Descrição de chapéu Financial Times

Número de vacinados ultrapassa o de casos confirmados de Covid no mundo

São perto de 104 mi de doses administradas e pouco mais de 103 mi de infecções pelo coronavírus

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Financial Times

O número de vacinações globais contra a Covid-19 superou o número total de casos confirmados, um momento notável que salienta o progresso feito na contenção da pandemia, apesar da crescente preocupação sobre a ameaça de novas variantes.

Segundo o rastreador de vacinas do Financial Times, o número de doses administradas chegou perto de 104 milhões nesta quarta-feira (3), enquanto o número de casos confirmados era de pouco mais de 103 milhões.

Idosos são vacinados contra Covid-19 em teatro em Chesterfield, no Reino Unido - Carl Recine/Reuters

Os índices de vacinação estão se acelerando rapidamente, mas o aumento de casos de Covid-19 perde o ritmo, o que se deve a outras medidas que não as vacinas, porque estas ainda não afetaram a transmissão na maioria dos lugares.

Os dados são incompletos devido à natureza fragmentada dos relatos —e o número real de infecções provavelmente é muitas vezes maior que o verificado por testes diagnósticos.

"O fato de termos tantas vacinas é uma notícia extremamente boa que nos foi dada aos pedaços. Este momento reúne os fatos, mostrando como avançamos depressa e como chegamos longe", disse Michael Head, pesquisador de saúde global na Universidade de Southampton.

Especialistas em saúde atribuem o aumento desacelerado das infecções aos constantes lockdowns e a medidas de distanciamento social, com uma possível contribuição da imunidade adquirida de infecções anteriores em alguns lugares.

Paul Hunter, professor de medicina na Universidade de East Anglia, disse que novos índices de infecção atingiram o pico globalmente no início de janeiro e agora estão novamente no nível de outubro passado.

Israel é o único país onde as vacinas já estão reduzindo a transmissão porque a inoculação foi feita de modo mais extenso e rápido do que em qualquer outro lugar do mundo. "Há evidências de Israel de que a vacinação começa a reduzir as infecções", disse Head.

Mas as vacinas em breve farão uma grande diferença na transmissão, pelo menos em países ricos, onde bilhões de doses estarão disponíveis nos próximos meses, após semanas de discussão —especialmente na União Europeia— sobre suprimentos.

Dados divulgados pela Universidade de Oxford na segunda-feira (1º) sugerem que sua vacina desenvolvida com a AstraZeneca reduziria a transmissão em 67%. Especialistas esperam que outras vacinas importantes, como as fabricadas por Pfizer-BioNTech, Moderna, Novavax e Johnson & Johnson, tenham efeitos semelhantes, embora ainda não haja dados sólidos disponíveis.

"Um ano atrás, eu não poderia imaginar que teríamos tantas vacinas eficazes. Este é um verdadeiro testamento à engenhosidade humana", afirmou Devi Sridhar, professora de saúde pública global na Universidade de Edimburgo.

Para Sean Marett, diretor de negócios da BioNTech, a fabricante pioneira de vacinas para Covid-19, "haverá doses suficientes no segundo semestre deste ano para vacinar todos no mundo industrializado que quiserem ser vacinados".

No entanto, uma ameaça ao progresso é o surgimento de novas variantes do vírus que estão aparecendo mais frequentemente conforme os casos aumentam. Algumas são mais infecciosas —e menos suscetíveis à neutralização pelo sistema imune das pessoas que já foram vacinadas ou infectadas por formas mais antigas do vírus.

Os fabricantes de vacinas dizem que os produtos atuais continuam funcionando contra todas as mutações detectadas até agora, embora de forma menos eficaz contra algumas, como a nova cepa sul-africana. Eles também insistem que as vacinas podem ser modificadas rapidamente, se necessário, para reagir a novas mutações, aumentando a dispendiosa perspectiva de que doses anuais ou bienais serão necessárias no futuro.

Não está claro quanto tempo levará para inocular o mundo todo. As compras confirmadas de vacinas para Covid-19 chegam a 7,2 bilhões de doses, e 5,3 bilhões delas foram compradas por países de renda alta e média-alta, segundo o Centro de Inovação em Saúde Global da Universidade Duke. A maior parte dessas vacinas exigirá duas doses.

O Wellcome Trust estima que só em 2023 ou 2024 todos os que precisam de vacina conseguirão receber uma. Outros acreditam que poderá ser mais cedo que isso se os países ricos e organizações doarem as doses excedentes aos mais pobres.

Outro problema potencial é a hesitação sobre a vacinação e especialmente se um número suficiente de jovens adultos, que sabem que seus riscos de precisar de tratamento intensivo ou de morrer de Covid são muito baixos, concordarão em ser vacinados.

A professora Sridhar disse que uma maneira de convencer os jovens a se vacinar —e ajudar a alcançar a imunidade de rebanho— seria mostrar os riscos significativos de desenvolver sintomas debilitantes de "Covid duradoura" em pacientes que não ficaram seriamente doentes.

"Dois milhões de pessoas em todo o mundo morreram nesta pandemia", disse ela. "Sou otimista de que poderemos chegar ao fim disto sem outros 2 milhões de mortes."

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.