ritmo de chegada de crianças desacompanhadas à fronteira ainda era menor do que naquelas duas ondas anteriores.

A tarefa do governo de prestar assistência às crianças já havia sido complicada pela pandemia de Covid-19. As vagas na rede governamental de abrigos para crianças e adolescentes operada pelo Escritório de Reassentamento de Refugiados do Departamento de Saúde e Serviços Humanos foram reduzidas em 40% para possibilitar o distanciamento social.

Com isso, as vagas das quais o governo dispõe se esgotaram em muito menos tempo do que teria sido o caso normalmente. Esta semana o governo abriu um abrigo emergencial em Carrizo Springs, Texas, para alojar mais crianças.

Quando as crianças não podem ser enviadas a abrigos rapidamente, permanecem sob custódia da Patrulha da Fronteira. As celas nas instalações da CBP não foram criadas para abrigar crianças, e seus agentes não são treinados para cuidar de crianças.

Na sexta-feira (26), mais de 900 crianças e adolescentes aguardavam em estações da Patrulha de Fronteira para serem transferidas para um abrigo. A informação é de uma pessoa a par do número. Cem dessas crianças já estavam esperando por mais tempo que o limite máximo de 72 horas permitido por lei.

As travessias ilegais da fronteira por crianças desacompanhadas, famílias e adultos sozinhos vêm aumentando desde o verão por várias razões. A pandemia agravou a situação econômica do México e da América Central, de onde vem a maioria dos migrantes.

A administração Biden vem procurando alcançar um ponto de equilíbrio em sua política para a fronteira sul, assinalando aos defensores da imigração que está trabalhando para reverter as políticas do ex-presidente Donald Trump que restringiram o acesso ao sistema de asilo, e, ao mesmo tempo, enviando a possíveis migrantes uma mensagem —em inglês e espanhol— de que agora não é o momento de empreender a viagem rumo ao norte.

Funcionários da Casa Branca estão trabalhando com governos latino-americanos para difundir essa mensagem e, em alguns casos, recrutar agentes de outros países para mandar de volta migrantes quando chegam a fronteiras ao sul dos EUA.

A administração Biden manteve uma ordem emergencial de saúde pública emitida pelo ex-presidente Trump durante a pandemia que autoriza agentes da fronteira a repelir rapidamente a maioria dos migrantes que encontram, evitando o processo de prisão formal.

Nesses casos, os migrantes não puderam solicitar asilo, uma proteção legal que qualquer pessoa pode pedir se está fugindo de perseguição política, religiosa ou de outro tipo em seu país de origem.

Embora atravessar a fronteira sem permissão seja ilegal, a lei dos EUA permite que estrangeiros entrem com pedido de asilo, independentemente de como entraram no país. Segundo dados do Departamento de Justiça, a maioria das pessoas que pede asilo no país acaba sendo rejeitada.

Em novembro, um tribunal ordenou que a administração Trump parasse de aplicar a política emergencial de saúde pública a crianças e adolescentes. Um tribunal de apelações reverteu essa decisão depois de Biden chegar à Presidência, mas sua administração optou por não voltar a enviar crianças de volta a seus países de origem.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse na quinta-feira (25): “Consideramos que nossa melhor opção é levar adiante os processos dessas crianças em instalações do Departamento de Saúde onde sejam seguidos protocolos contra a Covid, onde elas estejam em segurança e tenham acesso a atendimento educacional e médico”.

Republicanos e ex-funcionários da administração Trump criticam a administração Biden por essa decisão, dizendo que ela está contribuindo para o aumento recente.

“Esta é uma crise autoinfligida”, afirmou Stephen Miller, assessor sênior de Trump e arquiteto da política imigratória do ex-presidente.

Tradução de Clara Allain

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