Descrição de chapéu Governo Biden

EUA estimam que 184 mil crianças desacompanhadas cheguem ao país em 2021

Hondurenho de 4 anos foi encontrado sozinho perto do rio na fronteira com o México

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Washington e Cidade do México | Reuters

Autoridades de fronteira dos EUA calculam que até 184 mil crianças migrantes desacompanhadas cheguem à divisa com o México neste ano, segundo documento interno obtido pela agência de notícias Reuters. A estimativa destaca um desafio para o presidente americano, Joe Biden, que enfrenta dificuldades para acolher um número crescente de menores, principalmente vindos da América Central.

Nesta quarta-feira (31), por exemplo, o governo mexicano informou ter encontrado um hondurenho de quatro anos de idade viajando sozinho perto do rio que separa o México dos Estados Unidos.

O Instituto Nacional de Migração do México (INM) disse que o menino estava desacompanhado entre árvores e matagais, caminhando em direção à fronteira. Um grupo de três mulheres e seis crianças, todas hondurenhas, estava na mesma área, mas ninguém se responsabilizou pelo garoto, segundo a entidade.

Migrantes são detidos pela polícia de fronteira americana após cruzarem rio para pedir asilo em El Paso, no Texas
Migrantes são detidos pela polícia de fronteira americana após cruzarem rio para pedir asilo em El Paso, no Texas - Egdard Garrido/Reuters

Os dez migrantes foram levados à custódia do departamento mexicano dedicado ao bem-estar da família.

O relatório do Serviço de Alfândega e Proteção das Fronteiras (CBP, na sigla em inglês), divulgado pela Reuters, estima que entre 159 mil e 184 mil menores desacompanhados (que tentam cruzar a fronteira sozinhos, com contrabandistas ou com parentes que não sejam seus pais) cheguem aos Estados Unidos no ano fiscal de 2021, que começou em outubro de 2020.

Se os números se confirmarem, será o maior fluxo já registrado desde 2010, quando começa a série histórica. Até agora, o ano com maior número de apreensões de menores desacompanhados foi 2019, ainda na gestão de Donald Trump, quando 76 mil crianças e adolescentes chegaram sozinhos à fronteira.

Março também deve ser o mês que registrou a maior quantidade de menores desacompanhados, com 15 mil cruzando a fronteira com o México, segundo o CBP —os dados oficiais devem ser publicados no início de abril. Assim, o período desbancaria maio de 2019, quando 11,5 mil crianças foram apreendidas.

O documento traz ainda estimativas para a ocupação de abrigos para onde as crianças devem ser encaminhadas em até 72 horas após a apreensão. Até segunda (29), eram 12 mil sob custódia do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, cifra que pode quadruplicar e chegar a 53 mil até setembro.

As projeções do CBP, no entanto, excluem crianças mexicanas, já que a maioria poderia rapidamente retornar ao México por meio de um acordo bilateral. As estimativas também são feitas com base na hipótese de que o governo Biden não mudará as políticas em relação a menores desacompanhados —ou seja, novas políticas podem levar a números diferentes.

De qualquer forma, o aumento crescente coloca o sistema de abrigos sob forte pressão. Segundo dados do Escritório de Reassentamento de Refugiados, um braço do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, há cerca de 11,9 mil vagas disponíveis nesses estabelecimentos.

Para lidar com a demanda, o governo Biden lançou um esforço na última semana para criar mais 16 mil vagas, segundo a emissora americana CBS. Em outro movimento, o Departamento de Segurança Doméstica dos Estados Unidos determinou, há duas semanas, que uma agência normalmente encarregada de responder a enchentes e furacões ajude a cuidar de um número crescente de crianças migrantes que chegam à fronteira com o México.

O secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas, afirmou, em comunicado, que a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (Fema, na sigla em inglês) foi convocada para “ajudar a receber, abrigar e transportar as crianças” nos 90 dias seguintes.

Os EUA enfrentam o maior aumento de migrantes dos últimos 20 anos. De acordo com os números divulgados pelo Departamento de Segurança Interna há duas semanas, as tentativas de cruzamento das fronteiras por pessoas vindas do México e do Triângulo Norte —Guatemala, Honduras e El Salvador— têm aumentado constantemente desde abril de 2020.

A pandemia de coronavírus, furacões e outros desastres naturais que causaram muitos danos nos países de origem dos imigrantes explicam, segundo o secretário, o agravamento nas condições de vida dos que se arriscam a atravessar a fronteira ilegalmente. O CBP e o Escritório de Reassentamento de Refugiados não responderam aos pedidos de comentários feitos pela Reuters.

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